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Bem vindos

@mam-arte

me perdi há tempos
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voejei

por vezes eu me reconstruí sem ninguém notar que já não era mais eu ali.

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deitada num chão de um quarto escuro qualquer pensando em como vou me recuperar dessa vez.

sem

ideia

de

para

onde

ir.

vou para lugar nenhum,

vou ficar aqui,

porque não tem problema ficar perdido e com medo às vezes,

a dor fere e estilhaça,

mas ensina e dá graça aos momentos bons e aos dias felizes.

dói agora, mas não é para sempre.

Erika Murito

Somos homens. E eu vou usar linguagem "de homem", p'ra tentar ficar mais claro. Ninguém nos apalpa no caminho do banheiro, na balada, puxa nosso cabelo ou nosso braço, ou sussurra "vagabundo" no pé do nosso ouvido apenas porque queremos mijar. Ninguém nos encoxa no metrô ou no ônibus, goza na nossa calça ou no nosso ombro, filma escondido a gola da camisa e publica em site pornô. Ninguém fotografa nossa bunda e envia por Whatsapp. Ninguém coloca câmera escondida p'ra filmar por baixo de nossas bermudas na rua. Ninguém pega foto do nosso pau ou vídeo gravado transando p'ra tirar onda com as amiguinhas de como nós somos gostosos e que vagabundos nós somos. Ninguém se vinga de fim de relacionamento expondo nossa intimidade na Internet, p'ra familiares, amigos, chefes. Nenhum taxista, por mais bêbado que estivesse, me levou p'ra um matagal em vez do destino que pedi. Nunca fui seguido na rua, voltando do trabalho, e temi coisa alguma senão perder o celular ou a carteira. Nenhuma mulher nojenta ficou se lambendo ou esfregando a mão enquanto eu atravesso a rua. Nenhum assaltante jamais enfiou a mão na minha calça ou tentou me beijar à força. Ninguém nunca me ameaçou a vida depois de uma bota. Ninguém nunca ameaçou meu emprego a troco de sexo. Nunca tive medo de circular de noite ou de dia e ser vítima de um estupro. Meu salário é oferecido de acordo à minha qualificação e estado do mercado. Só. Minha liberdade sexual é garantida pelos bagos que carrego, e, inclusive, quanto mais mulheres eu colecionar, mais foda eu sou. Ninguém espera que eu largue o trabalho e dedique minha vida a filhos, quando eles nascerem. Ninguém vai me chamar de puto se desejar tomar uma cerveja no fim do expediente. Ninguém vai criar qualquer conceito sobre mim senão baseado nas minhas reais atitudes. Então, fera, veja em quantos pontos supracitados você se enquadra e me conta como é bacana a vida sem essa violência indireta ou direta, como é simples viver assim. Lembra desse papo quando nomear "vitimismo", "mimimi", "falta de rola", "louça p'ra lavar", enfim, os clichês que a gente conhece bem. Não precisa pensar na desconhecida não: pensa na sua mãe, sua irmã, sua companheira, sua filha... Faz o mais forte exercício de empatia do mundo, que é se colocar no lugar delas, volta aqui e me chama de "feministo". Aguardo ansiosamente.

Um Amor essencial para esse post

Um tapa na cara desses

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reforjada

Você não me conhece por inteira, não está comigo 24 horas para saber como me sinto ou deixo de sentir. Somente eu sei como é que sou. Você não sabe diferenciar o sorriso sincero do forçado, não sabe nem mesmo notar quando minha voz sai tremida por conta do nó que há na minha garganta. Posso realmente estar feliz e sorrir durante 10% do meu dia, você pode tirar uma curta risada de mim, mas não vai desaparecer com meus demônios internos, que tomam parte dos outros 90% do meu dia.  Então, por favor, não julgue meus momentos. 

Astrid Calisto