Passei alguns dias longe de você. E acabei me desligando do mundo também, sem querer ou perceber. Me tranquei dentro de mim, só porque haviam memórias e rastros de você por toda minha alma. Eu me preocupava, queria de volta, me importava como nunca. Em momento algum, desejei diferente de que você esteja bem. E se cuidando o máximo possível. E que não estivesse triste, que deixasse essa parte pra mim, sabendo que eu não era tão forte assim pra aguentar. Mas eu fui. Eu aguentei. Eu passei os dias mais angustiantes da minha vida. Sentei no escuro durante quase todas as noites, porque o sono não vinha, e deitado, o ar parecia que também não. Não chorei nenhuma vez, eu prometi, você lembra? Mas doeu. E doeu muito. Doeu todos os dias, tardes, noites, qualquer que possa ser a forma que doesse, doeu. E eu aguentei tanto, tanto… e continuei aguentando. Queria poder te odiar, ia ficar mais fácil perceber que você não dava a mínima pra mim, que foi a pior coisa que poderia me acontecer, mas não foi. Foi, de tudo, o melhor. Se foi um erro, vai ser o que eu sempre tentarei cometer de novo, sem culpa ou remorso. Porque sei que eu existo em você. E que por mais que eu tentasse carregar todo o peso sozinho, tem uma parte em você. Uma parte que pensa em mim, e acredita que se afastar é melhor. Acha que eu tenho um futuro melhor sem você, e que talvez, você seja a barreira que impede que eu siga com minha vida. E talvez seja egoísmo meu nunca ter te dito que não era. Que você era a motivação diária, e na maioria dos dias, tudo que eu tinha. E eu não me importo com quantas vezes eu tentei encher meu coração com outra pessoa, ou minha cabeça com outros pensamentos mas você não deixou. E que sempre, pelo menos uma vez na semana, eu vou me desesperar e querer te ver de qualquer forma. Não sei com quantas futilidades você entope seus dias para não me procurar. Quantos pensamentos inúteis não te deixam perceber o quão especial você é. Mas sei que de forma alguma te culpo por nada. Não culpo a vida, ou a sorte por ter sido má, ou tamanho azar, nada. Foi o bastante para me mudar. Aliás, mudar não. Não mudei por você. Mas melhorei tanto, tanto, tanto… sou uma pessoa tão melhor só por você ter existido em meus dias. E ter me puxado lá do fundo com tanto carinho e sem julgamento algum. Me mostrado que meus dias não chegaram ao fim, mas à um começo incrível. E que todas as sombras que eu viam em mim eram luzes capazes de iluminar o mundo. Me mostrou que mesmo sofrendo a gente aprende a ser forte. E só somos derrotados quando não conseguimos mais sorrir. Mas me ensinou que ninguém se acostuma a ser sozinho, porque ela dói, machuca, aperta, destrói. Então, eu decidi isso, não vou te deixar sozinho. Vou tirar sua solidão como você arrancou de mim minha paz. E mostrar que sozinho a gente espera a morte, mas juntos, a vida apenas começa.
A culpa é mesmo das estrelas? (via inverbos)