Feathers

@midnight07sd

Be able to talk to the three people I eat lunch with

Have a life?

I'd feel so much more confident about being social, taking chances, and do much better with change.

this internship would not be as hard as it is

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I’d get a lot more assignments done, and all of them on time.

Being more independent

Starting my own bakery.

I’d spend more time out of the house seeing and experiencing the world.

Have my book done

Breath

Anonymous asked:

oi, jonas! em que medida podemos diferenciar as problemáticas que surgem a partir da realidade do machismo com o "ser mulher" de uma experiência que efetivamente é da transgeneridade? não sei se ficou muito bem formulada a pergunta, mas são questionamentos que eu me coloco desde sempre: em que medida esses sentimentos são somente uma decorrência do fato de que é uma merda ser mulher na nossa sociedade e se, de fato, eles são eu me entendendo como trans? vai ser nisso que você coloca na prática?

Olá, anon! Na minha visão, não é possível pensar em uma experiência efetivamente transexual vivendo em um sistema patriarcal e machista como o nosso. A menos que você acredita que nascemos programados para odiarmos nosso corpo, o que eu considero ingênuo, todas as questões sociais nas quais estamos inseridos interferem na nossa compreensão do que nos faz trans e na construção do nosso eu. Não é só sobre machismo, mas gordofobia, racismo, lesbo/homofobia etc. Todas essas questões nos afetam, não estamos imunes disso e a transexualidade não está fora. Não existe machismo/racismo/lesbofobia/gordofobia e a transexualidade está do lado de fora ou ao lado. Ela está dentro. A grande questão, ao meu ver, é considerar a transexualidade a partir disso.  Por exemplo: odiar meus seios não está só relacionado ao fato de seios serem signos femininos, mas também pode estar relacionado ao fato de seios serem uma região extremamente objetificada do corpo feminino. “Querer ser homem” pode não ser apenas uma legítima vontade ou sentimento meu, que “nasceu” comigo, que vem do meu mais profundo âmago, mas também resultado de vários anos de opressão feminina, de privações, de limites, de traumas, de lesbofobia.  É pensar consigo: ok, desejo fazer essas modificações corporais, eu estou consciente de que eu também estou sendo influenciado pelo machismo e meu desejo de tirar os seios é também fruto da opressão feminina que vivemos? Ciente disso, eu ainda desejo tirá-los?Estar consciente desse sistema em que vivemos não necessariamente cancela seu desejo e direito de modificar seu corpo. O fato de vivemos em uma sociedade machista não te proibe de fazer suas alterações corporais. Saber disso apenas te coloca em uma situação em que você é mais responsável pela decisão que toma. Não é sobre se a existe uma experiência trans legítima e isenta, porque não existe, é sobre ainda querer fazer essas modificações sabendo que elas são fruto da misoginia. Você ainda desejaria tirar os seios se tivesse certeza que seu ódio em relação a eles é por conta de uma objetificação masculina? Eu me fiz a mesma pergunta.  A cirurgia foi a melhor coisa que fiz na vida. 4 anos depois e eu ainda acordo maravilhado.

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