Primeiramente, quero começar pedindo desculpas por tanta fragilidade e vulnerabilidade, que talvez sejam motivos pelos quais eu sempre me exponho tanto. Em teoria, não preciso me desculpar por isso, por ser quem eu sou, por sentir tanto, mas peço mesmo assim.
Senti que preciso colocar um fim nesse caos, nesse transtorno que carrego em meus versos, em minhas entrelinhas, nas referências. Preciso colocar ponto final no que me machuca: eu.
Reconheço que não sou tão experiente na vida, não viajei para tantos lugares quanto gostaria, não experimentei todas as comidas que tenho vontade e muito menos conheci todos os animais exóticos que admiro. Não pintei todas as paisagens que queria visitar, porque não visitei. Ainda não deu tempo de viver nada disso. Tem uma vida toda entalada na minha garganta, aquela que eu gostaria de viver.
Eu acredito que não vai dar tempo. Se depender de mim, não vai dar tempo, eu não tenho mais tempo. A exaustão que toma conta de mim é consumidora e avassaladora. É um fardo grande demais agora.
Mas meus dedos escrevem desastres significantes demais para serem ignorados. Eu não posso permitir que isso aconteça. Eu sou muito verdadeira no que sinto, no que falo e no que faço e, como tudo na vida, isso tem pontos positivos e negativos.
Todos nós machucamos alguém no percurso da vida, intencionalmente ou não. E eu não tive a intenção de machucar. Prefiro ser a única a sair machucada, sempre pensei mais nos outros do que em mim de qualquer forma. Acho que talvez seja esse o motivo de eu contar quantos corações eu partiria diante de uma escolha, e sempre escolher a opção menos destrutiva. Mesmo que destrua a mim mesma.
Isso é lindo, confesso. É poético, altruísta, nobre. Exceto pelo fato de que não, não é nada disso. É destrutivo, tóxico. É suicídio, de fato é.
Minha poesia está morta, porque agora eu vivo na pele.
Me desculpe mais uma vez.
Eu morri.



