no caso de você precisar escutar/ler isso hoje:
- você não é um fracasso.
- você não é um caso perdido.
- você não precisa se machucar.
- você não precisa ter medo.
- você é necessário.
- você é amado.
- você não está sozinho.
- eu acredito em você.
João Paulo Ferreira. (via adverbio)
Eram 06:28;
A luz clareava minha face, o céu azul contrasteava os tons da estação murcha, os pássaros cantavam numa harmonia que não cabe dizer inescrupulosa. Em meu peito guardei as marcas de folhas secas que havia em mim, peguei o café e balancei a poeira das minhas roupas velhas. O cheiro de terra cintilava hodiernamente como um aroma suave. Este, ainda permanecia nas minhas vestes. Jamais irei esquecer-me do cheiro que penetra em minha alma toda vez que me acolhes timidamente num abraço sem jeito, numa essência de hortelã quando você sorri; num perfume de nós moscada nessa versão ensaiada que faço de mim.
“Deitei na mesma cama que já me serviu de abrigo em diversas noites de insônia por causa do amor, peguei os mesmos fones que já sussurraram lágrimas em meus ouvidos, mas, desta vez, não consegui ouvir sequer uma nota que me causasse ardor no coração. Pulei todas as faixas que traziam angústias, que falavam sobre desilusões, paixões rasgadas. Nenhuma delas conversava comigo. Nenhuma delas fazia mais algum sentido.
Depois de escalar uma avalanche de lembranças um tanto quanto escorregadias que, por vezes, me faziam voltar à estaca zero, cheguei ao topo do meu sentimentalismo para declarar independência. Tenho uma bandeira branca hasteada, neste momento, me declarando em paz. Sinto que consegui escapar de uma prisão de muros altos, grades tão espessas quanto prédios inteiros, mas que cumpri a minha sentença. Não tive sequer relaxamento da pena. Risquei nas paredes das emoções, todos os dias, uma contagem regressiva até que me esqueci de que precisava me lembrar de alguém.
Hoje, posso dizer não tão feliz assim, que: não amo mais ninguém. E, calma, já explico o “não tão feliz assim”. Não tenho saudades do passado. É que, infelizmente, quase todas as músicas falam de mais “alguém”. E, nossa, agora, neste momento, o meu “problema” é não ter um “você” para as minhas músicas favoritas.
Acho que depois de lutar para me reerguer, me tornei alguém mais difícil. Quer dizer, assim, me tornei alguém que seleciona melhor as guerras que vai travar. E isso inclui as pessoas com quem vou me envolver. Quem vou deixar se aproximar do meu coração. Entendi, espero que, de uma vez por todas, que preciso ter mais responsabilidade emocional comigo mesmo. Que não posso abrir o meu peito para qualquer sorriso bonito e perguntas vagas de “como foi o seu dia?” ou um “se cuida” aleatório. Eu mereço mais do que isso.
Hoje, sei que não preciso de um amor romântico para ser feliz. Sei que sobrevivo aos finais das histórias, sendo assim, desculpa, mas não consigo mais me permitir surfar ondas que me farão engolir água salgada de lágrimas. Quero sim, quero muito, ter um novo “você” para as minhas músicas favoritas. Mas… Não tenho pressa. Posso esperar o tempo que for, mas só mergulho em corações que tenham profundidade para suportar a minha intensidade.” (Matheus Rocha)
nem tudo que escrevo é real. escrevo a realidade de mim, mas também sou fã da ficção e crio sobre mim e sobre outros.
gosto do que é real, mas se fôssemos todos baseados em fatos reais seríamos ridículos.
bom mesmo é a ficção enquanto os melhores baseados em fatos reais ainda são ilícitos.





