Avatar

Kiara 1999

@jjkbaby7

O problema é que você se apaixonou pelas minhas flores, não pelas minhas raízes. Então, quando chegou o outono, você não soube o que fazer.

— Autor desconhecido.

Queria que em algum momento você me visse com os mesmos olhos que eu te vejo

Queria que por algum milagre, o sentimento batesse na sua porta com um sorriso no rosto, dizendo que chegou pra ficar

Queria que o som da minha voz fosse tão importante quanto a sua é para os meus dias escuros

Queria que nenhum dos planos fosse apenas brincadeira de duas crianças

Queria que São Paulo fosse mais próximo de Piracicaba

Queria que nossos gatos se cheirassem, mesmo sabendo que o milk odiaria a ideia

Queria que sua mãe costurasse bonequinhos pra mim, enquanto a minha faria coxinhas pra você comer de madrugada

Queria que o seu pai me contasse sobre as bandas de rock que ouvia na adolescência e o quanto gostava da vibe da época

Queria os nossos cachorros corressem no corredor de casa, mesmo sabendo que a sua cachorra cansaria no segundo seguinte

Queria que a palavra “queria” se transformasse em certeza, mesmo eu sempre mudando de lugar tudo o que tenho certeza

Eu não te mudaria de lugar

De qualquer forma, queria que no fim, virasse amor

Mas está tudo bem, se não virar amor, vira poesia.

Na dúvida entre viver e sofrer, eu escrevo

Escrevo o que sinto

E nem sempre o que a gente sente é bonito

E nem sempre faz sentido

Mas é um pedido de socorro mascarado de versos e estrofes

Gritos vazios finalizados com um doce ponto final

Sendo que fora do papel, o final nunca chega

E a dor nunca para

Escrever me cura

Ou me anestesia, por um tempo

Ainda não me decidi ao certo

Mas, vou continuar com a minha falsa sensação de cura

Porque escrever é tudo o que eu sei fazer

E me curar, está levando mais tempo do que achei que levaria.

Mas eu tentei de todas as formas te salvar de você mesmo

Apesar de, no fundo, não ter esperança em nada

Relembro o tempo todo, que isso foi uma das experiências que aprendi com você

Como nunca esperar nada das coisas

E especialmente, de ninguém, porque no fim a gente se decepciona

Logo, acabei me decepcionando com o seu final.

Onde, entre todas as pessoas no mundo, você deveria ser o meu herói

Minha força, sabedoria e proteção

Mas a história sempre foi ao contrário

Você era o vilão e eu precisava me proteger das suas escolhas

A força veio depois, quando eu já não suportava mais lutar

Me apeguei a algo que nunca existiu, me cobrei por erros que não cometi

Esquecer você foi uma das coisas mais difíceis que tive que fazer

E quando você voltou, não me permiti passar por isso de novo.

Foi aí que a sabedoria entrou.

De certa forma, obrigada por me fazer crescer e entender o que eu não posso ser

E de tanto ser comparada com você por todos esses anos, aprendi, do jeito mais doloroso possível

Que consigo ser o oposto.

Talvez você não chegue a ver quem eu pretendo me tornar um dia

Mas eu vi, você se tornar algo que eu nunca imaginei que veria.

Sinto muito por isso.

Quando você é quem cura, o que se torna a sua cura? As palavras são sempre fáceis de dizer, apenas da boca pra fora Mas a parte de seguir os próprios conselhos, isso sim é difícil Eu sou o porto-seguro, o pontinho de paz e calmaria, o cais no meio do caos Geralmente é o que escuto por aí Só que na prática, é o oposto Eu sou o meu próprio caos, não encontro paz e calmaria em lugar nenhum Muito menos o tal do “porto-seguro”, se é que isso existe Estou presa dentro da minha cabeça, correndo o mais rápido que consigo, talvez em busca da minha cura, não sei Mas qual seria ela? Paz? Amor? Vida? Ou morte? Confesso que não sei a resposta, e tenho medo de saber.