Obscuro, turbulento e frio. Sei que é assim que deve estar tudo ai dentro, se eu fosse lhe descrever interiormente diria que pareces um jardim a muito não regado, não adubado ou alentado, estou certa? Se sim prossiga nesse texto, vamos conversar nas entrelinhas, saiba que estou aqui escrevendo pra você. Segura minha mão bem forte que eu vou te ajudar a atravessar esse túnel escuro onde a luz no final é você mesmo. Eu sei que está doendo, sufocando e que sua escolha no momento é apenas o silêncio, mas ele pesa não é? Já não acredita que falar sobre a nevasca que tens ai dentro possa diminuir o frio que sentes intrinsicamente, mas vou te contar uma coisa, você sabia que palavras são mágicas? Elas podem ajudar a aliviar essa angustia que tem sentido bem mais do que estes cortes que você fez ai em sua pele, talvez essas palavras doam um pouquinho para sair, porém bem menos do que você espera. Grite! Chore! Escreva! Mas não engula isso tudo que está preso ai, não se afogue neste seu esse mar de sentimentos e dor, seja seu próprio salva vidas, sei que nesse jardim já houve flores e que nem sempre seus olhos foram tempestade, aliás, que lindos olhos você tem sejam eles castanhos, verdes ou azuis, consigo ver através deles a beleza da sua alma e ela está gritando por socorro, pedindo para que você não desista de si, pois se desistir estará também destruindo ela e acredito que você não quer acabar com essa coisa tão bela que habita ai em você, não é? Eu sei que tu és tão vasto quanto o céu, mesmo que ao olhar para si mesmo veja apenas um buraco negro de idas sem voltas, mas você já parou para observar a noite? Toda aquela beleza do breu iluminado pelas estrelas e enfeitado pela lua, é assim que eu vejo você, enxergo o encanto das estrelas nesse seu sorriso que esta escondido faz tempo e a venustidade da lua na sensibilidade do teu ser. Se nem o céu na sua vastidão desistiu de brilhar e mostrar o que há de melhor em si por milhares de anos, por que você desistiria? Não é fácil segurar esse caos todo que está sentindo e exatamente por isso aconselho a ti que não o segure, o coloque pra fora e transforme suas cicatrizes em poesias, não deixe de ver flores em ti, pois daqui eu consigo enxergar o jardim inteiro que você é, portanto não desista, aquela luz no final do túnel que tanto almeja é você mesmo.
Simone Ribeiro, in um setembro amarelo. (via reenascendo)