“Está tarde demais? Digo, o tempo ainda corre depressa, não é? Mas há esperanças? Porque eu quero que tenha. Eu quero que as férias de verão ainda sejam o motivo de alegria e que o sol nos cubra enquanto a conversa caminha depressa para acompanhar o tempo que não temos. Eu sei, eu sei, eu não suporto o sol ou a alegria do verão. Mas você ama. Se duvidar ama até mais do que a mim. E eu juro que se houver um sinal, qualquer coisa que possa me puxar de volta, eu deixo que no inverno apenas o teu corpo colado no meu me esquente. Prometo que os textos desse dia em diante falarão sempre sobre os seus sorrisos e que as falhas nos seus dentes ficarão de fora disso. Eu prometo qualquer coisa, baby. Prometo até parar de escrever sobre você sem seu consentimento, porque há coisas sobre você que não aceitaria saber. Mas são as minhas coisas, entende? Diga que ainda há tempo pra tudo isso, porque as estações não nos espera, elas apenas acontecem. As folhas do nosso outono despencam na mesma hora e você sequer percebe que o tempo que tanto damos está passando, voando. Não espere o próximo verão para sentir que eu ainda estaria aqui, o inverno é sedento dos teus pés colados aos meus, e seus abraços aptos a esquentar meu coração que agora congela, baby. E mesmo que não haja mais tempo, mente pra mim, diga que sim. Invente uma hora a mais, um fuso horário, um verão novo, e um novo horário pra ele. Diz que temos ainda uns segundos de tempo e que eles vão parar para que isso funcione. Dê um sinal em qualquer que seja a estação, mas só me prometa que ainda haverá um tempo, pra nós dois, em que tomaremos um sorvete, ou nos tornaremos um deles pelas gotas gélidas da neve do céu no inverno que vem. Há sempre um tempo extra quando se há amor, baby.”
—Casebre e Porredesaudade.