Está noite parece que não passa, olho a tua fotografia, fecho os olhos, vejo-te na minha mente, tento pensar noutra coisa e o teu cheiro subtilmente aparece no ar, seguro a respiração e baixinho começo a ouvir a tua doce e tranquila voz, coloco os headphones, deixo o volume no máximo e de repente a música, aleatória, começa a descrever-te ou então sou que já estou a ficar maluco e mesmo no meio do barulho e do caos da minha mente só consigo pensar em ti. Abro os olhos, volto a respirar e uma lágrima caí inconsolável pelo rosto, o coração está calmo, como se quisesse parar, não quer mais sofrer, só isso.
Quando eu era miúdo, eu sonhava em encontrar uma miúda que fosse tudo para mim, cresci e o sonho aumentou, só espero que o sonho não termine comigo num lugar de autocarro aos 70 anos a chorar enquanto te vejo sair e saber que vais para a casa que quis ter contigo, com o marido que eu queria ser, com a família que eu sonhava construir.
Tu não compreendes, é difícil até para mim que sou eu quem sente, quem sofre, quem se auto-destrói, mas uma coisa eu te posso explicar, eu amo-te, não sei como nem porquê, mas quando te encontrei foi como se já te tivesse conhecido, talvez noutra altura, talvez eras tu naqueles meus sonhos de criança.
Todos nós dá-mos um pedaço de nós a quem passa pela nossa vida, mas o meu problema foi ter-te dado algo que me prendesse a ti, não te dei o meu coração, dei-te a minha alma, dei-me a ti. Amor é algo fascinante não é? Um dia estamos num canto a chorar e a fungar o nariz e no dia seguinte pensamos se lhe dá-mos uma rosa branca ou vermelha… Eu não sei o que tu tens que me enlouquece tanto.
Um dia estamos bem, a rir e a brincar e no dia seguinte somos dois estranhos… Eu tentei, do meu jeito mas tentei.
Eu só queria, uma vez na vida, ser o primeiro em alguma coisa, sentir o que é estar acima de tudo e todos na vida de alguém…
Se eu soubesse que tudo ia ficar bem no final, não me importaria com nada do que pudesse acontece agora. Mas é horrível passar um dia depois do outro sem ter certeza de nada. Chega até a dar medo do momento em que possa dar certo, porque o meu forte sempre foi dar errado… E se eu fizer errado no momento certo? Desculpe-me pela confusão… Nem eu mesmo me entendo.