Escolas públicas, fumaças que subiam, vidros quebrados e dois corpos em um banheiro. Talvez você não se lembre o quanto avassalador seus olhos eram. Em salas lotadas com pessoas vazias, você acertava no alvo das minhas pupilas, você conseguia fazer elas dilatarem, na medida em que nossas mentes se perdiam e nossos corações se encontravam. Eu passei por aquele verão todos os dias lembrando que ir pra escola não se tornava mais um peso, ou se fosse, eu aguentaria carregar, bom eu não sabia se você sentia o mesmo, mas depois de seus lábios prescreverem amor nos meus, eu descobri o que era saudade de verdade, eu ria enquanto eu deitava na cama em noites sozinhos no final de dezembro, lembro que ouvir seus áudios eram como doses de morfina para a dor que eu carregava, ler suas mensagens eram combustíveis diários que me incentivavam a continuar, antes eu estava perdido, mas naquele exato momento eu tinha encontrado o amor e você também, acho que ambos se encaixavam como sinônimos, eu realmente achava isso e bom era o que importava. Espaços aonde habitam amor dão a oportunidade para dores em brechas, o que seriamos de nós? Você se perguntava, enquanto julgavam eu e você como veneno, eu sabia que você era meu antídoto, eu sabia que nós eramos a cura. Eu, meu cérebro era dominado por seu sorriso, eu comecei a me amar mais, comecei a correr atrás dos meus sonhos, meus parentes me perguntavam o porquê eu estava tão feliz, bom comecei a perceber que talvez eu pudesse amar você até minhas feridas estancarem e que você séria meu antídoto para as próximas. Você, eu conhecia metade de você, e essa metade era sol, não conhecia a chuva, comecei a te ajudar em meio as suas tempestades, tentei decifrar cada olhar e sabia que se eu fizesse isso com precisão, poderia te ajudar, poderia te tirar desse devaneio que você me encaixava quando o final do dia não era mais o mesmo, você estava morando na chuva agora, eu tentei te mostrar que existia uma sombra, que era possível passarmos por essa, mas descobri que ser guarda-chuva pode danificar a si. Nós, eu me lembro de você nos últimos dias, não conseguia entender o porquê você não me olhava, eu queria te dizer que eu realmente não era perfeito, eu queria penetrar além daquele olhar que aonde meses atrás vivia com vida, agora se instalava a morte, e eu sabia que não estava sendo fácil, nosso redor era duro, eles nos chamava de loucos, mas podíamos ignorar isso e dar as costas, mas vi que isso te afetou, eu sai, te desejei o melhor e me culpei por se apaixonar também, acho que me perdi, talvez todas as noites sem suas mensagens, fossem dolorosas demais para eu aguentar, talvez nenhuma pessoa poderia suprir esse vazio que você me deixou, era como se todo espaço do mundo coubesse aqui, mas nenhum dia ruim se perpetua por uma eternidade, acreditei nisso. O tempo passou e quando eu finalmente percebi que cada um pode ser seu próprio antídoto em um mundo cruel, descobri que não havia mais espaço para Nós, e sim para o meu próprio Eu (em primeiro lugar).