“Vacilão, tava com a melhor, com a mais de fé, mas não deu valor, viu como cê é? Ela meteu o pé, viu, foi embora. Hoje cê sabe a dimensão que a cama tem. O dia não é tão bom se a frase não é completada com ''meu bem''. A mesa do café é farta de solidão, e a falta que ela te faz, devasta essa vastidão de mulher. Cê fez por isso, que assim seja. Nas várias fatias do bolo, ela era com cereja; a especial, mais que qualquer uma dessa aí. Débil-mental, como cê deixou ela partir? Até o sorriso espantava os medo noturno. Sem perceber, fez por merecer cada anel de saturno. Lembra que cê demorava, ela entendia. Falava; ela acreditava, explicava; ela ouvia, zoava; ela perdoava, chegava; ela sorria, fingia; tava brava, mas só queria tua companhia. Tua alma fria matou o que ela tinha no coração, que também te aquecia, pra mim cê é... Vacilão. Ela pegou os bagulho dela, ligou pra mãe dela, foi com a família dela, ficar com quem gosta dela. Vai sofrer mas vai ficar pra trás, pô, com você tava sofrendo bem mais. Mandou mal, tanto que não ganhou nem tchau, encerra. Porque cê nunca valeu o que o gato enterra. E quando ouvir o cantos dos rouxinol, ela vai querer alguém pra dedicar o pôr-do-sol. Pra dividir a preguiça da segunda-feira, com a certeza de que não é, mas vai tá se sentindo a primeira. Tranquila, ainda te diria: ''ué, cê não quis provar do buffet todo? Agora aguenta a azia. Cê trocou ouro por bijouteria, e só quando não tinha mais volta, foi vê que tua joias não valia. Desencana, cê perdeu irmão. Toma o lenço, senta e chora, que cê foi mó vacilão.”
—Emicida