Na terra fértil do meu coração
Na terra fértil do meu coração
Só não brota amor
(De resto é bão)
Brota alegria,
brota sofrimento
(E tem dez pézin de paixão)
Nas nuvens no céu
Água pura e ventania
(Oiano aqui do chão)

Na terra fértil do meu coração
Só não brota amor
(De resto é bão)
Brota alegria,
brota sofrimento
(E tem dez pézin de paixão)
Nas nuvens no céu
Água pura e ventania
(Oiano aqui do chão)
Fernando Pessoa
Smile💜
Estou no meu fim
ou apenas no início
de mim
Estou no princípio
da vaga morte
de todo ímpio
Apenas lhe peço:
prossiga-me aqui,
valha os esforços que meço
de tudo, pois, que cri
desencarno hílare
se trazer-me a mente
que após meu partir
meus poemas virão à frente
desvaneço sorrindo
se póstumo à mim
deixares florindo
O porquê de que vim
Quero lhe ver toda de preto
Correndo em minha direção
E depois de um vagaroso abraço
Quero que me encare na boca
Com esse irresistível par de olhos
E me beije...
Até que não exista mais nada no universo
Além de nossas bocas juntas em perfeita sintonia.
E quando chegar a hora de dizer adeus
Quero ouvir o som do seu amor
Que nunca quer se despedir
Me encantando mais e mais
E me prendendo para sempre
Nesse nosso formoso sentir.
No suspense das idas e vindas
suspensas no meu paladar,
construo memórias tão lindas
e memoro a aurora do amar
Entre histórias e estórias
morre e vive o sensonauta,
na inconstante trajetória
na caçada do que falta
E consequência é causa
e a causa é o prazer
e não tem muita pausa
nem tempo a perder
E além dos poemas,
das músicas e dilemas,
sou apenas um amante frenético
jovial e emocionalmente antiético
No primeiro choque de olhares
senti resvalar em minha íris
um rosto tão doce quanto mel,
traços tão celestes quanto o céu
No primeiro toque dos teus lábios nos meus
senti chover em minhas mágoas negras
corantes tão brilhantes quanto tua boca
que garoaram junto ao tiro à queima roupa
O qual me atirastes com tanta ternura
que até abriu-se a primavera
nas estações da minha vida
Ah, Quanta ventura!
O coração agitado exaspera
enquanto a dor ardente suicida.
E eu envolvi aquele rosto
Como se envolvesse
Amoras em noite de chuva
E saboreei aquela boca
Como se saboreasse
A própria felicidade no meio da rua
E eu olhei naqueles olhos
Como se fosse um poeta
Contemplando o brilho da lua
E não pude estar mais hílare
Como se fosse eu
O amor da vida tua
No meu mundo sentimental
Há sempre duas briguentas:
A dama Aparental
E a dona Essência:
Extrinsecus Amabilis
Intrinsecus Ineffabilis
Ou o céu é carmesim
Ou azul meia noite
Mas reza a prosopopia
Minha origem psykhé
Que a cor utopia
Me procura à mercê
Dentre púrpura e violeta
Se esconde a perfeição,
O cinza escuro na paleta
Aspira tua matização
Enquanto isso
Sem projetos nem vestígios
Sigo a estrada da vental
A deslumbrar-me a visual
O mais raro é o mais superno
O mais belo é o mais imo
O mais caro é o mais eterno
O mais anelo é o mais legítimo
E não há objeções
Desta trilha sou sequaz
Perpétuas Elucidações
Do amor platônico de Haz
Vida longa à poesia
que nasce no seio palavra,
sem poesia, quem diria
eu te amo a sua amada ?
Vida longa à liberdade
que nasce na verve do cansaço,
sem liberdade, na verdade
não há tempo nem espaço
Vida longa à utopia
que nasce na gana da alma,
sem utopia, que daria
sentido à esta fábula ?
Às vezes eu só queria ser
um velho sozinho na vida,
desfilando na quinta avenida,
sorrindo pro que há de melhor
Com uma série de rugas no rosto
Um cigarro no canto da boca
E um mar de saudades tuas
Ah! Minh'alma juventude,
fazer-me-ia feliz,
se teus planos fossem os meus
Ah! Minha amada utopia
Hoje recebi uma carta tua
Dizendo que todo meu destino
Fora fruto de um alicerce mal arquitetado
Em um sonho supernotado
Nada se cria, nada se perde...
tudo se liberta
e nesta bela história
tu és a Deusa
que sempre existira
e que nunca fez questão
de se transformar em nada
além de amor e saudade,
amor e saudade...
Nos diamantes do caminho
As vezes eu tropeço
E cantarola o passarinho:
Faz parte do processo
E nesta trilha de solitude
Cada dor é uma virtude,
Cada parada pra descansar
É mera sorte no azar
Ramo meu pensamento
Em vez de dá-los para si
Se tu me lês, também me li:
É alegria ou sofrimento?
Morri a viver
a morrer, vivi
no fim, te perdi
ao perder-me em mim.
Senti-me sem ti
e sem ti,não me senti.
Se fora daqui
mas não se fora de mim.
Deti-me de ti
e de mim, te deti,
pois enfim me assenti
a descobrir o teu fim.
Então, em meu leito,
deixei-te partir,
enquanto o meu peito
só se viu afligir.
Como estrelas no céu,
Seus suaves lábios vibraram
Ao passar do seu
Batom vermelho
E a Lua
Nunca esteve mais linda
Quando seus olhos
Encontraram os meus
Eu até poderia lhe dar
De rosas vermelhas, um buquê
Mas para quê ?
Se todo o jardim do meu coração já é seu.
Eu até poderia
Repetir, mil vezes que lhe amo
Mas seria pouco
Perto do que sinto por você
Eu até lhe pediria
Para viver ao lado seu
Mas não há do seu coração
Ser todo meu
Morena.
Eu sou Poesia
Letras, versos
Estrofes e linhas
Sou passiva rebeldia
O sol das noites
E a lua dos dias
Eu sou outono
Sou a brisa fria da manhã
Sou um rei em um trono
Sou um boneco de lã
Sou tudo e mais um pouco
Sou nada sobre nada
Sou a euforia de um louco
Sou as lágrimas de uma fada
Sou tempestade e primavera
Um rio sem direção
Sou o caos da Psicosfera
O amor na quinta dimensão
Sou chá de morango
Sou um violão
Sou dourado e castanho
Enfim, sou simplesmente
O meu coração .