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DanyelBezerra

@danyelbe

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múltiplos fluxos de paz. múltiplos fluxos de paz. múltiplos fluxos de paz. múltiplos fluxos de paz.

ontem eu saí, cantaram belchior e tive que contar da vez que teu pai bebeu com ele, lá na década de 90. lembra daquele cara que tinha uma banda e depois deu para cheirar demais e contar histórias estranhas? pois é, ele tava na mesa e sempre que um carro passava, eu olhava ansiosa, pensava que podia ser você. mas nem aqui você tá e ninguém te convidou também e aparecer de surpresa nunca foi uma característica sua. há tempos não me reunia como ontem, senti tua falta. me perguntaram de você, do teu curso, como vai tua família. eu não faço ideia. hoje você é mais passado que presente, cê ainda usa xadrez ou só listrado? você terminou aquela série estupida sobre dois caras desempregados que moram em trailers? nunca mais soube de alguma notícia sua. só que você pintou seu quarto, ele tá azul. prefiro amarelo. as vezes, em algum lugar, toca músicas estridentes e aí, sem querer, lembro de você de novo. ou as vezes o vento invade tudo com teu cheiro, aquele cheiro bem característico que fica na linha onde o pescoço tá virando ombro, sabe. ali, nessa linha, o cheiro de ninguém é parecido. o teu é único e bom. 

meu bem, guarde uma frase pra mim dentro da sua canção, esconda um beijo pra mim entre as dobras do blusão, eu quero um gole de cerveja no seu copo.

Somos vulneráveis, apesar de querermos demonstrar o contrário. Foi aquele comentário que fizeram sobre você na infância. Foi aquela panelinha rindo de você no colégio. Foram os sussurros e olhares entre os colegas de trabalho no horário do almoço. E você foi se fechando, se fechando e se fechando. Até sentir que seus problemas/sentimentos não são dignos de atenção ou que se você falar sobre isso, será interpretado como melancólico e dramático. Hoje sente medo de falar sobre o que te aflige, tenta esquecer os traumas achando que eventualmente eles vão embora, mas é você chegar em casa, no seu quarto, embaixo das suas cobertas e todos aquelas lembranças te engolem até você finalmente dormir e acordar pra viver de novo, de novo e de novo, aquele mesmo dia. Quebre o ciclo. Fale sobre isso. Escute sua voz interior. Se não tiver com quem falar ou não quiser falar com outra pessoa. Escreva sobre isso. Cante a plenos pulmões seus sentimentos. Desenhe. Encontre a arte de maior afinidade e põe pra fora. Mas não se cale sobre isso. Você não deveria sentir culpa por ser quem é, deveria abraçar a suas particularidades, pois é isso que te faz singular, único e que te faz ter empatia pela dor de outro. Diria mais. Diria que é isso que te faz mais humano. São essas as pessoas que salvam umas as outras.