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secretah

@outropequenosernotavel

  • Medíocre
Escrevo textos aos quais ninguém lerá, quero usar palavras medíocres enquanto falo sobre coisas profundas. Não me olhem como se nem por um milésimo de segundo soubesse a respeito daquilo que falo. Os prédios no centro da cidade me encaram de volta com desprezo, por isso sinto que devo fugir para o lugar mais distante, lugar onde haja tempo para devanear sobre os dias, observar dona Maria varrer a porta as 06:00 da manhã enquanto canta. Quero de volta pra mim a infância que nunca tive, amor romântico algum pode preencher as lacunas de minha existência.
Eu quero tempo, pra sentar numa cafeteria meio fim de mundo sozinha e ler todos livros que deixei acumular na prateleira. Quero espaço, pra me sentir em solitude por dias em silêncio, com nada além de minha própria voz a volta. Fazer ovos mexidos na pletinude espaçosa da manhã.

Uma mentira bem contada é melhor do que a verdade?

Às vezes me sinto como uma mentira mal contada.

Um parágrafo sem pontuação alguma, com erros ortográficos tolos, e a formatação complemente desconfigurada.

Quem leria este conto de loucura e fantasia?

Eu quero entregar os pontos. Ficar deitada por dias até afundar em desespero. Tudo em mim arde, dos músculos a alma, até a água tem um gosto desagradável e espera que eu sorria? Penso como seria poético se pudessem arrancar meu coração e entregar em minhas mãos, enquanto beijo a morte. Esse é meu terceiro cigarro e minha décima quinta carta pra você, desista de mim. Finja que nunca te contei sobre a força gravitacional da galáxia, ou das teorias gélidas sobre outras dimensões, finja que nunca te mostrei minha receita secreta para o macarrão, finja que nunca ouviu sobre meus traumas e a forma como não sei reconhecer amor genuíno, finja que nunca disse te amar. Enquanto eu do outro lado, tentarei fingir saber a distinção entre a realidade e meus sonhos. O que faz as coisas serem reais?

Arthur

Amo a forma como enxerga o mundo, você me faz acreditar em coisas como vidas passadas e reencarnações, tenho certezas que já nos conhecíamos de outras épocas, até por sua alma antiga. Obrigada por não ter me deixado morrer, física e intelectualmente, sempre me deu forças pra existir, as memórias mais bobas e felizes que tenho são todas contigo. Como quando enterrei seu brinquedo no monte de areia ou quando nós assistíamos xuxa 3, quando fizemos na natação e riamos que nem loucos por conta do meu short "adidlas", todos os fandons que fizemos parte. Obrigada por ser meu irmão, e apesar de não dizer tanto, saiba que te amo profundamente e espero que o mundo seja mais gentil contigo. Um dia todos conhecerão o grande historiador, me orgulho de você tutu.
Quando me arrasto ao levantar da cama em pura angústia pra tentar viver o dia, tudo parece ser o fim de mim. Depois de algumas horas o peso da dor se move distante do meu peito. Daí de onde está, consegue me ver lutar pra existir? Como será me enxergar de fora pra dentro? A melancolia toma café comigo toda noite, melhor beijar a sensação de morte do que nada sentir. O vazio é sempre mais assustador, prefiro a morte ao nada. Enquanto puder experienciar o sentir, escolho a vida.

Não sei como me sentir, vejo tudo girando a 200 por hora em frente aos meus olhos sem compreender como as coisas acontecem. Desconheço o silêncio, meus pensamentos e vozes nunca me abandonam, já não tenho medo da abandono pois me despi de quem era.

O meu eu antigo se desesperaria com a tua partida num choro silencioso e angustiante, cuspindo pra cima e vendo cair na testa do mundo meu próprio orgulho sendo o maior vilão da história.

Se eu fosse quem já fui, pediria pra ficar com a certeza de que minhas palavras podem ser a cura pro mundo e esquecendo de que só posso curar a mim. Se eu ainda fosse a mesma diria que te amo no meio da chuva, negando a mim o amor próprio.

Mesmo ainda sendo eu, já não sou o que era, mas você ainda tem a mesma voz, o mesmo cheiro e apesar de saber que nunca funcionará entre nós, sinto muito sua falta.

Te vejo lutando contra o abismo, enquanto tento não ceder a pular do meu. Porra, só quero um café e um cigarro as 06:00 da manhã, e por mais que pareça estar morrendo com a cara de cansaço é justamente quando me sinto mais viva. Conversei com o Jorge da portaria sobre linhas do tempo e agora temos certeza de nos ter encontrado antes, quem sabe fomos primos?

Algumas coisas não precisam fazer sentido. Preciso me levar menos a sério e mais a conversas com idosas na fila de lotéricas, elas quase sempre tem resposta pra tudo no mundo, de dor no amor a xarope pra gripe.

Os pensamentos não se encaixam, mas não me esforço pra que isso aconteça, prefiro não entender nada ao meu redor por agora. Levarei como pauta pra terapia.

Refleti sobre o que escrevo, pra quê escrevo, quando escrevo. É meu jeito de gritar em completo silêncio da torre mais alta da cidade.

Queria sentir um beijo apaixonado de morte e uma dose de ressurreição.

Eu sou a única que pode me abandonar e as vezes o faço, nem sempre sinto muito, nem sempre sinto, as vezes muito. Faço pouco caso de pouco e não me pergunte coisas bobas, é claro que amo carnaval e fingir que as dores se desfazem com o passar dos meses.

Estou me desfazendo daquilo que não preciso, deixando pra trás o óbvio, é óbvio que a gente acabou. E ainda assim escrevo sobre teu cheiro em cada ambiente, o quanto de você agora sou eu? E o quanto doí me destrinchar disso.

Quase desisti de tudo segunda feira passada.

Na terça quase me apaixonei por uma mulher cheia de vida, ela parecia brilhar enquanto debuíva os motivos pra amar o outono. Balancei a cabeça com uma expressão amargurada, mas de coração preenchido.

Na quarta uma senhorinha beijou minha mão e disse "deus lhe abençoe minhafia"

Quinta Enilson me abraçou a alma, beijou minha testa com toda ternura enquanto fofocavamos sobre existencialismo, gritamos sobre como o planeta poderia explodir a qualquer momento. Estaríamos de fato felizes?

Mesmo quando as coisas parecem não fazer sentido escolho permanecer viva. As coisas miúdas são doses de vida.

Me sinto tão culpada, tudo que se parece com você me persegue, pensar ainda te amo dói. Sim, eu fui no terraço daquela lanchonete e tomei seu refrigerante favorito. Se eu pudesse esquecer de tudo que sou, meu espírito ainda lembraria da sua presença. Isso não é amor, amor é cuidadoso e faz sentir bem. Tudo que sinto é angústia, e isso não é sua culpa. Preciso me curar da antiga ideia de infinito, a curva acontece quando necessária. NADA DISSO FAZ SENTIDO, ME SINTO UM MERDA. crise.

30/04/2023

Uma pedra é posta sob meu peito, angústia no sentir sólido, a boca amarga. Por que eu ainda deveria tentar ver sentido nas coisas?

O vento sopra vazio, assim como minha vontade em existir inexistente. Os dias grandes e acinzentados no início de Maio sempre me fazem confortam das dores, o mundo parece mais silencioso quando chove.

Queria que me visse cruzar teus caminhos ao longe, e pensasse em como amaria sentir o encontro de nossas almas num abraço.

Hipômania

Alguns dias eu só queria arrancar minha própria pele num grito de desespero, é como se tudo estivesse em chamas. Queria correr pela cidade completamente despida e estapear a cara do prefeito. Transar com 15 pessoas e me unir a uma seita fundamentalista numa cidade meio fim de mundo, raspar o cabelo, fingir que não tenho o mesmo nome. Desfazer de tudo que sou.

Se eu não fosse quem sou? Quem eu seria?

Uma esposa de olhar distante, numa casa suburbana perto do centro? Uma senhorinha que faz tricô pra vestir todos os móveis? Um cantor mediano de sertanejo? Ou um homem de palavras vazias?

Apesar de todos caos imediato mediante a inconstância de minhas emoções, ainda existo e um dia, irei me orgulhar disto.