Ao lembrar de você, especificamente hoje, me questionei o que poderíamos ter sido. O que seríamos sem essa dupla ferida exposta em ambos? O que seríamos sem essa barreira indefensável? O que seríamos se ambos tivessem mudado? O que seríamos se ambos tivessem aceitado o processo de amadurecimento? Ao fim de tantos questionamentos, a resposta é um simples e clichê: não sei.
Talvez tivéssemos sido algo além do que fomos. Talvez tivéssemos a coragem de expor as nossas feridas, e permitido que fossem tratadas. Talvez a gente tivesse se acolhido mutuamente e abraçado a maturação necessária para manter nós dois. Talvez. Talvez. O talvez não é resposta, e nem sinônimo de sim. E hoje, por mais que cada parte de quem hoje eu sou, tenha sentido a vontade absurda de encontrar com quem eu era ao te encontrar, eu sei que eu não poderia. Eu sei que a gente se perdeu demais, e eu nem posso dizer que foi tentando se encontrar. A gente se perdeu. O amor nos perdeu. Mas, eu te amo. E eu te amo no infinitivo. Você é uma daquelas pessoas que eu só sei amar, apesar de tudo. A gente não teve um talvez, e dói, porque eu gostaria que tivéssemos continuado a ser apenas certezas.
Desabou — estilhaços e segredos.





