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Sarah de A. Andrade
Sarah de A. Andrade
Meses com o relógio quebrado, parado no tempo, suplicando que regresse ao meu corpo perene. Estrelas caíram dos seus olhos distantes, mas fixos no nosso amor inundado. Estrelas pairam sobre esse manto negro que me envolve sem objetivo de me secar. Resgato essa fantasia enquanto vibram os feixes de uma lembrança fragmentada. Nada posso além de imaginar o sol sobrepondo sua pele e a sombras brincando com seus traços em algum lugar inanimado criado por mim. Mal posso ver a hora da sua chegada, o relógio está quebrado, por isso sinto tudo ao redor me consumir. Torno, assim, o tempo. Deixo-me esvair entre o vicioso desejo de te sentir.
Sarah de A. Andrade
Angústias ditas para o silêncio, no escuro se perdem, colidindo com o vazio do que nunca está por vir. Ainda choro pela mesma dor. Você ainda me observa com o mesmo temor? Palavras que nunca pronunciei estão impregnadas no céu da minha boca, manchando todas inutilidades que tanto ouso falar. Ainda choro pela mesma dor. Você ainda me observa com o mesmo temor? Perguntas rastejam em círculos, entontecem lembranças que já não cabem mais em mim, misturando com sonhos que não deveriam existir. Por que ainda choro pela mesma dor? Você ainda me observa com o mesmo temor.
Sarah de A. Andrade
Luz que irrita meus olhos, enfurece meu coração
Apressa sobre todos meus destroços, tardia na escuridão
Sopro a vida enquanto me levo por esse furacão…
Luz que inebria meus olhos, acalenta meu coração
Regressa sobre todos meus ossos, tardia na confusão
Goteja a vida enquanto nado sob essa imensidão…
Sarah de A. Andrade
Eu quero saber seguir sem sentir a necessidade de retornar ou, ao menos, ficar sem precisar te esperar. Tanto tempo entre o que nos restou, essas frases desconexas, palavras descartadas, tropeço no fim. Eu quero saber mudar sem ter que te esquecer ou, quem sabe, te encontrar sem precisar me perder. Tanta falta entre o que nos sobrou, essa porta entreaberta, agonia escancarada, tropeço no fim.
Sarah de A. Andrade
Sarah de A. Andrade
Sarah de A. Andrade
Sarah de A. Andrade
Sarah de A. Andrade
Sarah de A. Andrade
Praia
Pude sentir o vento me tocar antes que a areia entrasse nos meus olhos. Agora posso esquecer que mergulhei com outros corpos?
Meus pés nos cacos de vidro enterrados pela criança que ainda mora no meu passado híbrido. Você ainda pode ver o meu reflexo na água do mar?
Tenho visto gaivotas voarem ao redor do meu cais, me distanciando de tudo que sinto paixão. É tarde demais para uma fuga de barco até o seu coração?
Sarah de A. Andrade