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Vazio & Infinito

@explorador-do-infinito

Navego nos mares turbulentos da minha própria alma —H

Um Ponto Sem Nó

Eu ando escrevendo, muito.

Juro que eu penso.

Eu venho escrevendo linhas, parágrafos,

Tudo que dá!

Eu escrevo uma página, duas

Não sei, não consigo parar.

Me mexo para lá e para cá

Não dá, não consigo gostar!

Na minha mente há um esboço,

Contudo, é conciso, concreto, reto e direto ao ponto

Na ponta dos dedos eu faço garrancho,

Consigo nem achar a concordância verbal!

Venho me sentindo muito mal

Risco, rabisco, repenso assim:

Reescrevo linha por linha.

Em um espaço menor que um ponto tenho um acesso

Rasgo, arranco a página e começo tudo de novo.

NãotempapelnomundoquecaibaotamanhoqueeuqueroescreverapalavraDESCONTENTAMENTO

É que eu venho sendo insatisfeito com o jeito.

O meu jeito! O jeito que eu tenho me deixa insatisfeito.

É que de algum jeito, o meu jeito, ao qual sou insatisfeito

Tem deixado os outros insatisfeitos

De que jeito? De que maneira?

Se eu escrevo, leio e reescrevo

Logo, de que jeito ficaria insatisfeito com aquilo que apresento?

O que eu venho apresentando, já está na melhor versão!

Quantos mais calos vou ter que ter na mão

Para terminar de escrever a insatisfação e o descontentamento

Que eu tenho comigo mesmo?

Quanto mais tempo eu escrevo

Não acaba com a insatisfação e o descontentamento

Quanto tempo falta mesmo?

Para que? Para acabar comigo mesmo.

Tarde Quente no parque

Piquenique de criança,

Brincadeira, diversão e folia,

Lagoa, pipa e pipoca,

Passeio, ar livre.

Mãos trêmulas.

Risada de brincadeira, diversão e folia,

Sol, árvores e gente. Muita gente.

Balança o frasco. Toma um comprimido.

Ele me estende a mão, diz "foca"

Que é para ele ser o centro da minha atenção,

E é,

Ou é gente correndo, criança brincando se divertindo na folia?

Camuflo entre o banquete, entre as frutas, pego mais um.

Que divertido, quanta risadaria

De quantas mais pessoas,

E quantas mais crianças, que correm,

Na brincadeira, ou na folia?

E focar nele, ele diz, eu foco.

Camuflo entre o banquete, me apego à mais um.

Lagoa, e sol e pipa e pipoca

Brincadeira, diversão e folia, mas muito perto

Correria, mas muito perto

Muita gente, mas mu...

E foco no que ele fala, ele está falando.

Engulo, consumo, mais um, mais outro.

Criança griatando, folia?

Gente, muita gente, que ri. De quem?

Lagoa, sol, pipa e pipoca, que tanto!

Que tanto é o que ele diz, o que diz?

Prestar atenção, presto. Presto?

Não tento esconder, pego, uso, engulo, consumo, tomo. Outro, mas é só o segundo, terceiro?

Advertência. Ele diz e você não faz, mas fez.

Ele diz que não pode fazer, não posso e faço, não fiz.

Ele diz, mas correm tão perto.

E brincam tão perto, e falam e riem, tão perto de mim. De mim?

Bola, pipa, pipoca, sol e lagoa.

E quem se importa se eu estou fazendo? Ele. Eles. Outros. Gente. Criança. Se olham eu tomo, eu viro o frasco, o pote, mais muitos, mais muitos consumo.

Ele já disse, não pode. Tenho que prestar atenção,

Deve ser algo fofo, comovente, afinal é porque me trouxe aqui. Por que me trouxe?

Tem gente que diz e sabe que fala, fala de mim

Criança correndo por cima, por dentro de mim

E caíram no lago? Machucaram com a bola, com a pipa e a pipoca?

O sol igualmente mortífero.

São vocês, são quem me matam.

E Foda-se a atenção, agora e ainda, depois de um só e de muitos outros, como ainda não fizera efeito? Eu viro e acaba. É a razão do meu fumo, do trago, da ingeção, da bebedeira, da insonia, da tortura, da automiltilação, da autosabotagem, do meu tão alto silêncio. Que não funcionam.

Ele diz e o meu humor é fervente,

Eu faço, embora contrário ao remédio, a droga, me irrito

Esbravejo e digo,

Então ele vai embora,

Gente olhando, logo fogem

Criança da folia divertida que deu origem a brincadeira, choram.

Acabou lago, pipoca, pipa, sol e bola

Acabou.

Começou a acabar, fim do dia.

A anestesia me deixa tão calminho.

—H.

Sinopse

A noite esvazia e agarra minha pele ao lençol,

Amarga a dor de chorar

No calor do momento, no silêncio pós festa

Sente a noite, para que vazio, sinta-se.

E diga que me amas pelo telefone,

Antes que acabe a energia.

Nos conhecemos numa overdose

Depois do sexo fatigado, nada dissemos um ao outro.

Tínhamos entre nós a distância de anos

E também de desencontros

Finjo, logo se torna verdade: juro que não te vi do outro lado da rua

Juro, uma vez segurei tuas mãos, mas ainda juro

Uma outra boca vem a mim e te apresenta,

A tua boca, essa sim já tinha beijado.

Minha vontade, quando me ligou pelo telefone:

Me faz rir, me faz virar a face que nunca sou eu.

E numa fala cansada, deixei de falar

E tudo que ia fazer, seguei

Eu choro, e é calado para que não me ouças.

Quero que volte a dizer, quero que volte então talvez eu diga

Chama-me, apague a luz, peça-me para te tocar

No meu quarto, sozinho, atendo a chamada de telefone

Cortam-se os fios no estouro de energias.

E você sai sem me amar.

—H.

Solidão

Lembra daquela vez que almoçou sozinho hoje?

Ou da vez que foi ao cinema por si só?

Não há nada de errado em viver sozinho,

Mas o problema é não gostar da própria companhia.

Eu bem sei que, apesar do temperamento quente, você é mal interpretado

Eu bem sei quantas vezes, na sua inquietude,

Deixou que se sentisse insignificante,

Deixou que qualquer outra palavra te soterrar,

Eles te pisotearam.

Eu, que sou você, muito bem sei quem você é

E muito bem sei do que você precisa.

Se eu pudesse mudar, para ser pra você,

Uma companhia boa o suficiente para mim

Já não seria só,

Contudo, já não teria mais a mim.

muito embora sejas toda minha alegria, não me alegra a aliança desta noite;

irrefletida foi por demais, precipitada, súbita, tal qual como o relâmpago que deixa de existir antes que

dizer possamos: Ei-lo! brilhou! Boa noite, meu querido. Que o hálito do estio amadureça este botão de

amor, porque ele possa numa flor transformar-se delicada, quando outra vez nos virmos.

Romeu & Julieta: Cena 2 Ato 2

O mundo

Crescemos;

Dentro de uma caixa pequena, com buracos para luz

Crescemos sendo grandes demais para a caixa

Pequenos demais para o mundo.

A enorme montanha se erguendo sob os nossos pés

Jamais nos deixou saber o que é poder,

Crescemos pequenos.

Dentro da bolha que crescemos,

Crescemos maiores que outros, deixamos crescer,

Crescemos em você, crescemos em cima de você

Crescemos uns dentro dos outros,

E mesmo que crescemos, ainda somos pequenos

Por que o resto, o mundo

Ainda é grande demais perto de nós.

Drying

Your face is blue

The bottom tears of yours, are lilac.

Your crimson lips gave up temptation

Or does your blood covered open wounds let you loathing?

Aren't you full of drinking green poison?

And aren't you sick of putting on black highlighter?

I don't mind your exaggerated laught,

I don't mind your beaten up hands

Though your white dust is the one thing keeping me so eerie

I would have burned the house

I would have ran away

But I'm gonna stay here, with your thorny accent

And your unfaithful rainbow shades.

Céus Inconcretos

Quando olhei para o céu pela última vez

Não desviei o olhar.

Mesmo que o último céu que eu visse

Fosse morno, acinzentado e triste,

Ou fosse ele um dia de sol

Onde os gigantes das nuvens se erguem,

Meu pudor ensolarado, minhas lágrimas que precipitam

Teria finalmente eu, numa noite estrelada

Numa mente intranquila,

Achado em mim, um céu que é mais bonito do que todos aqueles que vi,

Matizado nas palavras de uma poesia,

Decadente.

O Solstício

A grande bola de fogo no céu morreu.

A profecia da tua vida não mudou,

A primavera deveria chegar,

Em contrapartida, vem o frio.

Quando o brilho das estrelas, se provou ser maior que o brilho dos teus olhos

Soube, e você também sabia, que havia morrido.

Teus pais compraram o mais lindo arranjo de flores,

O cômodo todo florido de plástico,

E bem no centro da sala estava você, morta.

Deveríamos te deixar morrer em paz,

Deveríamos aceitar que partiu,

Mas deixamos todas as tuas feridas amostras

Num jardim de mentiras

Para que todos espalhassem suas lágrimas falsas pelo teu lugar.

Já não brotava raízes,

Os pássaros já não cantavam mais perto de ti,

Te rondavam os abutres, as corujas, os morcegos.

E todas as vezes que eu tentei te proteger, fui impedido.

A primavera não chega mais,

Você foi a primavera, e você está morta

O sol não amanheceu, ele também morreu

E agora,

Nem as pequenas coisas que me davam o menor dos sorrisos, dão

O meu rosto pálido continua imóvel e prestes a morrer.

—H.

Janela

Cansei de ficar sábados ao ver o sol se pôr,

E tem ficado escuro, porém não quero fecha-la

Único contato meu com o mundo lá fora.

Muitas felicitações aconteceram essa semana,

Embora não fui capaz de me alegrar.

Sabe que, não tenho mais prazer em fazer as coisas que antes costumava gostar de fazer?

Esse ano não está sendo ruim, o problema é que ainda não vi lado bom

A vida tem assumido um aspecto lânguido e desagradável

A cidade que costumava ser meu refúgio, virou um lugar hostil

Já não tenho mais aquela intimidade com as pessoas que tinha

Cada segundo na minha respiração profunda é desgostoso.

Olho pela janela,

Como é livre o canto dos pássaros,

É vivido esse odor dos pequenos incêndios,

Também há os jovens, aqueles que se divertem e aproveitam o ápice do momento

E eu, completamente insatisfeito.

Triste é o fim da vida humana.

—H.

Tornado

Planejamento do desastre,

Pensei que seria coerente me autosabotar,

Vê na orla, distante das brumas do mar,

O sol se põe e tudo se recolhe com ele,

Soam se os alarmes e o desespero humano,

Humanamente meu desespero próprio e egoísta.

Aproximasse o fim eminente,

Não mede esforço em temer, por isso os mesmos não o temem

O anúncio breve não possibilita o retorno,

Não que o mesmo importasse,

Mas naquele momento, sentiam-se completos

Completamente vazios.

Fecham-se os olhos, como se tivessem aceitado

E a rota de colisão, o lugar onde vim parar

Se aproxima desenfreadamente,

Senti um medo intenso porém rápido,

Se ouve uma explosão tão próxima que julgo ter sido em mim

Se perde a capacidade de sentir...

Se perde a capacidade...

Se perde...

31/12/1999 ás 23:59

—H.

Floração

Pegou fogo no jardim

Não há frutos em que se pague o preço da semente,

Sem antes beber do sangue,

Estancado sobre o lábio

Em derrame sobre a sombra, sobre a rosa

Incendeiam-se a si mesmos, o belo que valorizam, sem certeza do cultivo?

Não, desabrocha a última lágrima do lírio

Em repouso sobre um mar de cinzas

Cresce, vigoroso

Anseia o próximo fogo no jardim.

11/04/1988.

—H.

Autodestruição

Meu mundo entrou em guerra

Quando ponho a mão no peito,

Ouço as batidas, explosões.

Meu cérebro foi feito de refém,

A tortura da racionalidade

Entre o agir e o consentir,

Sempre que te olho e te vejo ir,

Meu mundo novamente entra em guerra.

Enquanto ainda resta o pensamento de desistir,

Outro eu, dentro de mim, me pede para seguir em frente

Fui derrubado pelo obsessão, seduzido pela automutilação

Arde o medo que invade e mesmo assim alimento a visão contorcida do não aconteceu

Quando imploro pela proximidade, a distância aumenta

Quando corro em tua direção, diverges

E ao menor dos teus atos, dificulta todos os meus planos de te fazer feliz.

Meu mundo entrou em guerra,

Estou suplicando por paz.

—H.

Meia Lua

Não vou dizer que és a razão do meu viver

Pois meu viver independe de só uma razão

Talvez, a razão do meu viver seja água

Ou comida, ou Deus, talvez o planeta terra

Embora não sejas a razão do meu viver

Vou afirmar enquanto eu viver,

Cheio de ilusão, qual estou certa de que irei me arrepender

Que neste instante, somente este

Dedico que uma das razões do meu viver, é você.

Por que? — Me perguntaria se soubesse

O meio que escolho me iludir

Tão amáveis olhos e sorriso que não esboça

Pintam o meu imaginário

O valer perene, enquanto a meus dias, que de nada valem

É ficar a vê-los.

Delírio, loucura, insanidade

Dias ruins que se foram com a felicidade.

A lua estava cheia quando escrevi

E quando me vejo no espelho,

Sou meio, metade, incompleto.

A lua, ainda que meia, trás as cheias do mar

Me transborda o brilho do luar

Alerta-se aos sois, nunca houvera noite tão clara

A fazer da escuridão meu dia.

—H

Finais infelizes

Coração é orgão estúpido, baixa imunidade

Vive enfermo de amor,

Costumo remedia-lo com ilusão,

A irrealidade das coisas é o que o trás maravilha

E até a coisa mais maravilhosa tem capacidade de matar.

No entanto, esse medicamento tem efeito contrário quando se trata do psicológico

Corrói, apodrece e enfim fode

Viciei

Agora injeto direto na veia,

Acho que meu coração parou de bombear sangue, agora ele o rejeita

Meu corpo, minha mente, vivem todos de ilusão

E não é pra ter dó não

Aposto que gostam disso, a dor é só efeito colateral minúsculo

Perto do prazer que é se permitir ser enganado

Acredito que acostuma, mesmo que ainda não tenha me acostumado.

Comecei a experimentar algo novo,

Boatos

Não só minha cabeça enlouqueceu,

A dos outros também,

De tudo que fui capaz de ouvir

Escolhi a resposta que não era verdadeira,

Pouco a pouco, a fantasia que eu criei

Dilacera o menor resquício de paixão descuidada de mente adolescente

Se bem que acho que usei demais,

Tenho transbordado,

Chorei na última noite, pretendo nessa chorar também

Aos poucos vou ficando mais vazio

Vazio é um espaço que a tristeza não mede esforços para ocupar

Das vezes que veio, sempre trouxe o amor

Acho que fiquei doente outra vez

Coração, há de existir órgão mais estúpido.

—H.

Céu Azul

Embora nunca houvesse céu tão azul quanto o de hoje

Ainda se houvesse, seria disperdício

Pensei que o amor se resumia a todas as fases da vida

E que, se recebesse tal conselho, ele seria.

Silenciei todas as vozes dentro de mim

Mas o céu, que era só o de hoje

Impedia a vontade de esquecer

Sei que estão felizes no lado de fora, sei que eu também poderia

Mas como pássaros que voam, vocês, voaram

E eu, como pássaro que já experimentou da tempestade, preferia a gaiola.

De todas as coisas mais bonitas, o céu se destacava

Insegurança minha não aproveitar

Insegurança minha não dizer o que devia

Talvez a mudança realmente chegasse, talvez houvesse perdão

É num dia como esse, de céu azul safira que é a cor dos teus olhos

Em que pode ser esquecido o erro, e, recomeçado aquele dia de céu azul em que terminou

Se há chance, é dia de céu azul, eu mesmo sabia

Nem um dia terá o céu tão azul quanto hoje

Azul é cor maligna, bela e depressiva; poética

Tenho me afogado em véus azuis muito mais profundos, muito menos liberto

Voa nesse céu azul, que um dia alcanço.

—H.