“Bom, a gente se conheceu a algum tempo atrás, não sei exato quanto tempo, deve fazer um pouco mais de um ano, ou sei lá, não sou bom com datas, mas cara, parece que faz anos que falei com ela a primeira vez e nossa, foi tão incrível. Sabe quando você conhece uma pessoa, e desde a primeira conversa parece que nasceram um pro outro? Não pelo fato de serem de sexos opostos, e tão pouco menos para ficarem juntos como um casal, mas nascer um para o outro apenas por se completarem nas palavras, nos pensamentos e até mesmo no modo de agir. Desde o primeiro instante pareceu que ela me conhecia tão bem, me surpreendi com o fato de se fazer apenas alguns minutos que conversávamos, a cada palavra eu ia me enchendo mais até que por fim transbordei uma felicidade tão grande. Eu não sei direito explicar, só sei que… Preciso dela, consegue me entender? Dois jovens com uns dois e alguns meses de diferença, mas quem se importa com isso? Parecíamos e continuamos parecendo até então dois velhos ranzinzas, casados a pelo menos uns quarenta e poucos anos. Sabe aqueles velhos que já não se suportam mais e que brigam por um copo fora do lugar, mas que só estão juntos por causa dos filhos? Pois bem, somos assim, dois insuportáveis, chatos, mimados e crianças… Poderia dizer que cresci com ela, ela me fez amadurecer de tal forma que sou tão grato por ela ser inexplicavelmente surpreendente e maravilhosa. Sempre me senti um fraco tolo solto pelo mundo, errei tanto, ainda mais com ela, fiz tanta burrada, mas mesmo assim a cada olhar mal encarado ou sorriso bobo ela me fazia sentir que poderia dar o melhor de mim e, mesmo que eu mal conseguisse ser a melhor pessoa para ela, ela continuava sendo a melhor pessoa para mim. Sabe… Teve uma época desse nosso tortuoso e turbulento relacionamento que eu pensei que a fosse perder, cada segundo foi tão torturante, tão doloroso, mas eu estava tão cheio de si, me sentia sufocado pelo meu orgulho enorme que eu mal conseguia mover um dedo para pedir perdão pelas besteiras que fiz. Ela sempre foi tão boa para mim e eu? Foi um nada para ela, não que ela me considerasse um nada, eu apenas demonstrei ser assim. Disse tantas vezes para ela que seria totalmente diferente de todos os caras que ela sentia repulsa que por fim, bem, por fim eu acabei me tornando mais um deles. Me surpreende o fato de ela não ter me odiado nenhum segundo sequer, eu mesmo me odiei quando soube que ela chorava e ainda mais por saber que cada lagrima que caia era por mim, eu remotamente era o motivo de tudo aquilo. Nascemos um para o outro, definitivamente. Somos perfeitos, duas crianças soltas tentando agir como os adultos que nunca serão. Fico feliz por ter ela em minha vida, me sinto mais do que feliz, ela é ótima, por dentro e por fora. Ciumenta as vezes, ainda mais quando dou motivos bobos, a gente continua discutindo muito, brigando por qualquer besteira, nos xingamos, gritamos, mas no final um eu te amo resolve tudo. Ela poderia me odiar, mas escolheu continuar do meu lado acima de qualquer coisa. Poderia até mesmo se vingar de mim por todo o sofrimento que um dia a causei, mas não, ela ta aqui, ela diz todos os dias que me ama e, quando a gente fica um dia sem se falar ela diz que está morta de saudades. Eu a amo tanto, a amo pelo que ela é, mas principalmente pelo que ela me proporciona ser, não preciso me esforçar para agradar ela, porque ela se contenta com o que eu realmente sou, sem por nem tirar, apenas eu mesmo. Finalmente alguém se sente feliz por apenas me ter ao seu lado, posso dizer o mesmo. Afinal o sorriso dela embala o meu e me faz se sentir completo.”
—Pirralha, amo você. (canbeheroforus)