Por que eu me submeti a tudo isso?
Eu sou uma só
Uma só
Uma só
Uma só
Uma só
Muitas vezes
Eu não queria morrer, só queria nunca ter existido
Não sei se fico feliz por saber
que algum dia minha memória naturalmente falha
Vai esquecer toda essa dor que eu tô sentindo
Pra poder te tirar de mim
É que tem algo como uma pedrinha no sapato
que mesmo pequena não tem como ignorar
Não dá pra relevar o incomodo de pensar
Que junto com toda a dor
Vou esquecer de como a cor dos seus olhos é linda
Do jeito que você parecia sorrir sem nem perceber
A maneira como suas mãos sempre arranjaram
Um caminho até o meu corpo
Temo esquecer você
Quero mais do que qualquer coisa nesse mundo
Eu aprendi muito com você
Aprendi como ferir alguém que nos ama
Apenas por não conseguir ama-la da mesma forma
Aprendi que o amor pode sim ser construído
Mas que infelizmente isso demora tempo suficiente
Para o amor alheio evaporar para outro recipiente
Aprendi que um amor não pode ser esquecido
Mas ele pode ser tão danificado e fragmentado
A ponto de se decompor em ressentimentos
Aprendi que realmente existe uma linha tênue
Que separa amor e ódio e que as vezes desequilibrados
Podemos cair cada um para um lado
Entretanto o mais importante foi, tu me ensinou
Que o que um dia foi amor pode tentar retornar,
Mas, lotados do nosso próprio amor, não terá lugar onde ficar
Eu era tempestade, antes de me tornar garoa
Eu era profundidade, antes de ser raso
Eu fui intensidade antes de me diminuir pra caber em teus complexos
E em meu ápice, hoje sou menos do que fingi ser
Há quem diga
Não haver mais belo sentimento
Proferindo a plenos pulmões
As belezas que comprimem o peito
Penso eu que tal esplendor não cabe a mim
Não por desmerecer o mesmo
Ou por não achar-me merecedora
Simplesmente por repelí-lo
Muito antes de ti
Eu havia me permitido
Estar livre para o mesmo
Achava-me protegida sobre tudo
Meu amor era à prova de balas
Estava em êxtase
Até lenta e dolorosamente despencar
Mas o tempo cura, não é mesmo?
Meu amor por você era à prova de balas
Porém eu estava ciente dos riscos
Nada iria acontecer, não novamente
Eu só não esperava que seria você quem atiraria em mim
Você disse que se apaixonou por mim
Muitas vezes
Eu ri, é claro
Como alguém se apaixonaria tantas vezes?
Eu ri, é claro
Você estava bêbado, outra vez
Enquanto conversava com outras pessoas
Então, eu ri, é claro
Não diga que se apaixonou
Muitas vezes
Por mim
Não
Você não sabe o que é uma paixão
Como ela abala suas estruturas
Como ela meche com suas entranhas
Como ela fode sua sanidade
Você não sabe o que é uma paixão
O êxtase que ela trás
O céu e o inferno,
No mesmo lugar, na mesma pessoa
Desejo que quando você descobrir,
Verdadeiramente e ardentemente,
O que é tudo isso, todo esse universo caótico,
Você não esteja anestesiado pelo mundo
Como eu estou...
Outra vez...
Não sei mais
Se é apenas o medo de me envolver
Ou o fato de que
Eu já esteja exausta das suas desculpas,
Dos seus motivos principalmente,
Me doía cada vez, cada preocupação
Como também o modo,
Você nunca se desculpou realmente,
Era como falas obrigatorias
Em uma peça teatral repetida,
Da qual eu já assisti,
Vezes o suficiente para mim
Gabito Nunes. (via construindoversos)
Caio Fernando Abreu. (via versificar)
Sean Wilhelm. (via refletizadora)
Tantas vezes segurei o mundo alheio e deixei o meu cair.
Gabito Nunes. (via re-escritas)



