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Bem-vindo ao meu caos.

@deyvinho5-blog

Vincent van Gogh, Campo de Trigo com Corvos, 1890.

Assim, na América, quando o sol se põe, eu me sento no velho e arruinado cais do rio olhando os longos, longos céus acima de Nova Jersey, e consigo sentir toda aquela terra crua e rude se derramando numa única, inacreditável e elevada vastidão, até a costa oeste, e a estrada seguindo em frente, todas as pessoas sonhando naquela imensidão, e em Iowa eu sei que agora as crianças devem estar chorando na terra onde deixam as crianças chorar, e você não sabe que Deus é a Ursa Maior? A estrela do entardecer deve estar morrendo e irradiando sua pálida cintilância sobre a pradaria, reluzindo pela última vez antes da chegada da noite completa, que abençoa a terra, escurece todos os rios, recobre os picos e oculta a última praia, e ninguém, ninguém sabe o que vai acontecer a qualquer pessoa, além dos desamparados andrajos da velhice. Penso então em Dean Moriarty, penso no velho Dean Moriarty, o pai que jamais encontramos, penso em Dean Moriarty. Jack Kerouac, livro On The Road.

Não se incomode apenas para ser melhor do que seus contemporâneos ou predecessores. Tente ser melhor do que a si mesmo. William Faulkner

CABELOS  Cabelos! Quantas sensações ao vê-los!  Cabelos negros, do esplendor sombrio,  por onde corre o fluido vago e frio  dos brumosos e longos pesadelos...  Sonhos, mistérios, ansiedades, zelos,  tudo que lembra as convulsões de um rio passa na noite cálida, no estio  da noite tropical dos teus cabelos.  Passa através dos teus cabelos quentes, pela chama dos beijos inclementes,  das dolências fatais, da nostalgia...  Auréola negra, majestosa, ondeada,  alma de treva, densa e perfumada,  lânguida noite da melancolia! Cruz e Sousa