Avatar

Cartas para Raul

@cartaspararaul-blog

Open-hearted written letter

I’ve been betraying you since the day we met. And I don’t really know how it happened, I just realized I wasn’t me in any of our moments, I would never have tried to kill myself for three times if this is a lie. I hate the current me so much I’d like him to never exist. I could not even imagine how he became real - if I could mention it as a real me. 

The process of aceptance was never a conclusion, but only a method to defend you and accept the way you live. I have just tried to be the perfect one to you. The one thing is that I never really accepted the idea to be fair and realistic to you. 

This could have happened because I want and love you so badly, I shall never tell you my deepest dreams and the things are always in my mind. 

I’m not this calm white board to be painted by your lifestyle. And I know (I really know) you never wanted that, not awareness, at least. But my fears never allowed me to take the risk. And now, I really want to be anything other than what I’ve been trying to be lately.

I hate my ordinary, scheduled, inopportunity job. I hate the food we cook at home, I hate the city we live and I hate even more to hate all this happy-ever-after lifestyle. Because it makes me feel sick about all what I have to be, but I’ll never become. Not by choose, so far. 

Everybody wants this happy ending story, even I love it. But this is not a fairytale what we live, it is just a part of an horror movie. A depressive, always waiting, horror movie. No plot, no climax, no turning incrideble moments.

This letter is not about you - please don’t blame yourself for all the things I’m writing. It’s all about me and the choices I did by myself to make you accept me. But never accessing. I’d love you to be my Gabs, but I just couldn’t do it. It’s not who I want you to see. It’s has never been the me who I wanted you to know. 

But we’ve been together for just three years and I feel myself like a bomb about to explode. A real bomb about to explode. Sometimes, I have this fast-feeling to run away and leave the fairytale behind. Because being a princess is not a choice to my life. Even I deeply wanted it (mechanical and not chemestryly, of course). 

Please, undestand me, honey. I could never let you behind for an unsure not happy future, but I really desire I become more than this just patetic home maid who lives to work and hate this so much, while you work with what you love and live for, besides supporting the house and my wishes. 

You pay for everything and you must feel extraordinary (or not) for that. Really, I am also a miserable guy to live on your back. That feeling makes me wish to run for anywhere everytime you say “I’m paying”.

BECAUSE I’M NEVER PAYING AN ASSHOLE PIZZA. NEITHER THE FUCKING GROCERY. Do you understand how humiliating this is for a guy who lived by himself for 4 fucking years? 

I really need to prove myself better than this ordinary guy I became three years earlier. And I don’t know where this process starts. 

“É a história mais antiga do mundo. Um dia, você tem 17 anos e está planejando o futuro. E então, sem você perceber, o futuro é hoje. E então, o futuro foi ontem. E assim é a sua vida. Passamos tanto tempo querendo, desejando, buscando. Mas sabe? Ambição é bom. Perseguir as coisas com integridade é bom. Sonhar… Se você tivesse um amigo que nunca mais fosse ver. O que você diria? Se pudesse fazer uma última coisa pra alguém que você ama. O que seria? Diga. Faça. Não espere. Nada dura pra sempre. Faça um pedido e guarde no seu coração. Qualquer coisa que você quiser, tudo o que você quiser. Fez? Ótimo. Agora acredite que pode se tornar realidade. Você nunca sabe de onde virá o próximo milagre. A próxima memória. O próximo sorriso, o próximo desejo que se tornará realidade. Mas se acreditar que está logo adiante e abrir seu coração e mente para a possibilidade, para a certeza, pode ser que consiga o que queira. O mundo está cheio de mágica. É só acreditar nela. Então, faça um pedido. Fez? Ótimo. Agora acredite nele. Com todo o seu coração.”

One Tree Hill.     (via poetavazio)

Super herói

O amor não foi feito para os fracos. Nem de longe. Não a toa os vilões nos atraem mais que heróis hoje em dia. Perdemos a empatia com estes, por não sermos mais capazes de reproduzir o amor que os protagonistas de feitos Homéricos repetem todos os dias. O amor já não existe, porque não sabemos mais lidar com os fardos que ele traz. Temos de entender que só os fortes podem amar. E só os mais fortes ainda conseguem amar a si próprios. O amor é uma pedra rara a ser minerada, lapidada e mantida em redoma de vidro, por fragilidade. Mas a pedra machuca como criptônita. Não destrói, mas fere gravemente, gradativamente. E amar é machucar-se toda hora, levar tombos seguidos, arranhões. Esfolar-se. Criar cascos, cicatrizar feridas e voltar a rasgar as mesmas cicatrizes. Um ciclo repetido em todo amar. Ninguém julgou ser fácil. Aliás, salvar o mundo todos os dias talvez seja mais tranquilo.

Loving is based on desappointments. And it's what makes love hard for every one. Just accept the idea and try to make it easier.

Gabriela, por Vinicius Pessoa

Podia ser Jorge Amado, mas sou eu mesmo. Humilde e com palavras que lembram um vocabulário qualquer, sem estilo. Você também não é nenhuma Gabriela de Jorge Amado. És a minha. Quem prova, a vida ser mais que essa casa efêmera onde moramos. Natural, assim como uma laranjeira dando laranjas, meu amor. Não poderia ser menos, Deus só ofereceu uma alma para me conhecer tão bem: a cem quilômetros de distância, duzentos às vezes. Conhece até quando não estou aqui. Gabriela é o jeito de Deus gostar de mim. Ele talvez seja até mais piedoso que justo comigo, é só pensar na quantidade de pessoas morrendo sem uma Gabriela. Gabriela, não a de Jorge Amado. A minha. Quem sabe mais de mim que qualquer um; usa as palavras certas a me fazer pensar em toda a vida, mesmo sem perceber. A Gabriela que cultiva a alma deste coração vagabundo, faz dele moradia - por mais difícil missão. Minha Gabi.

God knows how much I love this pic. Even knowing you didn't want to take it.

Avatar
ga-bi-to
Tenho passado tempo demais em casa, sozinho, sem brilho, desocupado, numa pequena crise, sem conseguir escrever nada, nada que preste pelo menos.

Gabito Nunes.   (via alentador)

Verdades de um domingo à noite

A quem veja, seja mais comédia, menos tragédia. Sem exagerar nas mesmises dos cotidianos.

cartaspararaul

Muitas pessoas pousam, muitos amores possíveis não vingam, muitas paixões não dão certo. Choro, me culpo, me arrependo, permito, desisto, persigo, corro, dou as costas, piso, sinto saudade, me precipito, telefono, me atraso. Sim, no mundo existem mil pessoas capazes de nos despertar amor, se a gente parar pra sentir.

Gabito Nunes.    (via poetavazio)

Como podes... sorrisos familiares a olhos estranhos? A vida são olhos abertos, nublados em lágrimas iludidas. Mas, há que arriscar-se.

A Crônica do homem de bengala

Há alguns dias pego o mesmo ônibus com um senhor. Cabelos brancos, maduro, de idade, matuto de imagem, manco de uma perna, acompanhado de bengala e olhos cintilantes. Estes, por sinal, me encaram com uma segurança, confiança e credibilidade inquestionáveis. Não faz sentido. Como de costume, sentei num banco do ônibus e comecei a encarar a janela pela minha viagem, quando sinto os olhos do velho no meu rosto. Viro. “O moço está bem? ”, perguntou, com real interesse. “Sim, perfeitamente bem. Obrigado! ”, respondi. Mas, a educação me obrigava ir a fundo, algo nada agradável no momento. “O senhor, como está? ”, devolvi, apenas por cordialidade. “Estou ótimo. Mas, parece não ter coisa de direito com o moço. Seu rosto é jovem, mas triste. Aconteceu algo? Parece nervoso! ”, disse. A última frase soou mais como uma pergunta, apesar da segurança que seus olhos ainda mantinham. Eu ainda tinha quinze minutos de ônibus com o senhor de cabelos brancos, aparência simpática e um interesse desproporcional pelo meu estado emocional. Resolvi: não havia nada a perder trocando algumas palavras sinceras com ele. “Vamos ver até onde olhos simpáticos toleram um relacionamento gay”, pensei. “Na verdade, estou preocupado”, comecei, quando de repente, a enxurrada de palavras desatou: “Sábado é aniversário do meu marido. Há meses planejo o presente dele, penso em datas, programas, eventos, jantares, tudo o que poderia ser perfeito para que o dia fosse excepcional. ” Os olhos não se mexeram e o interesse continuou, como se minha historieta estivesse apenas começando e fosse um best-seller do John Green. Continuei: “De alguns dias para cá, venho pensando muito nisso. Os planos e tudo o que eu gostaria de fazer tem tomado meu tempo livre. Não consigo me concentrar em muita coisa, para ser sincero. Também não decido o que fazer para ele”, o discurso fluiu sem interrupções. “Tenho medo de que não goste do presente, de ele achar brega, sabe?”, os olhos ainda brilhavam. O manco fez que sim com a cabeça, para eu continuar. “Planejei três festas surpresas, cinco eventos ao longo do dia e ele teve que viajar para outra cidade. Depois, tudo foi por água abaixo. Só me sobraram duas ou três horas de seu dia. O que alguém pode fazer em duas horas? Jantar num restaurante japonês ou comer pizza. Nada muito elaborado!”, confessei. “Isso, porque um dos filmes que mais quero ver estreia essa semana e um dos meus musicais favoritos está em cartaz. Seria incrível poder mostrar isso a ele. Mas, esses planos provavelmente também serão adiados por uma questão simples: trabalho.” Nossa viagem entrava nas últimas curvas quando o matuto começou a falar. “Sabe, jovem, não tem nada mais lindo que a ansiedade da adolescência, a preocupação desordenada dos primeiros anos e os amores afobados que a vida oferece! Infelizmente, tudo isso um dia passa. Fui casado 30 anos. Minha esposa e eu éramos extremamente felizes. Ela se matou ao fazer 50”. Sinceramente, não sei descrever minha cara naquele momento. Apesar disso, eu acho que já estou acostumado com suicídios para não ter constrangido o velhinho. “Depois dela, minha vida voltou-se a hospitais e remédios. Médicos chatos e uma rotina deselegante de aposentado do INSS. Mas, a Lucy me ensinou muita coisa bonita. Mulher letrada, dava aula e tudo. Veje, eu sou homem da fazenda, não tenho estudo. Ela foi quem me colocou no mundo e me fez crescer como gente de cidade”, confessou o senhorzinho. “Mas, eu só aprendi isso quando minha segunda esposa chegou. “, ele olhou para a muleta. “Não importa muito quais são as suas preocupações com o esposo, não, moço. Importante é fazer ele feliz – e aproveitar o sabor doce de morango que a juventude oferece! Ele vai saindo da boca com o passar do tempo”, lembrou, ao citar Clarice Lispector. Nessa hora, eu já era fã dele. “Veje bem, se você está realmente empenhado em fazê-lo feliz, faça isso todo dia. Num espera o aniversário chegar, não. A vida é curta demais pra gente celebrar ela uma vez por ano. Diga a ele que o ama todas as vezes que puder. Ame ele todos os dias. Seje feliz, porque isso importa mais que tudo o que o moço tentou preparar pra ele! ” O velho fez cara de quem não dava muita importância. “Agora, se ele não gostar também, tenho por certo que vai reconhecer o que você tentou fazer e já está muito feliz por saber que você o ama tanto! ”, finalizou, quando estávamos a um semáforo de distância do meu destino. Agradeci o conselho, desci do ônibus e descobri, em quinze minutos, que a vida é curta demais pra gente se preocupar com o que vai ser no futuro. E temos que lembrar Lulu Santos: “Vamos viver tudo o que há para viver. Vamos nos permitir! ” O velho também me ensinou que casamento é ser a muleta um do outro. Carregar o peso um do outro nas costas e apoiar-se, quando necessário. Casamento é o relacionamento mais bonito já visto. Você pode escolher com quem vai formar uma família a partir de agora. Um cenário lindo. Coisa de novela.

Conhecimento sempre foi um ponto de vista. Uma pena você não ter conhecido o meu, enquanto compartilhava inconsequentemente as tuas ideias sempre certas. Sinto muito.

Ele era um vazio sorriso iluminado. Nada  poderia libertá-lo de tanta falsa alegria travestida de uma simulação meio mal-feita do seu reflexo