A vida não é só isso. Porque se a realidade se resume às tragédias que passa na televisão, eu prefiro sonhar acordada e criar um mundo onde não existem essas guerras de todos contra tudo. Se o amor se resume a essas frases clichês prontas em rodapé de livro de pré-adolescente, eu prefiro ser careta e acreditar que todo alguém nasceu pra outro alguém. O problema é que hoje tudo parece ter virado superficial demais, e quem vai fundo em algo é anormal, é louco, é lunático. Ninguém mais sabe esperar por nada: nem por amores, nem por dinheiro, nem por tempo. O mundo parece ter virado de cabeça pra baixo e a Terra mudou o seu eixo que mudou a gravidade que mudou a forma de pensar acerca da vida que mudou a vida. Mas a vida, eu juro, a vida não é só isso. Nós não estamos fadados a sermos infelizes para sempre, feito ferida aberta perambulando por esquinas estreitas e sombrias. Chega de acreditar que existem receitas de bolo prontas pra absolutamente tudo e que seguir um rumo diferente da multidão é loucura! A gente deve mesmo é se entregar e mergulhar de ponta cabeça no que bem entendermos - ou no que não sabemos nada a respeito, mas queremos descobrir. Isso aqui não é uma balança, onde o peso das causas e consequências podem se anular. Não existe mais, não existe menos. Ou existe tudo ou não existe nada. E eu prefiro me arriscar a cair do abismo do que morrer sem ter tido a experiência de voar. Porque se acomodar é uma das piores escolhas que podemos fazer. E aceitar de braços cruzados todos os baldes de merda que são despejados em cima de nós sem reverter a situação é falta de amor próprio. Eu não quero - e você também não deveria querer - viver cem anos e não ter pelo menos um dia inesquecível pra contar. Isso significaria não ter vivido. E a vida não é só isso.