“Ficou difícil, tudo aquilo nada disso, sobrou meu velho vício de sonhar... Pular de precipício em precipício, ossos do ofício. Pagar pra ver o invisível e depois enxergar que é uma pena, mas você não vale a pena. Não vale uma fisgada desta dor, não cabe como rima de um poema de tão pequeno, mas vai e vem e envenena e me condena ao rancor. De repente cai o nível e eu me sinto uma imbecil, repetindo repetindo repetindo, como num disco riscado o velho texto batido, dos amantes mal amados. Dos amores mal vividos, e o terror de ser deixada, cutucando, relembrando, reabrindo a mesma velha ferida e pra não ter recaída que não me deixo esquecer: que é uma pena, mas você não vale a pena. Não vale uma fisgada dessa dor...”
—Não vale a pena, Maria Rita.