... simplesmente não gosto mais de você.
Numa noite de 15 de julho de um ano qualquer, Emma disse isso para Dexter, ambos com lágrimas prestes a cair. Ele entendeu perfeitamente o que ela quis dizer, por isso sentiu o golpe a doer fortemente no peito. Em seguida, ele pediu desculpas por estar agindo como um babaca, e Emma o enlaçou em um abraço que dispensava palavras, ambos feridos e errados em esconder sentimentos que nasceram para viver à luz do sol.
O que eles tinham era tão incomum, raro e precioso que nenhum deles ousava dar um passo adiante. Pareciam esquecidos de que os dias passam. Para um distraído, talvez essa frase do filme "Um Dia" pareça contraditória, estranha, sem sentido.
Eu, assim como Dexter, a entendi claro e em bom tom; acho que sinto algo parecido hoje. Amo você, mas nesse momento não gosto mais de você.
Claro que amo todos os momentos que moldam a nossa emoção valiosa e que classifico como "só nossos" - desde os mais bobos até os espetaculares, assim como amo esse seu jeito gentil tão fora de moda, a maneira como você fica em silêncio para me ouvir falar, a voz baixa à força... Amo a forma como você me olha, um sorriso feliz dança em volta dos cristalinos dos seus olhos escuros, amo quando você começa uma mensagem com aquelas palavras que ninguém mais diz.
Tento entender a esquina que as coisas viraram, mas me sinto perdida e desisto. Tentei consertar os erros que possam ter havido. Talvez a sua vida fique melhor agora; me divido em torcer que sim e desejar humana e egoisticamente que não, mas tudo está tão ruim agora que não parece ter sobrado algo do muito que existia.
Não sei se sou Emma ou Dexter nesse momento - se sou eu que digo que te amo, mas não gosto mais de você, ou se sou Dexter a esperar ser acolhido num abraço que me faça entender o que está acontecendo.