Gosto de saber detalhes sobre você.
Quais são as histórias por trás das suas cicatrizes? Como você se sente? Como foi seu dia? Dormiu bem? Quais são as angústias que você carrega no peito? O que te machuca? Como você reage ao caos do mundo?
Fico fascinada com as mais simples trivialidades da sua vida. Por exemplo, sua tentativa de comer mais legumes, as novidades do seu emprego ou passar cinquenta minutos escutando sobre seu curso e seus trabalhos "chatos". Consciente que no fundo você ama e não trocaria essa chatice por nada.
Porém, evidentemente, eu não amo você.
Adoro até mesmo coisas que odeio em você. Principalmente quando você surge em minha casa sem ser convidado e me obriga a assistir seus filmes idiotas. Gosto da pipoca queimada e extremamente salgada que só você sabe fazer.
Tenho certo apreço por sua esquisitice com dias chuvosos. Mas o seu magnetismo por um céu estrelado, me encanta.
Tolero sua implicância com meu gosto musical. Suporto as suas brincadeiras bobas, que provocam o esgotamento do meu bom senso. Contudo, quando preciso que alguém escute minhas reclamações e angústias, você oferece sua compreensão, me transmitindo segurança.
Gosto da sensação de acolhimento que seus braços me proporcionam, gosto da bagunça que você faz na minha casa e no meu coração.
Gosto da sua forma descontraída de enxergar a vida.
Gosto da sua força para superar as adversidades.
Gosto desse sorriso que você insiste em carregar nos seus lábios, gosto de cada um dos seus defeitos.
Mas tenho convicção que eu não amo você.
Sinto que eu estou ficando repetitiva com essa história e instantaneamente lembro das suas palavras: "negar excessivamente que ama uma pessoa, pode significar que você ama ela".
Confesso que no momento não entendi, discordei e até questionei a origem desse seu conselho clichê.
Entretanto, hoje eu entendo e só escrevi para dizer que decididamente, eu não amo você.
Mary, Poetizei o silêncio