“ Oi?
â Cala a boca e me escuta. E se tu desligar, eu vou até no inferno pra te falar essas coisas. Eu tô apaixonada. à como se estivesse nevando e eu estivesse trancada do lado de fora. De biquÃni. Me pegou desprevenida, sabe? De uma hora pra outra a avalanche desceu de onde eu menos esperava e me congelou. Paralisou mesmo, tu entende? Pode parecer idiotice, mas eu me senti nua por uns instantes. Eu tava trancada à sete chaves, daà tu vem e simplesmente me abre, passa por cima dos meus cadeados sem ao menos errar a mão? Colabora, cara. Me perder é facinho. Eu sou fresca, sou idiota, faço piada em enterro e choro em circo. Aliás, eu choro em qualquer lugar. No cinema, no teu ombro... Quero dizer, tu lembra, não lembra? (pausa) Eu sei que lembra. E para de passar essa lÃngua nos lábios que esse barulhinho me deixa com vontade de te beijar inteirinho. Que loucura, né? A gente num dia briga e no outro eu me declaro pra você. Acho que eu já tinha percebido a falta que você me fazia quando ia embora de cara fechada. E eu senti uma saudade fodida de você, cara. Tô abrindo meu coração aqui, o que tu sabe que é difÃcil. Raro, na verdade. E eu não te contei, mas eu sou meio maluca. Eu nunca me entreguei pra ninguém mas tô querendo me entregar todinha pra você, porque eu tô aflita pra sentir isso que todo mundo diz que é legal sentir, mesmo que machuque depois. Quero dizer, é maluquice sentir saudade de ter saudade, né? Mesmo que não seja, eu quero dizer que sou maluca porque não quero admitir que tô apaixonada por você mesmo sã, mesmo sóbria. E aÃ, o que a gente faz com isso, Marcelo?”
—Ele gostou desse meu jeito maluca e eu comecei a achar que o maluco é ele. Accorde