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Literally chaos

@literalmente-caos

@__jubs09
Naquela noite que você preencheu meu corpo

com a agressividade de um lobo faminto

sem dar a mínima

para os meus olhos tristes

eu me senti tão vazia

quanto um poeta na mesa do bar

derramando lágrimas de sangue,

murmurando

lamentos que vinham do fundo da alma.

o nó na garganta,

o choro reprimido

e a culpa .

o suor misturado com lágrimas,

um corpo quebrado

enquanto suas mãos quentes

calavam um grito

que não sei se seria capaz de expôr.

os olhos já estavam mortos

e o corpo...

bom,

eu não sei,

virei cinzas naquela noite.

Eu te observava cantarolar
como se estivesse perdido em seu próprio mundo,
volta e meia tu me olhava disfarçadamente
e desviava o olhar
tímido
com um sorriso de canto,
quase que implorando pra que eu tirasse
os meus olhos observadores de você,
mas era impossível,
porque de perto tu é tão lindo
como uma arte
que a gente passa
horas e horas
a fio observando
com o brilho nos olhos,
encantado
com tamanha beleza
e simplicidade.
eu me contentaria apenas em te olhar
e tu nem sabe.

O amor é estranho, não é?

um dia a gente acorda com a certeza

de que superamos

que está tudo bem.

aí logo em seguida a pessoa vem

de mansinho

como quem não quer nada

arrancando sorrisos bobos

gargalhadas gostosas

nos deixando apaixonados. de novo.

uma vez eu li que a gente não consegue amar

duas vezes

a mesma pessoa

das duas, uma:

ou eu nunca deixei de te amar

ou eu te amo de novo.

Eu não abri pra você somente o coração.

eu abri a alma,

eu abri partes de mim que ninguém mais sabia.

eu abri a parte que escondi por tanto tempo

dos meus amigos

da minha família

e até de mim.

com você,

eu fui 100%.

100% eu,

100% honesta.

eu deitei a cabeça no seu colo

naquele finalzinho de domingo caótico

quando corri pro seu abraço e me permiti ser frágil.

você me perguntou o que eu estava sentindo

e eu não quis esconder de você

porque eu realmente achei que você seria honesto comigo

mas depois de tanto tempo

você foi como todos os outros que eu conheci.

Eu fui em todos os bares da cidade

na esperança de te encontrar.

eu experimentei todos os porres,

tomei duas doses de solidão,

três de caos,

sete de você.

sete que é o número do mentiroso.

e foi isso que você foi pra mim,

um mentiroso.

ou um perfeito?

sete que é o número perfeito.

você foi a própria definição da palavra "perfeito".

perfeito demais que chega a ser uma mentira.

talvez eu esteja confusa

ou talvez eu só não queira crer

que caí tão fundo no meu próprio eu

a ponto de perder a melhor chance que já tive na vida;

que foi você...

Nós fomos como as estações do ano.

o começo foi quente,

intenso,

ardente...

depois você foi me cultivando,

me ganhando aos poucos

e quando eu vi,

eu estava completamente

e perdidamente apaixonada por você.

você, somente você, me fez florescer.

Mas, então, em um dia qualquer,

você me perguntou qual era a minha estação preferida do ano...

Bom, eu respondi que era outono.

e o nosso fim foi como o outono,

as folhas caindo pelo chão representava o que restou de nós

depois que o fim chegou como uma ventania

que saí bagunçando

e tirando tudo do seu devido lugar.

estávamos destruídos feito um desastre natural,

não restou absolutamente nada de nós

ou sobre nós.

apenas versos presos feito um nó na garganta,

o nosso fim foi épico,

deveria ter saído nos noticiários,

nos jornais,

nos rádios.

Deveria ter panfletos espalhados por toda a cidade

avisando que a tempestade que estava prestes a cair,

vinha de um coração tão alheio e cheio de dor

que ninguém ousaria sair de casa.

E então foi aí que o céu escureceu.

O ano acabou e junto dele se foi a minha esperança.

Sabe? aquela esperança que vive em um lugar tão distante

e profundo

dentro de nós.

é quase imperceptível

diante de tamanha pequenez.

passei os últimos meses desejando baixinho

que eu fosse surpreendida

pelo doce e caloroso

abraço da morte.

Falar disso é um tanto quanto complexo

e doloroso.

raramente pessoas suicidas tem um apoio

ou recebem flores.

Agora eu estou sentada com um copo de whisky na mão,

com um cigarro entre os dedos,

com a outra eu estou segurando o celular

digitando esse texto que provavelmente ninguém vai ler.

afinal, é ano novo.

as pessoas estão curtindo.

ou se destruindo,

assim

como eu.

Ora, garoto

você acha que é especial?

olha ao seu redor,

todos nós somos um caos.

somos pequenos grãos que se perderam do bando,

aquela folhinha podre que caiu da planta que hoje floresce.

e nós, meu bem,

nós seguimos perdidos,

observando a planta em sua mais gloriosa forma.

a cobiçando de longe,

desejando aquilo que nunca vamos ter.

Eu ouvi dizer que a gente só sabe

que se curou de alguém

quando falamos dessa pessoa

e não choramos,

acontece que me perguntaram sobre você,

meus olhos pararam por alguns segundos,

meu peito doeu,

senti a garganta fechando

e pude sentir o tremor surgindo dentro de mim,

mas eu dei um sorriso melancólico

como quem pede silenciosamente:

"tira o dedo da minha ferida, por favor!"

e pensar que eu achava que tinha

me curado de você...