Eu me devo desculpas
por todas as vezes
que fiquei em lugares
que não eram lar,
apenas casas.

Eu me devo desculpas
por todas as vezes
que fiquei em lugares
que não eram lar,
apenas casas.
Me disseram que eu pareço ser feita de poesia
e isso soa tão bonito,
apesar de ser trágico...
a minha poesia vem de uma alma
destroçada.
poesias
que são escritas nas mesas dos bares
do centro da cidade.
com a agressividade de um lobo faminto
sem dar a mínima
para os meus olhos tristes
eu me senti tão vazia
quanto um poeta na mesa do bar
derramando lágrimas de sangue,
murmurando
lamentos que vinham do fundo da alma.
o nó na garganta,
o choro reprimido
e a culpa .
o suor misturado com lágrimas,
um corpo quebrado
enquanto suas mãos quentes
calavam um grito
que não sei se seria capaz de expôr.
os olhos já estavam mortos
e o corpo...
bom,
eu não sei,
virei cinzas naquela noite.
Eu amo você,
sabe?
eu amo você,
mas não de uma forma egoísta.
Eu amo você
como eu nunca amei alguém.
Eu amo você
a ponto de deixar você ir.
Eu amo você
e não peço que fique e me escolha.
Eu amo você
e peço que escolha ser feliz.
Se me amar
te deixa feliz, fique!
se não,
por favor,
vá.
vá ser feliz!
O amor é estranho, não é?
um dia a gente acorda com a certeza
de que superamos
que está tudo bem.
aí logo em seguida a pessoa vem
de mansinho
como quem não quer nada
arrancando sorrisos bobos
gargalhadas gostosas
nos deixando apaixonados. de novo.
uma vez eu li que a gente não consegue amar
duas vezes
a mesma pessoa
das duas, uma:
ou eu nunca deixei de te amar
ou eu te amo de novo.
Eu não abri pra você somente o coração.
eu abri a alma,
eu abri partes de mim que ninguém mais sabia.
eu abri a parte que escondi por tanto tempo
dos meus amigos
da minha família
e até de mim.
com você,
eu fui 100%.
100% eu,
100% honesta.
eu deitei a cabeça no seu colo
naquele finalzinho de domingo caótico
quando corri pro seu abraço e me permiti ser frágil.
você me perguntou o que eu estava sentindo
e eu não quis esconder de você
porque eu realmente achei que você seria honesto comigo
mas depois de tanto tempo
você foi como todos os outros que eu conheci.
Eu desejo as suas mãos em meu corpo
para que juntos possamos escrever
as mais indecentes das poesias.
Eu fui em todos os bares da cidade
na esperança de te encontrar.
eu experimentei todos os porres,
tomei duas doses de solidão,
três de caos,
sete de você.
sete que é o número do mentiroso.
e foi isso que você foi pra mim,
um mentiroso.
ou um perfeito?
sete que é o número perfeito.
você foi a própria definição da palavra "perfeito".
perfeito demais que chega a ser uma mentira.
talvez eu esteja confusa
ou talvez eu só não queira crer
que caí tão fundo no meu próprio eu
a ponto de perder a melhor chance que já tive na vida;
que foi você...
Por que você me manda ir embora
mesmo quando eu estou disposta
a sempre ficar com você?
Nós fomos como as estações do ano.
o começo foi quente,
intenso,
ardente...
depois você foi me cultivando,
me ganhando aos poucos
e quando eu vi,
eu estava completamente
e perdidamente apaixonada por você.
você, somente você, me fez florescer.
Mas, então, em um dia qualquer,
você me perguntou qual era a minha estação preferida do ano...
Bom, eu respondi que era outono.
e o nosso fim foi como o outono,
as folhas caindo pelo chão representava o que restou de nós
depois que o fim chegou como uma ventania
que saí bagunçando
e tirando tudo do seu devido lugar.
estávamos destruídos feito um desastre natural,
não restou absolutamente nada de nós
ou sobre nós.
apenas versos presos feito um nó na garganta,
o nosso fim foi épico,
deveria ter saído nos noticiários,
nos jornais,
nos rádios.
Deveria ter panfletos espalhados por toda a cidade
avisando que a tempestade que estava prestes a cair,
vinha de um coração tão alheio e cheio de dor
que ninguém ousaria sair de casa.
E então foi aí que o céu escureceu.
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O desespero te afoga.
Acalme-se
e flutue.
O ano acabou e junto dele se foi a minha esperança.
Sabe? aquela esperança que vive em um lugar tão distante
e profundo
dentro de nós.
é quase imperceptível
diante de tamanha pequenez.
passei os últimos meses desejando baixinho
que eu fosse surpreendida
pelo doce e caloroso
abraço da morte.
Falar disso é um tanto quanto complexo
e doloroso.
raramente pessoas suicidas tem um apoio
ou recebem flores.
Agora eu estou sentada com um copo de whisky na mão,
com um cigarro entre os dedos,
com a outra eu estou segurando o celular
digitando esse texto que provavelmente ninguém vai ler.
afinal, é ano novo.
as pessoas estão curtindo.
ou se destruindo,
assim
como eu.
Ora, garoto
você acha que é especial?
olha ao seu redor,
todos nós somos um caos.
somos pequenos grãos que se perderam do bando,
aquela folhinha podre que caiu da planta que hoje floresce.
e nós, meu bem,
nós seguimos perdidos,
observando a planta em sua mais gloriosa forma.
a cobiçando de longe,
desejando aquilo que nunca vamos ter.
Eu sou as cinzas de um cigarro qualquer.
Eu ouvi dizer que a gente só sabe
que se curou de alguém
quando falamos dessa pessoa
e não choramos,
acontece que me perguntaram sobre você,
meus olhos pararam por alguns segundos,
meu peito doeu,
senti a garganta fechando
e pude sentir o tremor surgindo dentro de mim,
mas eu dei um sorriso melancólico
como quem pede silenciosamente:
"tira o dedo da minha ferida, por favor!"
e pensar que eu achava que tinha
me curado de você...
Você está dentro de mim
como um câncer perverso.
você me enfraquece,
me destrói lentamente
e não há nada que eu possa fazer.
eu só queria poder te arrancar de mim.
Olha nos meus olhos
e me diz se você percebe
como as galáxias seriam
insignificantes
diante deles
quando te vejo?
Dói,
te escrever dói,
acredite quando eu digo,
dói,
dói muito.
mas não há nada que eu possa fazer
além de escrever
e recitar
na esperança que
de onde estiver,
você vai escutar...
Te amar é como dançar na chuva
você era como uma tempestade,
eu sabia que eu podia pegar uma pneumonia,
mas a sensação de dançar na chuva
em meio a tempestade,
era boa demais
pra me privar disso...
e eu dancei,
dancei,
amei dançando
e hoje...
hoje encontro-me doente.