“Read, read, read. Never stop reading. And when you can’t read anymore, write.”
— James Baldwin
enxergamos o mundo a partir de como somos - isso não significa que, por exemplo, enxergamos o mundo um lugar ruim porque somos pessoas ruins, mas o enxergamos desta forma porque aprendemos, a partir das nossas experiências, a enxergá-lo assim. certa vez li um texto chamado "o mundo é um espelho", não lembro de que autoria, que dizia mais ou menos isso. o mundo é, de fato, um espelho, cada um enxerga no mundo um reflexo de si.
toda beleza e toda dor que enxergamos no mundo nada mais é do que um reflexo de quem somos, do nosso passado e presente. é como se cada um enxergasse o mundo através de uma lente única, exclusivamente sua, o que faz com que as situações e coisas tenham pesos diferentes, cores diferentes, sabores diferentes.
cada ser humano é um mundo, cada ser humano constrói um mundo para si - não necessariamente de forma consciente.
é como se, de certa forma, cada um vivesse em um mundo próprio, fruto de determinadas experimentações, as quais nos fazem reagir de determinadas formas a determinados estímulos, a sentir determinadas coisas em determinadas circunstâncias, a focalizar em determinados assuntos, a compreender melhor determinados conceitos, a ser mais afetado por determinadas causas.
o mundo, em si, não possui significado próprio - não passamos de grandes atribuidores de significados. infinitas são as subjetivações que criamos.
cs. (univversos)
Você pode mentir para todos, exceto para si mesmo. E lembre-se, é preciso carregar as consequências daquilo que se faz.
um filme de terror.
corria o mais rápido possível, a protagonista.
os pés descalços, os cabelos rebeldes, o horror no rosto.
o caminho que antes sabia percorrer agora parece um labirinto diante da perseguição – que nunca acaba.
sem trilha sonora para abafar os gritos,
a respiração ofegante
ou o choro que estava próximo de vir.
de repente a noite parece estar mais escura do que o habitual,
mais vazia que o habitual,
mais insuportável que o habitual.
como Alice,
ela se joga no buraco que parece sem fim
– quem sabe assim não consegue ser salva?
mas a queda é extensa
e dolorosa,
no caminho esbarra por seus piores pensamentos,
cenários ruins e memórias que evitava lembrar.
caindo,
caindo,
caindo.
quando encontra o chão já está machucada demais
para voltar atrás,
mas ali estava quem tanto a procurava:
a ansiedade agora a carregava
e a matava em seu ápice,
sufocada.
por tudo que você me disse ou pelo o que eu achei que estava me dizendo quando talvez você não estivesse me dizendo nada. pelos seus olhos e pela maneira que eles observavam o mundo com tanta gentiliza e naturalidade. pela selva do seu coração ou a paz que você já transmitiu ao sussurar meu nome. por todas as músicas que eu dediquei e toda poesia em que eu já chorei ao despejar seu nome.
I am both wound and knife
Maria Nephele: A Poem in Two Voices, Odysseus Elytis ( @feral-ballad ) | Giuditta con la testa di Oloferne, Fede Galizia | Judith, August Riedel | Ideology, Aria Aber ( @cithaerons ) | Courage, Anxiety and Despair: Watching the Battle, James Sant | Vigil, Clementine von Radics
tem o momento antes da colisão do fiasco, da queda
é o momento que você ainda acredita que coisas grandes possam acontecer com você o momento antes do baque é sempre o momento maior o momento que você ainda se permite acreditar firmemente veemente
f i e l m e n t e perante algum tipo de salvação
aquela coisa que você ainda não sabe o nome ou sabor ou sabe tão bem e de cor que quer esquecer na mesma facilidade que aprendeu a mencionar o próprio nome em multidões lotadas ou em uma sala com uma só companhia
é tudo o que você não quer ou tudo quer tanto que não há saída a não ser esquecer
aquela coisa maior que você nunca tocou então você não sabe se um simples toque pode arder até queimar ou se ao ingerir pode te esfriar até congelar veja bem, você não sabe
e eu quis isso pra você, Daisy não só que fosse um certo tipo perigoso de salvação como quis ser pra você isso quando eu era a própria perdição
eu quis ser o momento maior que te acolhe e te salva mas veja bem por vezes eu faço escolhas certas e eu escolhi salvar a mim mas você também foi o momento alto os olhos marejados drogados se agarrando nas minhas crenças querendo salvação
mas isso não é amor, querida, não existe outra coisa longe desse amor que a gente idealiza e é um amor real em um caminho diferente e futuro, um amor que o toque aquece ao invés de queimar e um amor que derruba todas as paredes de gelo que a gente teima em não derrubar
e uma coisa que a eu-mais-imatura-jovem-boba não sabia é que escolhendo a mim mesma você também escolheria a si mesma você escolheria se salvar.
Acredito que um dia vou encontrar alguém que me faça acreditar no amor, se não encontrar, amarro um saco neste coração e guardo este amor que existe em mim, só pra mim.
- Garoto da Chuva.
Porquê você é tão dura com você se metade das suas feridas não foi você que provocou?
Tem dias que o simples ato de respirar, parece torturante, como se a cada movimento você estivesse destruindo planetas e galáxias inimagináveis, como se finalmente você tivesse entendido o propósito de tudo, e visto que o propósito de tudo é não haver propósito algum, você tem o vislumbre de estar sozinho no universo, a vontade de se rasgar, ao meio pra partilhar da própria companhia, parece tentadora… mas você não faz, não por impossibilidade física ou biológica, pois você entende que o cenário é psicológico e filosófico, sim por medo de que ate essa parte sua, vinda de você tal qual eva de sua costela, decida por escolha própria partir pra imensidão, quão intragável é a sua companhia.
-Atlas







