ainda faz um tempo bom pra desperdiçar comigo.
podemos enfeitar domingos.
a fila longa em busca de um simples pão nos supermercados
crianças brincando com bolha de sabão nas ruas, cada estouro um sonho sendo levado pela realidade dura
uma mulher de joelhos esfregando o chão de casa, exausta de submissão
cotidiano
a vida mediana dos homens comuns
c.s.
Croped Shortinho Decote? Nem pensar! Tem que se valorizar.
Namorado no quarto? Os vizinhos vão comentar Vê se aprende que respeito de dá. Maquiagem forte Batom vermelho Vestido curto Coisa de “mulher do mundo” Mas o que é mulher do mundo? Aquela que é dona de si? Porque desde sempre Me ensinaram a ser submissa “mulher que é mulher Tem que saber Lavar, passar e cozinhar Se não o marido vai rejeitar” “Feminismo pra que?” Claro que você não vai entender O patriarcado sempre vai te defender Não me ensinaram a me amar A me cuidar Ou aos meus direitos reinvindicar “você tem que casar, procriar e da casa cuidar” Não perguntaram se queria formar Em que queria trabalhar Porque isso não ia importar Mas eu cresci E quero ser mulher pra mim. Nara Regina
Mia Couto, in “Poemas Escolhidos”, 2016.
meu braço lateja e o meu coração também bum bum bum como uma bomba prestes a explodir o tempo parou e eu parei também como se numa cena de filme de terror em que a morte está à espreita só mais um descuido só mais um tropeço e ela vem e eu vou.
sua arte não é a quantidade de pessoas que gostam do seu trabalho sua arte é o que seu coração acha do seu trabalho o que sua alma acha do seu trabalho é a honestidade que você tem consigo e você nunca deve trocar honestidade por identificação
rupi kaur
assim como os anéis de Júpiter que são invisíveis para nossos equipamentos terrestres, você me circunda e está presente em minha orbita. tento negar sua presença. ninguém te ver através de mim. mas sinto, tu ainda está em mim. tu ainda acompanha cada movimento meu.
em meio ao orvalho inundei, agora transbordo. será que sempre fui rasa, ou apenas muito cheia?
Saia dessa prisão e seja você.





