Você foi como a melhor xícara de café que já provei. Degustei cada gole inebriada com a sensação que me causava, despertando cada centímetro do meu ser. Sabia que uma hora chegaríamos ao fim, mas fui tola em acreditar que ao invés de cessar você transbordaria.
Cresci assistindo e lendo comédias românticas demais, fui drogada ao ponto de acreditar que no fim tudo acabaria bem, mas meu amor, até o fogo mais ardente uma hora se apaga. Fomos uma dose de vida em meio ao caos, em um mundo caótico cercado por dor e ódio, nós encontramos um ponto de paz. Gosto de pensar que aliviamos o tédio uma da outra por um tempo, exatamente como diz o Ryuk para o Light em Death Note, e sim, foi bom enquanto durou.
Perdão, queria acreditar que seria simples assim, que te diria adeus e seguiria minha vida como em um fim de anime idiota, mas não foi isso que aconteceu. Veja bem, aqui estou eu, estudando a teoria da relatividade só para poder encontrar uma maneira de voltar no tempo e te contemplar de novo. Estou aqui, tentando com todas as minhas forças tornar o tempo um círculo e não uma reta, quero que possamos voltar ao início, como a música do Coldplay. Por favor, apareça e me diga que o tempo é uma ilusão, que o fim não existe de verdade. Não posso acreditar que nossa história acabou pela metade, como um café que esfriou, uma vela que apagou ou um nó que foi desfeito.
Hoje tento colocar toda a minha fé no Akai Ito, o famoso fio vermelho invisível que une duas almas, estou tentando acreditar que não importa o que aconteça esse fio nunca se romperá e nós duas estaremos ligadas para sempre. Porque mais uma vez eu não posso acreditar que o nosso fim foi repentino, como o céu do Rio de Janeiro que começa a chover sem antes as trovoadas dizendo que vem aí uma tempestade ou como aquele pôr do sol lindo com seus tons escuros alaranjado que some antes mesmo de você conseguir se despedir. Eu queria que a gente fosse um filme daqueles bobos que nos fazem chorar e rir ao mesmo tempo, eu voltaria a gente do começo quantas vezes fosse possível até que finalmente entendessemos que o nosso fim não deve acontecer, que nascemos para ficar juntas.
Como legião urbana disse: anotei seu telefone num pedaço de papel e calculei seu ascendente no recibo de aluguel. Seu capricórnio no meu sagitário não era compatível, nosso fim astrologicamente já era previsível.
Estou procurando por todo canto qualquer mera notícia de que é possível voltar no tempo, eu voltaria e gravararia cada pinta sua, cada covinha. Voltaria naquele dia chuvoso que entrei correndo na cafeteria para não me molhar com a chuva e você ficou lá fora se energizando dela enquanto me chamava para dançar, até que fui. Eu voltaria até mil vidas por você. Suas cores únicas e fascinantes fariam inveja na paleta de Van Gogh e seu amarelo hoje faz falta nos meus dias cinzas.
Te enviei um email enquanto contemplava as estrelas no escuro da noite e as observava queimando deixando um brilho intenso no céu, te chamei pra conversar enquanto tomávamos uma xícara de café. O café esfriou. As luzes da cidade se apagaram. A gente também.
[Fomos embora uma da outra como quem não olha para trás, mas eu olhei meu amor, eu olhei.]