Viver nunca doeu tanto
respirar nunca pareceu tão sem sentido
as vezes sobrevivemos como dá
o clichê piloto automático
no fim, queremos ser salvos
de nós mesmos.
Reditalizar

Mais uma vez você foi a embora
Dessa vez foi diferente, silencioso.
[ Talvez não seja mais teu lugar,
Talvez eu não soube lhe amar. ]
Só não peça para voltar...
você olha pra mim procurando paz
mas esquece que eu tenho a fúria dos furacões selvagens.
Me confundo tanto com minhas ausências, sou muito pobre de mim.
entregue-se, não se pode viver com medo.
primeiro ato a primeira coisa que pensei (ou acho que pensei, porque não lembro, tava era bêbada) foi que a gente ia sair ileso. era só um beijo no pé dá porta. a língua na barriga. só abaixa as calças. sabe? trivial. nada demais. sorri enquanto me toca. eu fico entediada logo. era pra gente sorrir também quando deixasse pra lá. segundo ato a segunda coisa que pensei foi eu-não-acredito que você vai ter a pachorra de me direcionar com os olhos pra beira dum abismo onde você não vai me seguir. só pelo jogo de medir cada palavra que eu proferiria e se procurar meticulosamente no espaço entre cada letra. você nunca esteve ali tão fundo. ficou preso na borda da pele numa noite da qual eu só tenho flashbacks turvos. terceiro ato a terceira coisa que eu pensei foi que você não tinha o poder de partir meu coração. me irritar profundamente, sim. me decepcionar, aparentemente. mas não de me iludir com aquele jogo e depois me deitar na sarjeta debaixo do sereno. quarto ato você não ia me magoar me deixando onde nasci e cresci. meu lar: o não ser. o não entrar pra além de um beijo na sua porta. dois dedos pra dentro. dois dedos pra fora. você não ia me magoar no jogo pro qual eu lancei os dados. eu dei. não me foi tirado. você não ia tirar a minha dignidade ao me privar de ser uma coisa que eu me quis não sendo. eu saí na ponta dos pés ainda sem calcinha dizendo que voltava. eu não voltei, bem evidentemente. não tinha pra onde, a gente sabia. ou eu sabia que na volta cê não taria ali. nem hesitei. bati a porta sem raiva. te olhei sem honestidade. tentei prosseguir. quinto ato cê enrosca a perna na minha. canta baco. diz minha preta. eu enrosco a perna na sua. seguro na mão duma mina. não olho nos olhos porque sou dissimulada. o que sentou entre a gente não era o futuro. era tudo o que a gente sempre se soube antes do jogo me custar as barreiras. de pernas enroscadas eu sorrio pra ela. ce canta baco, diz minha preta, abraça uma mina branca e eu não me sinto rejeitada porque sequer estava tentando. sexto ato é outro lugar sem ser coração partido. no quarto a gente riu. na luz, a melanina não tem o mesmo encanto porque ela só brilha quando tá escuro. ou você só vê quando não tem mais ninguém olhando?
“Eu poderia ter gostado de alguém que curte os mesmos estilos que o meu, que fica me olhando todo dia com sorriso malicioso e que manda recadinhos num papel. Mas não, gostei de você, que é complicada com as pessoas, que tem opiniões contrárias as minhas, que prefere os animais, que tem o sonho de completar sua faculdade e sair viajando sozinha pelo mundo. E isso seria ruim? Muito pelo contrário. É isso que me fascina em você. O que é diferente que me agrada.”
— Rafael Lemos.
“E quando eu optar pelo silêncio como companhia, chegue mais perto e diga que me ama e precisa de mim. Eu vou negar um sorriso e tentar manter aquela habitual pose de “nada me abala”, mas por dentro estarei sendo a pessoa mais feliz desse mundo.”
— Giulia S.
“Ultimamente tenho me sentido estranha, é como se alguém estivesse vivendo a vida por mim e eu estivesse sentada observando de longe. Não sei se já se sentiu assim, como um telespectador da própria vida, onde você assiste do lado de dentro o que acontece por fora e não consegue tomar nenhuma decisão, mas é bombardeado com as emoções e obrigado a senti-las. Pode parecer estranho tudo isso e se você não entendeu, eu peço desculpas, mas esse texto não foi escrito pra você, pois só quem já se sentiu assim, vai compreender.”
— Caren B.
a ideia que criamos sobre as coisas é o que nos mantém vivos;
descobrir a verdade é o que nos mata.
Desvio o olhar, mas teus rastros invadem meu caminho tua presença cruza com a minha nas músicas, nos filmes, nas poesias. As linhas que nos ligam não são físicas e não importa a distância, eu te sinto.
Nanda Marques.