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miguel.sacramento.news

@miguelsacramentonews

Um país só cresce de verdade com Educação de qualidade.

Construindo o futuro da Educação

Duas visões distintas da mesma realidade

O americano William Deming - que colaborou para o Japão, mesmo destruído na II Grande Guerra, em apenas 30 anos, se tornar o segundo maior PIB do mundo - sempre alertava que

"Sem fatos e dados você é apenas mais um com uma opinião"

Estamos em 2023 e proponho analisarmos juntos, a partir de fatos e dados, as ações dos governos atual e anterior em relação à Educação. Alguns são óbvios e todos podem ser facilmente encontrados na Internet, vamos lá:

  1. Todos os ingressantes no Ensino Superior são egressos do Ensino Médio.
  2. Há dez anos, pesquisa feita pelo governo federal, comentada pelo ministro da Educação e confirmada por mim em algumas universidades na cidade de São Paulo mostrou que 40% dos ingressantes no Ensino Superior eram analfabetos funcionais, isto é, sabiam ler e escrever, mas não conseguiam entender textos simples.
  3. Apenas 11% dos egressos do Ensino Médio retinham algum conhecimento das disciplinas básicas.
  4. Desde o início deste século, o desempenho da Educação brasileira no PISA (Programa Internacional de Avaliação do Desempenho Escolar) piora, sendo um dos últimos entre cerca de 80 nações.
  5. A evasão escolar do Ensino médio atinge 48% dos alunos.
  6. Com o contínuo decréscimo da taxa de fecundidade no Brasil - número de filhos por mulher caiu de mais de 6 em 1960 para menos de 1,7 atualmente - o número de crianças entre 3 e 9 anos já reduziu em cerca de 40%.
  7. Nos últimos 80 anos, o número total de postos de trabalho em atividades produtoras de bens não aumenta, apresentando leve queda e representa, atualmente, cerca de 20% do total de postos de trabalho existentes.
  8. No mesmo período, o número total de postos de trabalho em atividades provedoras de servíços quadruplicou passando de 20% para mais 80%.
  9. A economia mundial que, no século passado demandava capital por ser composta principalmente por atividades produtoras de bens, neste século por ser, principalmente, composta por serviços passa a demandar conhecimento.
  10. Com o grande aumento dos trabalhos à distância a competição pelos melhores postos de trabalho passa a ser global, não mais regional.

Todos os pontos acimas são fatos e

"Contra fatos não há argumento"

E quais foram as ações dos governos anterior e atual em relação à Educação no Brasil.

Quatro ações do governo anterior

  • Reduziu a verba para o Ensino Superior e aumentou a verba para os Ensinos Básico.
  • Baseado no que é realizado em países que aumentaram seus indicadores educacionais como Austrália, Canadá, Chile, Estados Unidos, França e Portugal, criou a Secretaria de Alfabetização passando a se orientar por evidências científicas e priorizando investimentos na educação básica diretamente nos estados e municípios para capacitar 1,5 milhão de professores que trabalham na rede pública de ensino, em escolas federais, estaduais ou municipais de professores do ensino fundamental e de jovens e adultos.
  • Assinou contrato com Telebras e pequenos provedores para levar internet a 12.000 escolas no programa Wi-Fi Brasil, inclusive em comunidades em estado de vulnerabilidade social.
  • Consegue a aprovação da reforma do ensino médio para tornar a escola mais alinhada às necessidades do mundo atual, preparar o jovem para viver em sociedade e enfrentar os desafios de um mercado de trabalho cada vez mais dinâmico.

Quatro ações do governo atual

  • Recompõe R$ 2,4 bilhões do orçamento do ensino superior e reduz 34% o orçamento do Ensino Básico.
  • Em seu primeiro ato, o ministro da Educação extinguiu a Secretaria da Alfabetização.
  • Mantém programa de conectividade nas escolas, mas sempre enfatizando para os perigos decorrentes como a exposição do aluno aos discursos de ódio e violência.
  • Suspende o cronograma de implantação do Novo Ensino Médio adiando sine die sua continuidade.

Agora é a sua vez de - isento de animosidade, crenças, tendências ideológicas, políticas ou religiosas - tirar suas conclusões sobre a assertividade das duas propostas, praticamente opostas, para melhorar um problema crônico no Brasil, a má qualidade do seu sistema educacional, onde as exceções existentes apenas confirmam a regra.

Construindo o futuro da Educação

Duas propostas distintas para uma mesma realidade

O americano William Deming - que colaborou para que o Japão, mesmo destruído na II Grande Guerra, em apenas 30 anos, se tornasse o segundo maior PIB do mundo - sempre alertava que

"Sem fatos e dados você é apenas mais um com uma opinião"

Proponho que, a partir de fatos e dados, não de opiniões, VOCÊ analise a atuação dos governos atual e anterior em relação à Educação. Todos os pontos citado a seguir podem ser facilmente encontrados na Internet, vamos lá:

  1. Todos os ingressantes no Ensino Superior são egressos do Ensino Médio.
  2. Há dez anos, pesquisa feita pelo governo federal e comentada pelo ministro da Educação mostrou que 40% dos ingressantes no Ensino Superior eram analfabetos funcionais, isto é, sabiam ler e escrever, mas não conseguiam entender textos simples.
  3. Apenas 11% dos egressos do Ensino Médio retinham algum conhecimento das disciplinas básicas.
  4. Desde o início deste século, o desempenho da Educação brasileira no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) piora, sendo um dos últimos entre cerca de 80 nações.
  5. A evasão escolar do Ensino médio atinge 48% dos alunos.
  6. Nos últimos 80 anos, o número total de postos de trabalho em atividades produtoras de bens não aumenta, apresentando leve queda e representa, atualmente, cerca de 20% do total de postos de trabalho existentes.
  7. No mesmo período, o número total de postos de trabalho em atividades provedoras de servíços quadruplicou passando de 20% para mais 80%.
  8. A economia mundial que, no século passado demandava capital por ser composta principalmente por atividades produtoras de bens, neste século por ser, principalmente, composta por serviços passa a demandar conhecimento.
  9. Com o grande aumento dos trabalhos à distância a competição pelos melhores postos de trabalho passa a ser global, não mais regional.

Todos os pontos acimas são fatos e

"Contra fatos não há argumento"

E quais foram as ações dos governos anterior e atual em relação à Educação no Brasil.

Quatro ações do governo anterior

  • Reduziu a verba para o Ensino Superior e aumentou a verba para os Ensinos Básico.
  • Baseado no que é realizado em países que aumentaram seus indicadores educacionais como Austrália, Canadá, Chile, Estados Unidos, França e Portugal, criou a Secretaria de Alfabetização passando a se orientar por evidências científicas e priorizando investimentos na educação básica diretamente nos estados e municípios para capacitar 1,5 milhão de professores que trabalham na rede pública de ensino, em escolas federais, estaduais ou municipais de professores do ensino fundamental e de jovens e adultos.
  • Assinou contrato com Telebras e pequenos provedores para levar internet a 12.000 escolas no programa Wi-Fi Brasil, inclusive em comunidades em estado de vulnerabilidade social.
  • Consegue a aprovação da reforma do ensino médio para tornar a escola mais alinhada às necessidades do mundo atual, preparar o jovem para viver em sociedade e enfrentar os desafios de um mercado de trabalho cada vez mais dinâmico.

Quatro ações do governo atual

  • Recompõe R$ 2,4 bilhões do orçamento do ensino superior e reduz 34% o orçamento do Ensino Básico.
  • Em seu primeiro ato, o ministro da Educação extinguiu a Secretaria da Alfabetização.
  • Mantém programa de conectividade nas escolas, mas sempre enfatizando para os perigos decorrentes como a exposição do aluno aos discursos de ódio e violência.
  • Suspende o cronograma de implantação do Novo Ensino Médio adiando sine die sua continuidade.

Agora é a sua vez de - isento de animosidade, crenças, tendências ideológicas, políticas ou religiosas - tirar suas próprias conclusões sobre a assertividade de duas propostas, praticamente opostas, para melhorar um problema crônico no Brasil, a má qualidade do sistema educacional, onde as exceções existentes apenas confirmam a regra.

Carta aos amigos e colegas de escola

Hoje, aguardando o resultado desta importante eleição, gostaria de compartilhar minha visão de como chegamos ao "clima tenso" que muitas vezes irrompeu entre nós, nossos familiares ou grupos de amigos.

Vou evitar a armadilha que, confesso, eu mesmo cai algumas vezes, de achar que quantidade de citações ou postagens mostraria a qualidade do argumento, que fatos pontuais poderiam ser generalizados.

Vou voltar para o meu sempre eficiente modus operandi tradicional. Quando preciso tomar decisões importantes procuro me afastar do calor dos debates, me distanciar para ter uma ampla visão do quadro macro e situá-lo no tempo, cronologicamente. E sempre que me refiro a tempo considero o longo prazo, tanto para o futuro quanto para o passado. Assim, consigo neutralizar o calor do momento e evitar que conclusões e respostas sejam influenciadas pelos fatores emocionais predominantes.

Há muito tempo, frequento o sistema educacional brasileiro, primeiro como aluno, do ensino fundamental ao doutorado e, desde 1988, frequento o meio acadêmico como professor, não só na Fundação Getulio Vargas como em várias outras instituições em todo o Brasil inclusive a USP onde fiz meu doutorado e ministrei disciplinas na FIA. E, por isso, creio ter uma boa visão do que aconteceu e está acontecendo com o sistema educacional brasileiro.

Vamos voltar a 1970, quando entramos na Poli, exatos seis anos após o início do regime militar instalado para conter o avanço do comunismo (ou o que queira chamar) no país. Nossas namoradas da época, algumas são esposas hoje, também entraram na USP na mesma época e, assim, conversando com elas e frequentando, não só almoçando nas outras faculdades, tínhamos uma boa visão do que acontecia na USP.

Há mais de 50 anos, a Poli era uma ilha de direita cercado por um mar vermelho na USP.

Em 1964, com o apoio maciço da população, os militares haviam conseguido conter o avanço territorial do comunismo, mas assim como os americanos no Vietnã, também demoraram muito para entender que ideologia não se combate no campo físico e perceber que a guerra já estava bem avançada em outro campo, a Educação.

Segundo o projeto para tomada do poder, o sistema educacional seria a espinha dorsal para a implantação do socialismo na América Latina..

Sim, o sistema educacional brasileiro começou a ser aparelhado em meados dos anos 50!  Portanto, já se passaram sete décadas.

Hoje, esse sistema educacional praticamente “irremovível e imutável”, já formou várias milhões de alunos e milhares de professores que se tornaram professores de outros professores e assim assegurando a sua perpetuidade.

As escolas são responsáveis por um processo chamado de ensino-aprendizagem. Quando o governo Dilma anunciou o slogan “Pátria educadora” tornando explícito o que até então era tácito, que

as escolas haviam deixado de ensinar para a passar a educar assumindo o papel de instituições que consideravam “falidas” como família ou religião.

E nas ementas de disciplinas que deveriam ser ensinadas foram introduzidos temas para educar os alunos desde sua infância repetindo até que se tornassem dogmas. Se esse método, aplicado por décadas, reduziu ou anulou a importância de valores tradicionais como laços familiares e religiões, por outro lado, fez com que uma parcela significativa da população brasileira se tornasse analfabeta funcional, isto é, que sabe ler e escrever, mas não consegue compreender textos simples sobre a sua própria profissão.

Este resultado é comprovado por números: 40% do ingressantes em algumas faculdades da cidade de São Paulo são analfabetos funcionais.

E, assim, foi sendo criada a massa de manobra necessária para a perpetuação do sistema de poder político que havia sido rejeitado pelo povo em 1964. Criou-se um sem número de pessoas que acredita em qualquer manchete ou notícia alinhada com o doutrinamento recebido sem conhecer ou se aprofundar no assunto, que evita ser confrontada com qualquer fato que desafie os dogmas introduzidos na escola, que decide pela emoção não pela razão e que chama quem se opuser de “gado”.

Em Outubro de 2002, assim que Lula foi eleito pela primeira vez presidente do Brasil, como especialista em Strategic Foresight (eficiente método para a construção de cenários futuros) fui consultado por colegas da GV sobre o que iria acontecer com a subida o Partido dos Trabalhadores ao poder.

Minha resposta rápida e direta surpreendeu alguns colegas mais imediatistas:

“Aguardem dez a quinze anos e vejam o estrago que será feito nesse país”.

Infelizmente, acertei na mosca.

Treze anos depois, após inúmeros escândalos como o do Mensalão e do Petrolão, o impeachment de uma presidente inepta foi inevitável, pois o país vivia a maior crise econômica de sua história.

Mesmo assim, o resiliente sistema educacional aparelhado continuou a se expandir expulsando qualquer um que pense ou tente algo diferente da cartilha ou não entre no “esquema”. isso vale tanto para ministros ou para um simples funcionário. 

Mas, se todos os rankings internacionais de educação em qualquer nível, ensino básico, médio ou superior mostram que o desempenho do Brasil é sofrível e é cada vez pior, mesmo aqueles ideologicamente alinhados com esses métodos já não deveriam ter percebido que não funcionou?

Um momento! O sistema educacional não funcionou para quem, cara pálida?

Se, para a nação o sistema educacional foi um desastre, para os que pretendem "tomar o poder, que é diferente de vencer eleições", o Ministério da Educação e Cultura, com raras exceções que validam a regra, tem feito um trabalho exemplar.

Sempre tendo como objetivo aumentar a massa de manobra, conseguiu universalizar do acesso ao ensino fundamental sem nada melhorar a péssima qualidade do ensino fundamental e aumentou consideravelmente o número de formados pelo ensino superior que, pela baixa qualidade dos egressos, resultou no descrédito das várias profissões, inclusive a nossa engenharia, levando à inadimplência milhões de estudantes que caíram no “171” do Fies e Prouni e não supriu a falta de profissionais de qualidade no mercado.  Mas, a massa de manobra continuou aumentando e ainda feliz por, mesmo que não tenha melhorado a sua empregabilidade ou salário, "pela primeira vez temos um membro da família com curso superior".

Qual o futuro de uma nação, em plena Era do Conhecimento, sem Educação de qualidade?

E aqui faço um mea culpa.

Seja por ingenuidade, incompetência, preguiça, descuido, falta de atenção ou consciência, de amor, por outras prioridades, compromissos ou problemas,

Nós, pais e avós, permitimos que nossos crianças e jovens fossem paulatinamente cooptados durante a vida escolar

por um grupo que covardemente se aproveitou da ingenuidade e da confiança cega que nossas crianças têm em seus tutores para doutriná-las tornando-os surdos aos conselhos de seus pais.

O resultado da eleição vai sair logo mais e os dois cenários futuros não são estimulantes.

Caso Bolsonaro seja eleito, ainda teremos um longo e árduo trabalho pela frente para começar a mudar o sistema educacional. Se cada um de nós começar a dar mais atenção aos seus filhos e netos, diariamente perguntando o que o professor ensinou naquele dia e avaliar se estão de acordo com o valores da família e, caso haja discrepância, levar o assunto para a coordenação da escola, já será um excelente começo. Mas, também é preciso saber que muitas pessoas, até algumas gerações, já estão séria e definitivamente "deformadas cognitivamente" e dificilmente irão readquirir o livre arbítrio cognitivo. Uma pena, mas é uma realidade que deve ser aceita para evitar esforços infrutíferos.

Caso Lula seja o vencedor no pleito de hoje não me peçam para, como em Outubro de 2002, dizer o que vai acontecer. Vocês não vão gostar de saber a resposta e eu não gostaria de acertar mais uma vez.

Um grande abraço a todos!

Do colega Miguel Sacramento

Carta aos mais jovens

Por que aqueles tios e amigos mais velhos que eram tão “bacanas” ficaram tão chatos?

Você está com saudade daquele tio tão "legal", mas que agora insiste em estragar os agradáveis e divertidos bate-papos em nossos grupos nas redes sociais? Será que ele não percebe que NÃO queremos falar sobre certos temas como religião e política?

Caros jovens,

Experiência não se transmite, se adquire ao longo da vida. E com a experiência, fatos novos para vocês podem ser antigos para os mais velhos. Diz o milenar provérbio chinês

“Os tolos nunca aprendem; os inteligentes aprendem com suas próprias experiências; os sábios aprendem com as experiências dos outros”.

Numa sociedade que, cada vez mais, vive intensamente o presente “como não houvesse amanhã”, as experiências do passado são, naturalmente, esquecidas ou minimizadas.

Mas, você se recorda de falar para seus pais ou avós “Como você sabia que isso ia acontecer? Você é uma bruxa?” só porque eles disseram exatamente o que iria acontecer e ... aconteceu?

Essa “premonição” é uma característica de pessoas experientes, que já viram aquilo acontecer e sabem que o desfecho, muito provavelmente, será o mesmo de outros casos semelhantes.

Por isso acertaram tantas vezes.

Mas, a experiência não nos faz olhar apenas para o passado. Muitos anos de vida mostraram que o mundo evoluiu continuamente e em velocidade cada vez maior, mas que a evolução ou involução sempre dependeu de decisões pessoais. Por isso existe tanta disparidade entre os países no mundo ou regiões em um país. Diferentes decisões, diferentes futuros.

O Brasil vive novamente o que aconteceu nos anos 50 e 60. Foram tempos inicialmente difíceis, mas necessários para impedir a implantação de um regime político que, posteriormente, se mostrou um fracasso em todos os países em que foi implantado. Graças ao apoio maciço da população isso não ocorreu em nosso país.

E, assim, seus pais e avós puderam estudar, escolher suas profissões, desenvolver suas carreiras, educar seus filhos, criar um patrimônio e dar um bom padrão de vida para a família.

Por sermos "bruxas" sabemos o que poderá acontecer já que estamos, novamente, frente à mesma decisão de 60 anos atrás:

Queremos para nossos jovens, filhos, netos, amigos, um país socialista onde todos devem ser submissos a um grupo superior que imporá rigidamente seus valores e princípios ? Ou um país onde todo cidadão poderá desenvolver sua vida de acordo com sua vontade, democraticamente respeitando os outros?

É, exatamente, isso que está em jogo nesta eleição. Nós, os chatos tios mais velhos, já vimos isso acontecer no Brasil e no exterior várias vezes e já vimos que a cartilha da esquerda continua a mesma, ou seja, sub-repticiamente:

  • Sempre evitar a divulgação de suas reais intenções (por exemplo, não apresentando um plano de governo)
  • Acusar o outro de seus próprios erros (por exemplo, dizendo que o outro é um mentiroso),
  • Criar notícias falsas que impressionem os mais simples (por exemplo, comprar imóveis com dinheiro vivo, pedofilia etc.) e repetir exaustivamente até que se tornem verdade,
  • Dominar as Forças Armadas ou o Judiciário, preferivelmente, ambos,
  • Criar meios para censurar as mídias e pessoas influentes sem permitir que sejam associados à censura,
  • Em nome da segurança "desarmar a sociedade",
  • Negar que apoie regimes autoritários e, principalmente,
  • Negar veementemente um passado sombrio.

Concordo que não devemos discutir religião. Por quê? Porque a religião que cada um professa irá afetar apenas a ela mesma.

Mas, discordo em "não discutir política". Por quê? Porque o voto de cada um irá afetar a todos.

Aqueles que não se sentem à vontade com o tema não precisam sair dos grupos, apenas leiam podendo aceitar ou discordar, mas sem necessariamente comentar. Mas, não se isolem, pois assim sua visão será cada vez mais limitada. Assim, mesmo sem tecer comentários em seus grupos, você teria uma visão mais ampla dos fatos, essencial para tomar uma decisão tão importante como a do próximo dia 30, que vai afetar a todos, inclusive o seu tio chato.

Resumindo, nos tornamos chatos exatamente para podermos continuar a ter nossos agradáveis e divertidos bate-papos.

Não nos prive de sua agradável companhia.

Com amor,

Do seu tio chato

A sutileza inicial de uma ditadura

Você aceitaria que um Ministério da Verdade, como em 1984 de Orwell, julgasse a veracidade do que você diz, dissesse o que poderia ou não ser dito até em suas conversas particulares e o punisse caso não obedecesse?

Qualquer cidadão normal repudiaria esse controle absurdo! Afinal, quem seriam os julgadores, esses seres superiores? Seriam isentos e cultos o suficiente para avaliar infinitos temas e manter a neutralidade em suas invasivas decisões?

Não por coincidência, ditaduras não impostas militarmente, mas implantadas, sempre começaram pelo cerceamento progressivo da liberdade de expressão.

Mas, como conseguem isso se todos nós somos contra um Ministério da Verdade?

É um processo indireto, subliminar, que cria fatos, situações, nomenclaturas, expressões, palavras que turvam a visão do cidadão impedindo a compreensão do que realmente está em andamento.

Note que, cada vez mais, nos deparamos com palavras até então desconhecidas que passam a ser usadas numa frequência cada vez maior até nos acostumarmos e incorporarmos em nosso vocabulário.

É o caso da substituição da insonsa expressão "emendas do relator" pela intrigante "orçamento secreto" ou do neologismo fake news.

Literalmente a tradução de "fake news" é "notícia falsa", portanto uma mentira, inverdade, perjúrio ou informação que está “faltando com a verdade”.

Como podem ver, existem inúmeras palavras, termos e expressões na língua portuguesa que poderiam ser usadas no lugar da expressão fake news que, brevemente, deverá ser mais um anglicismo passando a ser escrita “feiqui nius” e incorporada definitivamente ao nosso vocabulário.

A expressão fake news surgiu nos EUA e, impulsionada pelos fortes ventos das mídias, espalhou pelo mundo mais rapidamente que incêndio na Califórnia. E seu impacto nos usos e costumes dos diversos países abriu uma brecha muito perigosa.

Foi por acaso? Aparentemente, sim. Mas, se nos profundarmos um pouco mais no que está acontecendo, perceberemos que “o buraco é mais embaixo”.

Nenhuma população aceitaria, naturalmente, sem alguma resistência, a implantação de um Ministério da Verdade, afinal a nossa Carta Magna, a Constituição Brasileira é clara neste ponto:

Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.

E as leis vigentes já são eficientes e fartas para punir a prática de falsidade, perjúrio, mentira, fraude, inverdades, enganos e outras denominações para a falta com a verdade.

Como fazer uma sociedade aceitar sem resistência a imposição de um Ministério da Verdade e impor o pensamento ou intenção de um grupo específico definindo o que pode ser dito pela sociedade?

Aplicando uma variante mórbida da Janela de Overton:

O primeiro passo é substituir a palavra MENTIRA por um termo difuso, isto é, impreciso, indefinido, indistinto, obscuro, preferivelmente em outro idioma, para não ser facilmente entendido pela sociedade, como a expressão FAKE NEWS e criar mecanismos para combater esse novo inimigo da democracia.

Enfatizar que esses novos mecanismos nada têm a ver com o combate à falsidade, perjúrio, mentira, fraude, inverdades, enganos e outras denominações que remetam à palavra MENTIRA, pois já existem vários mecanismos eficientes para combatê-los na legislação vigente.

O segundo passo é criar comissões, como a CPI das Fake News ou da COVID19, onde um grupo de pessoas de formação desconhecida ou duvidosa, usando repetidamente a expressão FAKE NEWS passa a decidir o que é verdade e mentira em temas variados. Comissões, grupos de trabalho, ou CPIs têm duração relativamente curta, mas cumprem muito bem o papel de dissociar mentira de fake news e acostumar a sociedade à transferir para outros a responsabilidade de verificar a veracidade de uma informação ou notícia.

O terceiro e último passo é - sendo a eleição o alicerce da democracia representativa, onde a sociedade elege seus representantes, e tendo sido a sociedade gradativamente acostumada ao termo fake news e a transferir para outros a responsabilidade de verificar a veracidade de uma informação - incorporar esse poder em órgãos superiores ao Congresso Nacional, como o Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo Tribunal de Justiça, tirando a voz dos representantes eleitos pela sociedade.

E, assim, sem que a sociedade perceba, está criado o odioso Ministério da Verdade que passará a reger a vida de toda a sociedade e a conduzir a nação para o que a ele interessar.

Mensagem para a jovem sobrinha

Cara sobrinha, seus questionamentos e afirmações abordam temas importantes que, em tempos de pós-verdade, precisam ser analisados mais detalhadamente. Vamos lá:

“Bolsonaro não inventou o PIX”

Presidentes não “inventam” nada, apenas implementam. Assim como FHC não inventou o Plano Real, mas teve a coragem de implantar, mesmo contra a vontade do PT, e assim estancar a inflação galopante da época (chegou a 3.000% ao ano!) que destruía o poder aquisitivo da população, o atual presidente teve a coragem de enfrentar o sistema financeiro e implantar o PIX, também contra a vontade da dita esquerda, tirando dos bancos uma receita fácil de aproximadamente 20 bilhões de Reais por ano e devolver para o cidadão aumentando seu poder de compra.

“Bolsonaro nada fez pela Educação”

O desempenho escolar de nossos alunos, que vinha caindo lentamente há muito tempo, despencou durante a gestão petista como mostra esse gráfico.

Desde o regime militar, o MEC deixa claro seu viés de esquerda e pouco fez para impedir que muitas escolas se transformassem em "centros de formação" de militantes. O tempo usado para "fazer a cabeça" dos jovens foi tirado das diversas matérias e o resultado foi muito ruim.

Há dez anos, fiz, pessoalmente, uma pesquisa em universidades paulistanas que mostrou que 40% dos ingressantes no ensino superior eram analfabetos funcionais (dado posteriormente confirmado por um dos ministros da Educação de Dilma que foi sumariamente demitido após tornar público esse fato). E esta continua sendo a realidade da educação no Brasil. Sim, 40% mal sabem ler e vi, perplexo, faculdades ensinando regra de três simples no quarto semestre do curso de administração!

Frente à essa realidade, o atual governo criou o Programa Nacional de Alfabetização priorizando o projeto “Tempo para Aprender” que permite alfabetizar uma criança em menos de um ano, adotando apps educacionais, instalando Internet na rede pública, introduzindo disciplinas de raciocínio computacional no ensino básico e, seguindo o exemplo de Singapura, buscando a atualização prática, não teórica, dos professores da rede pública.

Para que tenha ideia do trabalho, o Brasil tem 179 mil escolas do ensino básico e 2,3 milhões de professores dos quais 200 mil já foram capacitados para atuar no projeto "Tempo de Atender".

Realmente, poucos conseguiriam ver o que tem sido feito pela educação no Brasil porque está sendo feito um trabalho de base (onde São Paulo, pela melhor qualidade do ensino, não é prioridade) gradativamente superando obstáculos criados pelo MEC e alterando o modo como as verbas destinadas à educação são distribuídas: 30% para os ensinos fundamental e médio (com mais de 47 milhões de alunos) e 70% para o ensino superior (com 4 milhões de alunos), exatamente o oposto do que é feito nos países que lideram o PISA que investem pesadamente no ensino básico enquanto o curso superior é pago pelo aluno.

Programas como o PROUNI ou o FIES serão úteis quando o ensino básico alimentar o ensino superior com alunos de bom nível e a imagem do ensino superior brasileiro for resgatada no mercado de trabalho.

Mudanças em educação produzem efeitos em 10, 15 anos, portanto é possível avaliar o resultado da gestão petista, mas não da gestão atual.  

Um relatório publicado, em 2020, pelo IMD World Competitiveness Center avaliando a competitividade de 64 nações, mostra que em educação o Brasil ocupava a 64ª posição. Isso é parte da herança da gestão petista.

“Nunca se desmatou tanto a floresta amazônica quanto no governo Bolsonaro”

Segundo o INPE, instituto responsável pelos índices, o desmatamento da Amazônia brasileira aumentou nos últimos 3 anos. Isso aparece nesse gráfico.

Para interpretar corretamente esse gráfico é preciso explicar que, em 2003, ao constatar o péssimo desempenho de seu governo neste ponto (muito pior do que os índices atuais), o presidente Lula passou a pressionar o INPE que, em 2004, mudou o modo de medir o desmatamento e, desde então, mesmo sem nenhuma ação relevante do Exército ou de órgãos responsáveis pelo controle do desmatamento da Amazônia, o índice passou a cair durante a gestão petista. Coincidentemente, assim que o atual presidente assumiu, o desmatamento passou a aumentar. Bolsonaro, não só criticou o INPE, como buscou um acordo com Elon Musk para usar a rede de satélites Starlink no monitoramento do desmatamento (e também levar a Internet para escolas em lugares longínquos da região), mas, alegando questões de soberania, o PSOL e o PT foram imediatamente contra. Devemos acreditar em coincidências?

“Bolsonaro abandonou a saúde”

Durante a gestão petista as verbas para a área da saúde (também para educação) foram sendo paulatinamente cortadas levando ao fechamento de 16 mil leitos no sistema de saúde. Enquanto isso, Lula criticava veementemente (procure na Internet) aqueles que diziam que o investimento em Copa do Mundo e Olímpiadas deveria ser direcionado para a Saúde na construção de hospitais (que fariam muita falta durante a pandemia).

O programa Mais Médicos, alardeado pela esquerda como uma obra-prima, na realidade era um sistema de transferência de dinheiro para Cuba, que usava profissionais cubanos (muitos com formação profissional questionável) enquanto seus familiares eram mantidos como reféns em Cuba sem poderem se mudar para o Brasil e recebiam apenas uma pequena parcela do valor pago pelo governo brasileiro ficando a maior parte com o governo cubano.

Resumindo, quase um trabalho escravo.

As infinitas controvérsias criadas durante a pandemia foram levantadas para desacreditar a classe médica, que ainda tinha grande poder de influência sobre a sociedade, e o presidente. A classe médica ficou claramente dividida, como manda a cartilha marxista, e qualquer tipo de medicamento que não fosse a vacina era imediatamente condenado. Com a classe médica desacreditada, a ideia de que só a vacina salvaria e a associação das mortes por COVID ao presidente teve rápida adesão numa sociedade binária.

Curiosamente, os especialistas estavam perplexos:

"Enquanto nós, especialistas, estamos cheios de dúvidas, a mídia, políticos e grande parte da sociedade estão cheios de certezas!"

O oportunismo da inconsequente posição que, sem nenhum conhecimento científico, exigia a compra imediata das vacinas contrastava com o que ocorria no resto mundo. Os países produtores das vacinas, mesmo que ainda experimentais, produziram em primeiro lugar para o mercado interno e só depois passaram a atender outros países.

Pela incerteza quanto aos resultados ou da ocorrência de eventuais efeitos colaterais, as cláusulas para venda eram leoninas e não foram aceitas por muitos países, inclusive o Brasil. Com o tempo, o Brasil tornou-se um dos países com maior número de pessoas vacinadas, mesmo que ainda não haja consenso sobre a verdadeira eficácia da vacina e de seus possíveis efeitos colaterais.

Todas as vacinas aplicadas no Brasil foram compradas com dinheiro do governo federal.

Curiosamente, para várias doenças existem vacinas e para todas elas também existem medicamentos para prevenção e tratamento. Só a COVID-19 fugiu a essa regra. Estudos mais recentes mostram que, em alguns grupos de pacientes, a hidroxicloroquina apresentou bons resultados contra a COVID-19 enquanto a Dinamarca não mais vacina pessoas com menos de 18 anos. Inovação é um processo de tentativa e erro e, por isso requer tempo, ponderação, conhecimento e bom senso, principalmente se está em jogo a saúde de uma nação.

O atual presidente pode não ser simpático para muitos, mas está muito longe de ser o que pintam.

Sei que me estendi, peço desculpas, mas achei importante.

Beijo do tio.

Mensagem para uma prima indecisa

Querida prima, entenda que esteja insatisfeita em alguns pontos com o atual governo, mas governar um país abrange muitas frentes.

É preciso considerar que, mesmo já enfrentando no primeiro mês de governo a tragédia em Mariana (com forte impacto no PIB e exportações), a maior pandemia dos tempos modernos, os lockdowns, a maior seca dos últimos 91 anos, a guerra Rússia e Ucrânia e tendo sido o presidente mais atacado (e impedido de trabalhar) em toda a história da República,

O atual presidente recebeu uma país quebrado, em recessão, moeda desvalorizada, desemprego recorde, sem infraestrutura, Nordeste sem água, máquina pública inchada e ineficiente, corrupção sistêmica, violência em níveis recorde, escolas públicas sem Internet, uma imagem péssima no exterior de onde recebeu grandes calotes dos amigos cubanos, nicaraguenses, venezuelanos, bolivianos ...

E está entregando o país com crescimento econômico superior ao da China (neste mês de Setembro), inflação inferior à americana (primeira vez na história), centenas de obras de infraestrutura importantes entregues (sem corrupção), Nordeste finalmente com água, moeda valorizada (contrariando tendência global), redução superior a 30% no número de homicídios (cerca de 20 mil vidas poupadas – apesar do armamento?!?), mais de 5 milhões de empregos criados (também contrariando tendência internacional), tornando o Brasil o sexto país mais informatizado do mundo e permitindo reduzir a máquina pública, sem mutretas no Minha casa Minha vida e Bolsa Família, o BNDES financiando o pequeno empreendedor e obras no Brasil (e passou a dar lucro), a Caixa Econômica voltou a cumprir sua função social (e passou a dar lucro), o mesmo ocorrendo com a maioria das deficitárias empresas estatais, várias escolas públicas em região distante com Internet (graças ao acordo com Elon Musk) e gozando de uma boa imagem no exterior (triplicou a participação do Brasil no comércio internacional) e sem calotes.

Tudo isso tendo que enfrentar, diariamente, todas as mídias e suas pós-verdades, o militante STF, boa parte do aparelhado judiciário, um congresso com o rabo preso e omisso, um MEC aparelhado, governadores inescrupulosos e uma sociedade majoritariamente inculta.

Mesmo com suas limitações pessoais, admiro a resiliência e coragem do atual presidente, e agradeço a Deus por ter permitido que esse demente enfrentasse o "sistema", sim só pode ser demente para ter a coragem que esse homem teve para comprar essa briga.

Nunca foi tão fácil votar como nessa eleição, pois Lula não tem (nunca teve) caráter e tampouco competência, os dois únicos componentes da confiança. Portanto, deve ser impedido, a qualquer custo, de assumir o controle da nação que levou quatro anos para ser reconstruída depois da passagem dos “furacões” Lula e Dilma.

E, outro modo fácil de decidir é perguntar: "qual candidato teme a Deus, respeita a família e combate a criminalidade?", todos pontos essenciais para conseguir meu voto. A escolha é simples. Não acha?

Eleições, pós-verdade e consequências de nosso voto

Vivemos no mundo da pós-verdade, segundo o dicionário Oxford “ambiente em que fatos objetivos têm menos influência para definir a opinião pública do que o apelo à emoção ou crenças pessoais”. Em outros termos: pós-verdade é quando a verdade perde o valor e a opinião pública não é mais guiada por fatos reais.

Nesta eleição, para evitar as armadilhas das narrativas da pós-verdade será preciso ser pragmático, isto é, prático, realista e objetivo. E, para isso, devem ser premissas para conversas, debates e afirmações:

  • O futuro será consequência de nossos atos, ações e omissões.
  • As eleições vão definir quem conduzirá o país nos próximos quatro anos.
  • A eleição será decidida entre Lula e Bolsonaro.
  • Deve-se confiar em quem demonstra caráter e competência.
  • A contextualização é imprescindível para interpretar corretamente os fatos.

Para decidir em quem confiar, quem ganhará o seu voto, será preciso despir-se de emoção e crenças de qualquer origem, religiosas, ideológicas, de grupos sociais específicos ou de interesses pessoais privilegiando a coletividade.

"Confiamos em quem demonstra caráter E competência"

Debates sobre o tema, para serem úteis e conclusivos deverão focar na escolha de em quem confiar, o que pragmaticamente significa descobrir qual dos dois candidatos, historicamente, mostrou melhor desempenho nos dois quesitos, caráter (avaliando se valores e firmeza moral pautaram a coerência das suas ações, procedimento e comportamento) e competência (avaliando os diferentes ambientes econômicos vividos e os resultados socioeconômicos alcançados ao final da gestão de cada um).

O grande exercício mental (tarefa duríssima!) será não se encantar com sedutoras narrativas (exaustivamente preparadas por marqueteiros) e ater-se aos fatos (informação sem emoção) usados em sua construção e a contextualização de quando esses fatos ocorreram. Só assim poderemos externar opiniões construídas a partir de informações baseadas em fatos reais que façam sentido e colaborem para que a verdade venha à tona.

Neste importante momento, será preciso desviar-se de inverdades veiculadas continuamente para que não sejam cobrados por seus filhos e netos como estão sendo os venezuelanos que tiveram que se mudar para o Brasil: "Estamos sofrendo as consequências das decisões políticas de nossos pais."

A generalização é a salvação dos canalhas

Após uma década e meia sob a gestão do governo responsável pelo maior caso de corrupção da história brasileira e mundial, o Petrolão, e pelo maior ataque à democracia brasileira, o Mensalão – governo que teve inúmeros ministros, presidentes de estatais, políticos e até o presidente da República presos por corrupção bilionária, comprovada pelos bilhões recuperados e devolvidos aos cofres públicos, pelos milhões encontrados em apartamento e por inúmeros escândalos em empresas públicas ou em seus fundos de pensão e que pouco ou nada deixou para o país além da piora dos indicadores econômicos, como recessão e alto desemprego, e nas áreas de educação, saúde, segurança e infraestrutura, todas sob sua responsabilidade – o país vem sendo conduzido por um governo que, mesmo enfrentando grandes obstáculos como a pandemia e oposição ferrenha do congresso, reduziu significativamente o desemprego, recuperou a economia e realizou várias obras nas áreas sob sua responsabilidade sem fazer uso da corrupção sistêmica implantada na gestão anterior.

Por essas vitórias, conquistadas arduamente, a sociedade deveria assistir perplexa às insistentes tentativas de integrantes do governo anterior e de boa parte da oposição de generalizar o comportamento criminoso anterior.

Ao invés de fazer um mea culpa e se desculpar por seus atos, a oposição ao atual governo tenta minimizar, torná-los aceitáveis, comuns, procurando desesperadamente algo que permita dizer que o atual governo TAMBÉM  é corrupto.

Atribuir à rachadinha – uma prática mesquinha e condenável, comum entre políticos, que teria sido feita pelo filho do presidente numa assembleia estadual em período anterior ao da gestão do atual presidente – o mesmo peso de um Mensalão que comprou o congresso nacional e enterrou a democracia ao calar os representantes do povo, para tentar dizer que o atual governo TAMBÉM é corrupto é forçar demais a barra.

Querer, a partir de uma gravação onde o nome do presidente é citado por pastores políticos que conversam sobre o direcionamento de verbas do ministério da Educação, dizer que o atual governo TAMBÉM é corrupto, e dar a isso o mesmo peso de um Petrolão que causou um rombo bilionário na maior empresa do país que acumulou sucessivos prejuízos sempre cobertos com o dinheiro dos impostos pagos pelo povo é forçar demais a barra.

Como contra fatos não há argumento, a estratégia da oposição é generalizar para salvar seus canalhas.

A oposição minimiza seus comprovados crimes e maximiza acusações, muitas vezes infundadas, contra integrantes do atual governo para tentar atingir a imagem do atual presidente. Insiste que corrupção é corrupção não interessando o valor envolvido, portanto "é (somos) tudo farinha do mesmo saco". Não se iluda, gostando ou não da figura do atual presidente, lembre-se

os canalhas estão fazendo de tudo para voltar ao poder.

O binarismo eleitoral

A sociedade brasileira lidera dois rankings antagônicos: tem a menor taxa de confiança entre pessoas e, ao mesmo tempo, tem as pessoas mais crédulas do mundo. É, portanto, uma sociedade que desconfia dos outros, mas que, sem checar a veracidade, acredita em qualquer manchete, estatística ou frase de efeito.

Inculta e com baixíssima capacidade de interpretar textos, é facilmente levada a acreditar que tudo tem apenas dois lados - o bom e o mau - e a ver quem discorda como um inimigo. Estabeleceu-se um raciocínio simplista onde só existem dois modos de se ver as coisas sendo campo fértil para fakenews.

Esse binarismo míope e raso, onde a “verdade” estará sempre nos extremos, está presente em qualquer assunto seja esporte, moda, tipo de alimentação, religião, profissões, preferência sexual, música e, é claro, na política onde o eterno “nós contra eles” transformou eleições em meros plebiscitos sem conteúdo.

As eleições paulistanas de 2020

O binarismo cega e entorpece a mente impedindo que análises simples cheguem à conclusões óbvias. O fato de ter chegado ao segundo turno, numa cidade da dimensão de São Paulo, um candidato que nunca trabalhou, que não respeita a constituição, que invade e destrói propriedades públicas e privadas, que age violentamente agredindo pessoas e lidera um movimento que nada fez de bom durante toda a sua existência, é a constatação dos efeitos deletérios causados pelo binarismo vigente.

Introduzido durante décadas em nossos jovens por parte significativa do sistema educacional brasileiro, este raciocínio binário transformou nossa sociedade em mera massa de manobra para políticos e organizações oportunistas e sem caráter que a insufla a favor ou contra este ou aquele, levando a debates pelas mídias sociais tão intensos quanto ridículos.

Não tente explicar, mostrar as consequências de uma eventual eleição de um baderneiro profissional para administrar uma cidade complexa, dinâmica e gigante como São Paulo, pois será chamado de retrógrado, fascista, explorador dos pobres ou simplesmente de idiota.

Independente do resultado, se este candidato vai vencer ou não no segundo turno, o estrago feito em algumas gerações já é evidente.

Pobre Brasil.

O binarismo vai derrotar o Brasil

A sociedade brasileira lidera dois rankings aparentemente antagônicos: tem a menor taxa de confiança entre pessoas e, ao mesmo tempo, as pessoas mais crédulas do mundo. É, portanto, uma sociedade que desconfia dos outros, mas que, sem checar a veracidade, acredita em qualquer manchete, estatística ou frase de efeito.

Inculta e com baixíssima capacidade de interpretar textos, é facilmente levada a acreditar que tudo tem apenas dois lados - o bom e o mau - e a ver quem discorda como um inimigo. Estabeleceu-se um raciocínio simplista onde só existem dois modos de se ver as coisas.

Esse binarismo míope e raso, onde a “verdade” estará sempre nos extremos, está presente em qualquer assunto seja esporte, moda, tipo de alimentação, religião, profissões, preferência sexual, música e, é claro, na política onde o eterno “nós contra eles” transformou eleições em meros plebiscitos sem conteúdo.

O Brasil e o Corona vírus

Hoje, a sociedade enfrenta uma séria crise na área da saúde e, como sempre, reage binariamente: Quarentena ou Voltar ao trabalho. De um lado, os que acreditam que quem quer quarentena é inconsequente e preguiçoso, um parasita; e do outro, quem quer a volta ao trabalho só pensa em dinheiro, não importando quantas mortes isso poderá causar.

Não vêm que, assim como as atividades econômicas, em algum momento, serão retomadas, a quarentena também vai terminar. O simplista binarismo vigente não permite pensar numa transição entre as duas situações.

A gravidade da crise gerada pelo COVID-19 exige uma sociedade unida, solidária e ... inteligente. Se o confinamento é muito importante para conter a inédita velocidade de propagação do vírus e evitar um colapso no sistema de saúde como ocorreu na Itália, o desabastecimento de itens essenciais como alimentos e medicamentos poderá matar tanto ou mais que o vírus. Portanto,

As áreas da Saúde e da Economia deverão, juntas, definir quando e como retomar as atividades econômicas para evitar que a parada econômica cause mais danos e mate mais do que o COVID-19.

Mas, infelizmente, o raciocínio binário vigente transformou nossa sociedade em mera massa de manobra para políticos e organizações oportunistas e sem caráter que a insufla a favor ou contra este ou aquele, levando a debates pelas mídias sociais tão intensos quanto ridículos.

“A Internet deu voz aos idiotas” Umberto Eco

O tempo é inexorável. Enquanto a sociedade pensa apenas no presente, o futuro está chegando e, sem planejamento para uma retomada gradativa e organizada das atividades econômicas, o futuro trará impactos severos para a economia e saúde. Mas, mesmo que entre o branco e o preto existam infinitos tons de cinza, o binarismo dominante a impede de pensar em outras soluções.

“Quem só olha para o passado, ou só vive o presente, colide com o futuro”

Pobre Brasil...

O Brasil e a crise do corona vírus

Desde a escassez de alimentos levar ao desenvolvimento da agricultura e a fadiga à invenção da roda, foi nas crises que a humanidade evoluiu.

Nos últimos 100 anos, o Brasil e o mundo enfrentaram grandes crises: o Crack da Bolsa de Nova York em 1929, a Segunda Grande Guerra de 1939 a 1945, as guerras da Coréia em 1950 e do Vietnã de 1955 a 1975, o fim do padrão-ouro em 1971, a grande alta do petróleo em 1973, crise no Oriente Médio em 1978 e 1980, a Segunda-feira Negra em 1987, o Efeito Tequila em 1994, a quebra das pontocom em 2000, o ataque às torres gêmeas em 2001, a crise do subprime em 2008 entre outras.

Por que países como Estados Unidos, Japão, Grã-Bretanha, Austrália, Nova Zelândia, Alemanha, Coréia do Sul, Estônia passaram por grandes crises e saíram delas mais fortes enquanto outros foram fortemente afetados impondo grandes danos à sociedade?

Entre vários pontos, nesses países bem-sucedidos em comum estavam a qualidade de suas lideranças associada à sociedade não acreditar em salvadores da pátria e tampouco que a recuperação seria um trabalho unicamente do líder escolhido para a nação.

Sabiam que “uma andorinha só não faz verão, que esse líder deveria estar bem assessorado para enfrentar os obstáculos que viriam e que a vitória seria de sua equipe e da sociedade, não do salvador da pátria eleito.

Cientes da falibilidade do ser humano, os cidadãos mantinham o foco e não conturbavam o ambiente nem desperdiçavam energia procurando culpados ou apontando falhas. Enquanto o governo trabalhava, cada cidadão dava a sua contribuição pessoal para ajudar a reerguer seu país. 

A população, sabiamente, “não bradava contra a escuridão” e cada cidadão dava a sua contribuição “acendendo uma luz” para ajudar a iluminá-la. Foi assim nos países bem-sucedidos em períodos pós-crise. Já nos países malsucedidos ocorreu exatamente o oposto.

Se, como diz o milenar provérbio chinês

  “Os tolos nunca aprendem, os inteligentes aprendem com suas experiências e os sábios com as experiências dos outros”, 

neste momento de inédita e profunda crise, caberá ao cidadão brasileiro escolher qual postura assumir, e arcar com as consequências de seus atos.

STF, Celso Daniel e 2a. Instância

O que qualquer cidadão normal acharia de um grupo de advogados que, por alguma filigrana jurídica, decide pela anulação de um processo de assassinato e exige que sejam colhidos novamente todos os depoimentos sabendo que as testemunhas do caso já haviam morrido?

Com certeza acharia que esse grupo ou é desinformado ou incompetente ou mal intencionado. Não haveria outra possibilidade, certo?

Pois, foi exatamente o que ocorreu no dia 16/12/2014 quando a 1a. turma do STF concedeu o Habeas Corpus para o acusado Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, e, “com a decisão, ficam anulados todos os atos processuais na ação penal contra Sérgio Gomes da Silva, em curso na 1ª Vara da Comarca de Itapecerica da Serra (SP), desde o interrogatório dos corréus José Edson da Silva e Rodolfo Rodrigues dos Santos Oliveira, ocorridos em dezembro de 2003.”

Mesmo tendo sido concedido pela 1a. turma do STF com votos de Marco Aurélio (que também era o relator) e Dias Toffoli, os outros integrantes do STF tinham a obrigação de se opor à decisão tão absurda quanto inexequível. 

Pois é basicamente esse grupo que está decidindo o futuro jurídico de nosso país. Vejam as composições muito semelhantes do STF em 2014 e a atual:

Este mesmo grupo vai decidir a prisão ou não de condenados em segunda instância, como o ex-presidente Lula. E o presidente do STF, Dias Toffoli, parecendo temer uma insurreição popular, lança “cortinas de fumaça”, como a sugestão de “prisão em 1a. instância para condenados por júri popular”:

Como o tribunal de júri ou júri popular só julga crimes dolosos contra a vida, os crimes do colarinho branco e de corrupção, mesmo que matem indiretamente milhares de pessoas, nunca serão julgados por esses júris e a prisão do condenado continuará sendo após trânsito em julgado, ou seja, apenas quando quiserem.

É sabido que pelos critérios utilizados para a composição dos júris populares, pelo baixo nível educacional da população e a qualidade duvidosa de muitos advogados, decisões de júris populares podem ser falhas sendo, frequentemente, questionadas em outras instâncias.

Já, pela alta capacitação dos membros de cortes superiores, suas decisões seriam menos falíveis e evitariam que injustiças sejam cometidas em instâncias inferiores. 

Mas, o presidente do STF propõe deixar a sociedade “se virar” e colocar o judiciário a disposição das “elites” brasileiras, dos que podem pagar fortunas para seus advogados.

Erroneamente, Toffoli foca no efeito que é a quantidade de instâncias e não na  causa raiz do problema que é a lentidão no trâmite de processos e a ineficiência do sistema judiciário que gera inúmeras revisões de sentença. Promover uma adequação do código penal, por exemplo, estabelecendo um tempo limite para conclusão de cada processo e penalização por atraso para os responsáveis pelo seu trâmite, mesmo que trabalhoso, atacaria a causa raiz e seria mais  objetivo e justo.

Ao considerar um júri popular mais “justo” que outros júris, Toffoli  afronta a inteligência da sociedade brasileira que exige justiça e celeridade, não seletividade para a impunidade. Infelizmente, considerando várias decisões pregressas desse grupo, como no caso Celso Daniel, nunca tivemos um STF com integrantes de tão baixo nível tomando decisões tão importantes para o futuro da nação. Que Deus olhe por nós!

Queda do PIB e os abutres de plantão

Algumas notícias de hoje sobre a queda de 0,2% do PIB brasileiro comparado com o trimestre anterior pecam por falta de conhecimento e/ou excesso de maldade.

Primeiro, porque como muitas atividades econômicas que compões o PIB são sazonais, a comparação correta seria com o mesmo trimestre do ano anterior. 

E, pelo IBGE, na comparação o primeiro trimestre de 2019 cresceu 0,5% contra igual período de 2018.

Em segundo lugar, porque não analisam com profundidade as causas do desempenho ter sido aquém do esperado. E só pode ser por maldade ou incompetência, pois nunca uma análise foi tão fácil. 

Neste trimestre, a indústria extrativista, particularmente a mineração, com peso relevante na economia, caiu quase 7%.

Isso mostra que a queda foi pontual e que existe um fato gerador: a tragédia de Brumadinho, ocorrida em janeiro deste ano, prejudicando seriamente o desempenho da Vale, a segunda maior empresa brasileira e com importante participação no PIB.

Mas, os abutres, sempre de plantão, querem creditar essa “queda” do PIB ao atual governo, com apenas cinco meses de mandato. Mas, por que fazem isso? 

Abutres se alimentam de restos, das sobras das lutas de outros. Incitam sorrateiramente a discórdia para poder continuar vivendo dos esforços de outros sem precisar trabalhar. Para os abutres sempre “quanto pior, melhor”.

Era uma vez um reino colorido

No Reino de Colorido todos eram felizes e muito orgulhosos de sua grande diversidade de cores. Brincalhões, faziam muitas piadas sobre suas diferentes cores, criavam apelidos, mas tudo sempre terminava em festa. Sua população, formada por grupos de pessoas de várias cores, vivia unida e feliz sob o lema “não interessa a cor, somos todos  iguais perante a lei”

Certa vez, um filho do rei achou que esse modo descontraído de falar sobre as diferenças não era “politicamente correto” e decidiu que os órgãos de comunicação do reino deveriam enfatizar as diferenças na vida de pessoas de diferentes cores. Seguindo sua visão o filho divulgou que, anualmente, 46 habitantes verdes e 4 azuis eram assassinados, comprovando que nem tudo eram flores e que ocorriam grandes injustiças no Reino de Colorido.

Ao ver esses números, a população do reino ficou chocada e uma parte uniu-se aos verdes e azuis fazendo grande alarde pedindo aos brados que “mesmo que sejamos todos iguais perante a lei, os verdes e os azuis precisam de leis para protegê-los”.

O rei, surpreendido com os números divulgados e com o pleito inédito dos verdes e azuis, foi procurar o Grande Sábio para que ajudasse a acabar com aquela violência insensata.

O Grande Sábio, com idade  avançada, mas grande bondade e sabedoria, disse ao rei  já saber daqueles números, que eram verdadeiros, mas que não deveriam ser sua prioridade.

O rei, surpreso com a insensibilidade de pessoa tão bondosa, sábia e culta, interrompeu o Grande Sábio:

- Como poderia ficar inerte frente à tamanha crueldade?

- Mas, de que o tamanho seria essa crueldade? - perguntou Grande Sábio.

- Como assim? São 50 pessoas assassinadas todos os anos! Isso é inaceitável! - bradou o rei.

Calmamente, o Grande Sábio convida o rei para ponderar sobre o problema:

- Veja, 50 pessoas foram assassinadas, mas bastaria uma única morte para que eu me sentisse revoltado, afinal a vida de um ser humano teria sido ceifada injustamente. 

Olhou para o rei que parecia confuso e continuou:

- Fico muito feliz em vê-lo tão incomodado com a perda dessas 50 vidas. E agora vou explicar porque não deveria priorizar apenas verdes e azuis, mesmo que os números sejam verdadeiros. O motivo é simples: os números apresentados contam apenas uma parte da história.

- Como assim? - respondeu atônito o rei.

- O que não é enfatizado é que todos os anos 575 pessoas de outras cores são assassinadas no Reino de Colorido, que somadas às verdes e azuis totalizam 625 mortes por ano. E essa deveria ser sua prioridade, afinal o rei deve governar para todos não para alguns. Certo?

-Mas é claro! Mas porque esconderam informação tão importante?

- A informação não foi escondida, foi ofuscada pelo alarde feito pelos verdes e azuis. Mas, o rei já deveria ter aprendido que as minorias são sempre mais barulhentas e eficazes, não é verdade?

- Sim, Mas isto não foi correto!

- Eles estão apenas tentando se proteger. Por que estariam errados? Por mostrar algo verdadeiro?

- Então o que devo fazer? - perguntou o rei ansioso.

- Sendo rei, deve garantir que todos sejam iguais perante a lei. - disse o Grande Sábio 

- Deve promover a união da população mostrando que são todos seres humanos e, por isso, as leis devem ser iguais para todos.

- Ah! Agradeça aos verdes e azuis por terem alertado sobre esse grave problema que afeta todo o Reino de Colorido e convide-os a unir esforços para combatê-lo.

E finalizou:

- Para seu reino voltar à normalidade peça para todas as mídias noticiarem homicídio, não mais “feminicídio” ou infanticídio ou outros. Afinal a lei vigente é igual para todos e já define os diferentes tipos de homicídios: simples, doloso, culposo, qualificado e privilegiado, válidos para todo cidadão independente de sua cor. Bastaria apenas cumpri-la.

O rei entendeu, agradeceu e voltou pensativo para seu palácio enquanto o Grande Sábio adormecia novamente.

Segurança alavanca a Economia

Dois projetos importantes deverão ser votados brevemente pelo Congresso, a Reforma da Previdência proposta pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e o projeto de lei Anticrime proposto pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro.

Muitos não percebem a estreita relação dos dois projetos com a necessária retomada do crescimento econômico que irá reduzir o desemprego, permitir investimentos em áreas essenciais e promover ganhos sociais. 

Enquanto a necessidade de uma reforma da Previdência já é aceita por todos, exceto por algumas poderosas minorias que não querem abrir mão de suas descabidas regalias, o projeto de lei Anticrime, essencial no combate à corrupção e para garantir a segurança da população brasileira, deve enfrentar obstáculos para sua aprovação.

Para convencer os congressistas de sua importância será preciso deixar claro em números como o projeto de lei Anticrime irá impactar na economia brasileira. Como diante de fatos não há argumento, só assim a resistência de alguns políticos diminuirá. E duas notícias recentes bastariam para dar uma boa noção do impacto da insegurança na atividade econômica:

Notícia 1

A Confederação Nacional do Transporte em sua revista mensal Transporte Atual no. 278 mostra o impacto da violência no modal rodoviário, responsável por 70% do transporte brasileiro.

  • 7% dos caminhoneiros já tiveram seus veículos roubados, pelo menos uma vez,  nos últimos dois anos.
  • 49,5% recusaram viagens por conta do risco de roubo/assalto.
  • 65,1% Consideram a profissão insegura e perigosa.
Isto mostra que nos últimos dois anos, praticamente, 1 em cada 10 caminhões de carga já foi roubado!

E, por isso, muitas seguradoras não fazem seguro de certas cargas em várias regiões do país, e o custo dessa insegurança é incluído no preço do frete que aumenta continuamente.

Trazer um contêiner com certos produtos de Hong Kong, China, para o porto de Santos, Brasil, a 20 mil quilômetros de distância, custa mil e quinhentos dólares. Já, subir este mesmo contêiner do porto de Santos para a cidade de São Paulo, a apenas 70 quilômetros, custa outros mil e quinhentos dólares.

Motivo dessa aberração: valor do seguro, da escolta, do uso de veículos especiais, da necessidade de monitoramento, rastreamento e outras precauções que terão seus valores incorporados ao preço desses produtos afetando a competitividade da cadeia produtiva e de abastecimento.

Notícia 2 

Em sua coluna no jornal MetroNews, Cláudio Humberto comenta pesquisa realizada em Abril pela Paraná Pesquisas que mostra que 51,2% dos brasileiros entrevistados não deixam de fazer nada por medo da violência.

MAS, isso significa que 48,8% dos entrevistados (praticamente a metade dos brasileiros) DEIXAM DE FAZER ALGUMA COISA, portanto DEIXAM DE MOVIMENTAR A ECONOMIA, por medo da violência.

A redução da demanda - seja por medo da violência ou pelos altos preços dos fretes decorrentes dos custos gerados pela insegurança - impacta fortemente na atividade econômica por reduzir empregos, aumentar a inflação e diminuir o poder aquisitivo da população criando um círculo vicioso que impede a continuidade da retomada da atividade econômica.

A aprovação do projeto de lei Anticrime será vital para que a retomada do crescimento econômico não se transforme em mais um voo de galinha.

Fundos partidário e eleitoral?

Concílio Vaticano II: A vocação do político é nobre e dignificante, pois é indispensável para o bom caminhar de um povo.  Com esta frase a Igreja alertava os políticos do nível de honestidade, transparência e devotamento ao bem público que seria exigido deles. 

Brasil, 2019 - O Partido Novo, financiado por colaboração voluntária de seus simpatizantes, propõe emenda para que partidos possam devolver para os cofres públicos valores recebidos dos bilionários fundos partidário e eleitoral

Atitude lógica, afinal as ideologias e propostas de cada partido deveriam ser financiadas por quem nelas acredita e, atualmente, o cidadão financia todos os partidos, inclusive aqueles que discorda frontalmente de seus princípios, ideologias, métodos e propostas.

Frente aos grandes déficits orçamentários do país, se aprovado o pleito do Partido Novo, essas verbas poderiam ser direcionadas para áreas mais importantes como Educação, Saúde ou Segurança.

Com valores, em 2018, de R$ 0,9 bilhão e R$1,7 bilhão respectivamente, os fundos partidário e eleitoral são a origem de grande parte dos problemas no nosso sistema político.

Foi a atratividade dessas verbas bilionárias que levou ao surgimento de dezenas de partidos sem nenhuma bandeira ideológica distinta, apenas ávidos por abocanhar a sua parte. E assim corrompeu-se a vocação do político, exaltada no Concílio Vaticano II sobrando apenas o interesse, a ganância.

Mas, a Câmara dos deputados, por 294 a 144, negou o pleito. Os partidos tradicionais de direita, centro ou esquerda, liderados pelo PT acompanhado por PR, PSD, PP, PSB, PRB, PSDB, DEM, PSL, PDT, MDB, SOLIDARIEDADE exigiram que esses valores, se devolvidos, fossem redistribuídos para os outros partidos e seus votos contra a emenda totalizaram  280 votos (95% dos votos contra).

O que podemos concluir:  A contagem final mostra que, independente da bandeira ideológica, apenas 30% dos deputados desta Câmara querem trabalhar para a sociedade enquanto 70% pretendem continuar a ser sustentados pela sociedade.

Se o cidadão brasileiro não cobrar do político que elegeu “um alto nível de honestidade, transparência e devotamento ao bem público” nada mudará nesse país e as consequências serão graves para todos nós.

Acompanhe no site da câmara os gastos de seu deputado https://www.camara.leg.br/transparencia/gastos-parlamentares  e exija explicações do que não entender ou achar descabido. Seja cidadão! Faça a sua parte.

Onde cada detento deveria cumprir sua pena?

Em seu excelente artigo publicado no Estadão “Análise: A Lava-Jato e a execução de penas”, André Giamberardino coloca a questão “Detentos são obrigados a cumprir pena na mesma cidade onde foram condenados? ” que leva à uma análise mais profunda do sistema prisional brasileiro, já que a decisão do local onde será cumprida a execução penal deveria seguir dois objetivos estabelecidos no artigo 1º da Lei de Execução Penal (LEP): “efetivar as disposições de sentença... e proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado”. Portanto, nenhum dos dois pressupõe a permanência no local da condenação.

Já a Regra nº. 59 das Regras de Mandela (Regras Mínimas das Nações Unidas para o Tratamento de Presos) diz que “os presos devem ser alocados, na medida do possível, em unidades prisionais próximas às suas casas ou ao local de sua reabilitação social”. E a LEP é explícita em permitir o cumprimento da pena em localidade diversa da condenação (art. 86) e em estabelecer obrigação de haver cadeias públicas em todas as comarcas, destinadas a presos provisórios, com o fim de resguardar a “permanência do preso em local próximo ao seu meio social e familiar” (art. 103).

O simples cumprimento da LEP e das Regras de Mandela, ambas já existentes, fazendo o condenado cumprir sua pena próximo à sua casa, além de ajudar na sua ressocialização, traria informações importantes para a gestão pública como:

  • Saber quais comarcas ou região geram mais criminosos;
  • Entender o que levou o cidadão para a criminalidade em cada comarca ou região;
  • Atacar a origem da criminalidade;
  • Alocar o custo do cumprimento da pena para a comarca do detento, que deveria ter sido responsável por sua educação e pela criação de oportunidade de trabalho;  
  • Dimensionar, alocar e auditar investimentos e despesas coibindo desvios e corrupção no uso de verbas.

E assim, atacando as causas do problema e não administrando seus efeitos, teríamos um sistema prisional mais justo com a sociedade, mais eficaz na ressocialização do detento e de custo menor que o atual perdulário e ineficiente sistema prisional brasileiro.

Brumadinho e FMEA

Como engenheiro sempre usei e como professor sempre recomendei para meus alunos uma velha ferramenta chamada FMEA, do Inglês Failure Mode and Effect Analysis e em Português Modo de Falha e Análise do Efeito.

Criada no final da década de 40 e aperfeiçoada continuamente, essa ferramenta classifica as possíveis falhas que um produto, processo ou projeto poderia apresentar e analisa suas consequências.

A metodologia é simples: listadas as possíveis falhas, atribui-se a cada uma delas uma nota para a Probabilidade de ocorrência, outra nota para a Severidade dos danos que causaria se ocorresse e outra nota para a eficiência do sistema de Detecção da falha antes que ocorra. 

Multiplicando-se as três notas Probabilidade X Severidade X Detecção cria-se um ranking do risco das possíveis falhas. No topo da lista estarão as falhas com maior chance de ocorrência, que causariam maiores danos e que a detecção seria improvável. Portanto, no topo da lista estão as falhas que deveriam ser prioritariamente evitadas, mesmo que exijam mudanças profundas no projeto, processo ou produto. 

Simples e eficiente, essa ferramenta utilizada há décadas ainda não foi substituída por nenhuma tecnologia moderna e deveria ser usada no projeto de qualquer barragem, principalmente em barragens por alteamento à montante, como Mariana e Brumadinho, pelas consequências nefastas de uma eventual falha.

Portanto, métodos e ferramentas para evitar as tragédias estavam disponíveis por ocasião do projeto dessas barragens e durante sua operação.  Saber porque não foram utilizados ou porque desconsideraram suas recomendações, ajudaria a entender se as tragédias foram decorrentes de incompetência ou ganância.

A Estranha Lógica do Aborto

É preciso despersonalizar a análise da liberação do aborto para ser realmente imparcial. Para isso, imagine uma relação consensual entre pessoas que você não conhece, deixe de lado ideologias, religiões, crenças, partidos, raça ou classe social e leia a história abaixo:

“Um homem e uma mulher, voluntária ou involuntariamente, concebem uma criança. Algum tempo depois, por algum motivo, um deles ou ambos decidem não querer mais essa criança.

Um juiz, seguindo a lei, convoca um médico que - mesmo tendo jurado solenemente nunca atentar contra a vida de um ser humano - ceifa a vida daquela criança que assiste, absolutamente indefesa, ao fim de sua breve existência.

E assim, o homem e a mulher  seguem suas vidas, aliviados, afinal agiram dentro da lei, pois foi o juiz quem decidiu e quem executou oficialmente o “trabalho” foi um médico. Tudo absolutamente legal.”

Você, como todos - homem, mulher, juiz e médico -  também concorda que a melhor solução neste caso seria tirar a vida do único personagem nesta história que não fez nada errado?