“Era engraçado o modo como eu nunca me encaixava em padrões. Por exemplo, nunca me encaixei com garotas da minha idade, desde que me entendo por gente.
No primário, na minha opinião o pior ano que passei na escola, eu era o tipo de garota gorda, feia, desengonçada e nerd. Aquela que as garotas odiavam. E os garotos? Ah, repudiavam, sequer me olhavam ou lembravam da minha existência.
Alguns anos se passaram, agora todos dizem que eu fiquei bonita, embora eu não concorde. E por isso as garotas continuam a me odiar, odeiam a tal ponto que tenho que me isolar delas.
Nunca segui padrões, nunca consegui segui-los, sempre fui diferente. E com o tempo tive de me habituar a isso, por que quando se vive anos de mediocridade aprende-se a conviver. Sempre me senti deslocada, era como se eu vivesse uma vida que não fosse minha, era como se eu tivesse nascido no mundo errado. Tive que aprender desde cedo. Sempre fui mais madura do que as outras garotas, sempre fui mais cabeça, uma mistura de moleca, mas com uma cabeça de uma velha de 50 anos.
Mas sabe, hoje eu entendo que eu nasci pra ser diferente, e aprendi também a diferença é boa, e eu percebi que a medíocre, não sou eu. Hoje os meus valores me tornam quem eu sou, e eu gosto de ser assim. Gosto de ser a louca, anormal, deslocada, anti social, desajeitada, a fora dos padrões. As vezes até gosto de ser odiada, isso que dizer que eu não tenho passado despercebida. Continuarei sendo eu mesma, porque se for pra agradar os outros mudando meu jeito, meus gostos, prefiro não me encaixar em padrões nenhum, prefiro continuar sendo uma estranha, atrapalhada, "anti social"... Mas feliz. ”
—Seder-r-ame e Escritora de Boteco.