eu sei que to aqui, que estou viva, que sou capaz de sentir algumas pequenas coisas mas na maior parte do tempo eu me sinto como se estivesse vivendo no automático. e eu sei que é bem comum dizer isso também, mas faz tanto sentido pra mim agora. todos os meus movimentos são os mesmos desde quando acordo até a hora de dormir (quando consigo). vivo constantemente cansada esperando pelo próximo dia com a esperança de ser melhor mas tudo se repete.
por camilo castaño
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Ela se inspirou na lua
E se refez em fases…
algumas lágrimas vão saindo pelos meus olhos sem que eu consiga impedí-las ou entendê-las.
eu vou me desfazendo nessas linhas e nesse texto, como quem tenta arrancar o peso de dentro e pôr para fora.
porque eu queria sentir o conforto e a compressão, mas não sinto.
nem aqui, escrevendo isso, nem em outra pessoa.
e isso é tão desesperador.
“Sabe o que é triste? Perceber que eu nunca vou ser boa o suficiente pra merecer alguém. Que eu sempre vou me afastar e causar dor e surtar e mudar de opinião e correr pro lado contrário. Mesmo quando eu amo e quando eu quero que dê certo. Não dá certo. Não comigo. E é isso que eu sei fazer de melhor: magoar todo mundo e pisar nos meus próprios sentimentos.”
— Iolanda Valentim.
eu queria dizer que acredito que às coisas vão melhorar, mas em alguns dias, como este de hoje, me parece algo longe demais da realidade. eu queria ter uma fé grande ou até miúda, mas ter fé em alguma coisa que me passasse a segurança necessária para seguir, prosseguir, conseguir. eu queria chorar até tudo desaparecer, porque eu sei que estou fugindo das coisas ruins, como se elas fossem embora dessa maneira, mas elas não vão. eu queria parar tudo, ao mesmo tempo que eu queria recomeçar tudo, mas não encontro forças suficientes pra isso. e a verdade é que eu já nem sei mais o que está acontecendo ou o que fazer a respeito, quando tudo parece desmoronar aos poucos.
quantas vezes o mundo pisou no que você tinha de mais precioso dentro de si e a vida seguiu como se não importasse o quão machucada você estava? porque você me disse estar cansada e eu quis saber o quê te deixou assim. afinal, eu queria que você falasse a respeito do que te aflige, do que te dói e te puxa cada vez mais fundo. porque se não falarmos sobre essas coisas, elas não vão embora e passam a nos corroer por dentro até que não sobre nada.
quantas vezes você abdicou dos seus problemas e das suas dores para tentar resolver os de outra pessoa? e você me explicou que é porque todos tem problemas e estamos aqui pra cuidar um do outro, ajudar um ao outro. quando, na verdade, é difícil ver quem a gente ama triste e não fazer nada a respeito.
quantas vezes você pensou que não poderia mais ir em frente, uma vez que tudo se tornou pesado e sem sentido, mas continuou aqui? e eu quis te explicar que a vida é sobre isso: o quanto a gente é afetado e a maneira que respondemos ao que nos afeta. mas às vezes as palavras não são suficientes e às coisas boas parecem tão longe da realidade que passamos a vê-las como utopia. mas não são. elas ainda existem no meio disso tudo, mesmo que às coisas ruins muitas vezes as distorçam ou as escondam.
porque você é um alguém incrível nesse mundo cruel e eu queria poder dividir o peso, a tristeza e o cansaço, para que jamais se sentisse só.
porque eu cuido de você no meu pensamento e concentro as minhas energias em pedidos ao universo de que fique bem.
porque talvez eu não saiba como te ajudar e nem possa te livrar de nada disso, mas eu faria se pudesse.
porque esse texto não diz absolutamente nada de útil pra você agora, mas ainda estou a escrevê-lo, só pra que saiba o quão a sua existência é incrível e o quanto eu sou grato por ela, mesmo que, por vezes, doa perceber que está exposta a toda sujeira do mundo.
você é tão maior do que tudo isso.
eu sinto muito.
(by Stephen Medeiros)
por mais que eu me esforce e me molde e me doe existem alguns espaços que nunca vou conseguir preencher
[e dessa vez não tá tudo bem]
Thomas Ruff :: Sterne: 03h 09m /-20*, from Stars, 1990
Thomas Ruff :: Sterne: 05h12m /-70*, from Stars, 1990
Todos sentem uns mais, outros menos Uns estrelas, outros constelações.
“A gente cresce ouvindo que perdão é bonito, altruísta, e de fato é, mas não precisa perdoar se você não consegue. Não tem problema nenhum ficar longe de alguém que te feriu, te humilhou ou te inferiorizou. Você precisa de saúde emocional, não de um Nobel da Paz.”
— Autor Desconhecido.





