Eu realmente não consigo idealizar alguém apaixonado por mim. Eu não consigo imaginar alguém pensando em mim antes de dormir, ou contando para os seus amigos sobre mim com um sorriso bobo. Eu não consigo imaginar ninguém nas nuvens porque eu disse um "oi" ou qualquer coisa assim. Não consigo imaginar alguém sorrindo para a tela do computador quando a gente está conversando. Sei lá, só não consigo.
“Porque quando você tá indo embora, você sempre olha pra atrás, com cara de arrependida, como se não quisesse fazer aquilo de verdade. E porque quando você fica, você sempre olha pra porta, pra fora, pros outros, como se estivesse ali por obrigação ou perdendo algo importante. Então, não, eu não entendo.”
—Vinícius Kretek“Estou partindo... Mas não se preocupe aonde vou ou estou deixando de ir, isso já não é mais da sua conta.” Foi o bilhete que deixei pra ela. Peguei as tranqueiras e fui embora. Fui sem saber pra onde ir, sem noção do futuro e do presente, fui só pra não sentir mais aquele peso que sobrava sobre nós. Abri a porta dolorosamente ao ver os trancos e barrancos que deixamos passar. Eu andava calmo, sem pressa alguma, eu sei que o tempo irá passar, e ela irá superar. Tinha deixado minha alma aberta a partir do momento que sai daquela casa, deixei a vida me libertar por uns minutos, pelo menos. Pois ela tinha que crer, que seus sussurros não irá mais fazer minha cabeça, nem meu corpo, nem minha alma. E que seu jeito não me domina mais. Pois eu percebi que você não é o que eu esperava, você não era nem a metade dos meus sonhos… Eu tinha que crer. Você foi um passa-tempo. Mas saiba que doeu, e que jamais isso sairá da memoria. Gravou. Estou aqui andando pela rua deserta, sem nenhum ser-vivo por aqui. São exatamente 9:54 da manhã e eu estou cansado, morto visualmente, mais vivo por dentro. Me libertei e ninguém sabe o quanto foi bom. Ao passar nesse botequinho me lembrei de quando eu era livre e andava por ai, com meus amigos, curtia pra caralho, voltava pra casa sem preocupações, e sem visíveis marcas. Ai sim, eu era feliz. Entrei, pedi 2 tequilas e 1 vodka, enchi minha cara, e não tava ligando para o que tivessem falando de mim. O garçom me estranhou, pois tinha face de novo mas por dentro eu estava velho… Sai de lá, e olhei para o céu, fico viajando quando eu vejo uma arrancada de pássaros andando pelo céu… Aonde eles vão? Pra onde estão indo? Eles se quer tem uma casa? “Ei pássaros, me leve com vocês!!“ — Disse eu meio inconsciente. — Ninguém me escutava… Eu não sabia mais o que fazer. Os meus passos eram barulhentos, eram fortes e frequentes, eu estava sem direção, eu estava indo aleatoriamente em frente e nem olhava pro passado, pois aquilo me dava arrepios. Já são 10:23 e eu ainda estou procurando o que fazer, não sei onde é a direção da casa dos meus pais, eu acho que estou perdido… Me sentei no tronco e pensei “Será que eu fiz a escolha certa?” Não sei. Mas estou melhor assim… A mochila pesava muito em minhas costas, e eu senti o telefone vibrar, abri a mala e peguei, quando eu vi o nome, era ela. Pois tinha dois lados, o do bem e o do mal: “Atende, volta pra ela, você não tem pra onde ir.” Disse o Mal. “Não, não atenda, pois você sabe que está fazendo o certo, e que mais pra frente sua vida será mais equivalente”. Disse o Bem. O bem sempre vence o mal e todos sabemos, eu como não diferente.. segui os passos do bem. Não atendi. Já era a oitava chamada e ela não parava de ligar. Peguei o celular e taquei longe… Pois não queria mais ver aquele nome na minha frente. Levantei e me deixei seguir… Logo em frente encontrei um orelhão, me recordei do número da casa dos meus pais. Liguei, liguei, liguei, e ninguém atendeu. Pois é, achei que eu iria virar um sem teto. Que foi realmente o que eu virei. Hoje eu estou aqui, com 56 anos morando num apartamento com uma sala, um quarto, e uma cozinha, e um banheiro, apenas, pois não tenho muito dinheiro pra me sustentar, descobri a alguns anos atrás que aquele dia em que eu liguei pra casa dos meus pais, exatamente, naquele dia, a casa tinha pegado fogo por inteira. Meus pais morreram queimados. Demorei um tempo pra cair a ficha, mais sei que eles estão me guiando e que jamais deixaria acontecer algo comigo… Estava eu aqui, sentado no sofá ao som de John Lennon, cantando e esquecendo de tudo. Quando derrepente tocou a campainha. Eu pensei “Nossa, mas quem será? Como descobriram o meu endereço?” Coloquei uma camisa e fui ver quem era. Abri a porta e meu sorriso foi de orelha a orelha. E quem era? Era ela! Ela me abraçou de uma forma tão inconsequente, tão adaptadora, tão... tão... sei lá cara, não dá nem pra explicar. Retribui, claro. Pois fiquei feliz em ver ela e chamei ela pra entrar. Ela me perguntou por que eu fui embora e sem avisar nada. Eu respondi com lagrimas nos olhos “Eu não sei, eu queria me sentir livre, o que você fazia comigo eu já não aguentava mais.” Os olhos dela se encheram de lagrimas, e não disse mais nada. Se calou. Ela disfarçou e olhou pra baixo. Me calei também. Olhei pro lado e vi o retrato que eu tinha guardado dela. Abaixei rapidamente. Troquei de assunto, perguntei sobre a nova vida dela… Ela falou que estava bem, mas ao mesmo tempo, sem noção de nada. Aquele dia em que ela apareceu, era a data de aniversário dela, 3 de Abril. Ela completava 48 anos. Eu não lembrava. Ela abriu a bolsa e mostrou o celular que eu tinha jogado pro ar. Me surpreendi demais. “Aonde achou isso?” Disse eu. “Pois desde aquele dia em que você foi embora, te procurei até hoje, e achei o celular que você jogou na rua. Aquilo era uma pista, sabia que você tinha passado por ali. Mais entre esses 20 anos te procurando, eu te encontrei. Eu voltei. E seu celular também (risos)”. Ela respondeu. Fiquei meio sem graça. Já estava anoitecendo e eu tinha marcado de ir pro botequinho, aquele lá que eu passei em frente. E ela já estava de despedida. Levei ela até a porta do meu simples apartamento, e dei um beijo no rosto dela. Percebi que ela queria algo a mais, mas eu não podia voltar ao passado. E ela foi… E eu entrei e fui me arrumar, pois eu tinha combinado com as vadias de ir pro motel. Entrei pro banho, refleti demais, parei e pensei: “Olha no que minha vida se tornou, olha o que eu sou agora… eu sou um velho, e já já vou me arrumar pra ir comer puta, se liga cara, não me conformo.” Sai do banho, meu relógio marcava 22:43, eu iria me encontrar com os camaradas 23:00 enfrente o posto de gasolina. Mas eu não fui. Eu fiquei em casa. Eu abri a geladeira e vi que tinham aquelas bebidas que eu chamo de alivia-dor. Em cima da mesa estava o Malboro, acendi. Peguei a garrafa de Vodka e coloquei no copo, enchi minha cara. Traguei uma, duas, três e assim por diante… A bebida já estava ardendo muito minha garganta, mais eu não queria saber. Bebi e bebi demais. Durmi e não vi. No dia seguinte eu estava bêbado, muito bebado. Olhei pra pia da minha cozinha e vi o facão. Eu percebi que não dava mais pra vive sem ela. Nem com ela. Mal com ela, pior sem ela… Meus pais morreram, eu perdi tudo que tinha, e perdi o amor da minha vida que eu não dei valor… Eu não tinha mais motivos pra viver. Olhei bem o facão, analisei… E derrepende ele estava cheio de sangue e eu já não me sentia mais.”
—Eu parti. Mas parti com toda a certeza do mundo: Ela vai voltar, e eu vou estar guiando por ela.“Uma moça foi conversar com uma criança de sete anos, e ela perguntou: — Quais são os seus três desejos? Ele disse — são segredos Ela pediu mais uma vez, e ele disse: Meu primeiro desejo é que as pessoas tenham 100 vidas, principalmente o meu pai e minha mãe. Meu segundo desejo é que todas as pessoas sejam feliz, principalmente eu. Meu terceiro desejo é que a garotinha da minha sala goste de mim como eu gosto dela.”
—Conversas entre uma garota e seu irmão. ( Suyanne Machado )“Você é apaixonado por outra, mas lá no fundo eu acredito que você me ame. No fundo mesmo. Já comentei o quanto te acho desprezível? Então, comecei a achar isso no dia em que você estava falando sobre as coisas importantes de sua vida. Nós havíamos nos reconciliado no dia anterior e eu, idiota, pensei que dessa vez algo relevante estava saindo de sua boca. Aí no dia seguinte eu te vejo comentando que estava apaixonado por uma menina que não gostava de você. Sabe a sensação de ter o mundo inteiro se dissolvendo abaixo de seus pés e você ter a certeza de que não vai se reerguer? Sabe o que é se sentir tola e enganada novamente, pela mesma pessoa e em relação ao mesmo assunto. Isso não era nem a menos a ponta do iceberg. Seria demais pedir para que, somente uma vez na vida, você fosse sincero comigo? Ou sei lá, que você chegasse a mim e dissesse: “Olha, eu tô apaixonado. Mas não é por você. Sei lá, é por você e ao mesmo tempo não. Mas eu quero insistir em nós dois. Novamente. Eu quero fazer dar certo”. Mas você é um cafajeste, e como todo o cafajeste, você deve me achar apenas mais uma. Mais um prêmio na sua estante; a tola que sempre volta correndo quando você chama. Você me faz ter nojo de mim mesma pelo fato de saber que eu deixei você se tornar metade de mim. Você é um babaca. Você tá me desconsertando aos poucos e me fazendo sentir uma vontade absurda de dizer que eu, finalmente, tô conseguindo ser alguém sem você. É isso, eu sei muito bem ser alguém longe de ti. Eu sei ser boa para mim mesma e mais ninguém. Porque você não é tudo isso que eu sempre amei e venerei. Você é só mais um cara. Talvez eu tenha te amado mais que amei qualquer outro cara, e talvez você tenha ultrapassado a barreira que eu sempre tive envolta em mim, mas é isso o que você é. Só mais um cara. Você é o cara desprezível que me faz chorar todo fim do dia e me faz sentir relativamente pequena quando comparada a você. Você me tornou viciada num tipo de amor no qual tenho receio de que não haja reabilitação. Um amor que nunca foi amor, e sim passatempo. Eu posso estar sendo precipitada demais por dizer esses tipos de coisas, posso estar tirando conclusões precipitadas sem ao menos saber sua versão da história, mas a palavra de um mentiroso é irrelevante. E eu não quero mais ser a menina tola que sempre acredita e volta e se rasteja até o penhasco que é você. Me desculpe, mas eu sou demais pra você. Mesmo achando que isso não seja completamente verdade.”
—Eduardo Pellucci.