“Que roupa você veste, que anéis? Por quem você se troca? Que bicho feroz são seus cabelos, que à noite você solta? De que é que você brinca? Que horas você volta? Seu beijo nos meus olhos, seus pés, que o chão sequer não tocam. A seda a roçar no quarto escuro, e a réstia sob a porta. Onde é que você some? Que horas você volta? Quem é essa voz? Que assombração seu corpo carrega? Terá um capuz? Será o ladrão? Que horas você chega? Me sopre novamente as canções, com que você me engana. Que blusa você, com o seu cheiro, deixou na minha cama? Você, quando não dorme, quem é que você chama? Pra quem você tem olhos azuis, e com as manhãs remoça. E à noite, pra quem você é uma luz debaixo da porta? No sonho de quem você vai e vem, com os cabelos que você solta? Que horas, me diga que horas, me diga, que horas você volta?”

—Chico Buarque.

“Não diga nada, saiba de tudo, fique calada, me deixe mudo. Seja no canto, seja no centro, fique por fora, fique por dentro, seja o avesso, seja a metade. Se for começo fique a vontade, não me pergunte, não me responda, não me procure e não se esconda.”

—Chico Buarque.

“E às vezes escondido A gente chora E chora mesmo sem saber porque.”

Tiê.

“Não quero mais amar a ninguém Não fui feliz, o destino não quis O meu primeiro amor Morreu como a flor Ainda em botão, Deixando espinhos Que dilaceram meu coração.”

—Cartola

“Me traz o teu sossego, atrasa o meu relógio Acalma a minha pressa, me dá sua palavra Sussura em meu ouvido só o que me interessa.”

Lenine

“E as coisas lindas são mais lindas Quando você está Onde você está.”

Nando Reis
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