“Quer saber? Eu sou tudo isso aí que você tá vendo bem aqui, na sua frente. Eu sou esse poço de insegurança que chega a transbordar. Eu sou a vergonha em pessoa, e geralmente estou sempre me escondendo em volta dos meus próprios braços. Eu sou indecisa e nunca sei que rumo seguir, que decisão tomar. Eu me sinto constantemente incompleta e incapaz de fazer as coisas darem certo, aliás, sempre dou um jeito de estragar tudo. Eu sou essa menina que mal consegue olhar nos olhos e falar sem medo, estou sempre olhando pra baixo ou procurando alguma coisa que me distraia e não dedure o quão nervosa eu estou. Minhas mãos estão quase sempre brincando com meus cabelos, minhas unhas quase sempre na boca, sendo roídas. Eu sou desajeitada. Não consigo andar direito nem ficar na postura correta ainda mais quando percebo que estou sendo observada. Não consigo selecionar as palavras corretas pra expressar o que sinto e, na verdade, não consigo filtrar nem meus sentimentos. Não consigo esconder eles por muito tempo, muito menos fingir que eles não existem. Eu sou essa menina que não consegue se achar suficiente pra ninguém. Sou a menina que por mais que eu tente esconder as imperfeições e todas as coisas ruins que existem nela, se entrega cada dia mais. Sou aquela que não consegue maquiar a tristeza para que ninguém perceba, às vezes ela fica estampada demais no rosto. Aquela que não consegue segurar as lágrimas, que não consegue ser forte como queria. Eu sou essa menina fraca que quer parecer ser forte. Mas acredite, eu não sou. Por trás de toda essa máscara que eu tento manter, existe alguém bem diferente do que você imagina. Existe alguém que, sempre se ilude com as coisas mais bobas, e que no final sempre acaba chorando. E acreditando de novo, e sofrendo de novo, se decepcionando, e chorando, de novo e de novo. Mas dessa vez é diferente. Eu encontrei você. Eu te achei, cara, e isso me fez bem e mal, porque ao mesmo tempo em que eu me sinto confusa e não sei o que fazer, eu sinto que você é a pessoa certa pra me ajudar a mudar tudo isso em mim. Ou simplesmente pra me aceitar e me absorver assim, me compreender, se tornar parte de mim. Você é a última esperança que eu tenho de dar certo, entende? É meu último desejo. É tudo o que eu mais quero agora. Quero apenas que você fique. Permaneça. Em silêncio, ou não, porque você consegue me ouvir somente com os olhos. Você é a única pessoa que consegue me compreender de um jeito que nunca ninguém conseguiu antes. Aquela pessoa que chega e bagunça tudo, mas uma bagunça boa, sabe? Você é a única pessoa que conseguiu fazer mudar as minhas opiniões e tudo que eu pensava. Você foi a única que, conseguiu fazer com que eu me perdesse e me reencontrasse, e retomasse o controle sobre mim mesma. E agora eu te imploro pra que fique, e pra que permita que eu seja sua. Imperfeita, errada, confusa. Mas sua, apenas sua.”
—Clumssy e Neblines.