“Eu quase consegui te esquecer quando acordei ao lado do cara que insistiu em ficar comigo na noite passada. Foi bom não ter apenas você no pensamento. Fez eu me sentir bem, como se eu ainda tivesse alguma chance nesse mundo. Foi como conseguir respirar novamente, foi como ter a sanidade de volta. E eu que nunca tive nada acabei tendo tudo com você. O mundo poderia acabar lá fora e eu não ligaria porque com você, tudo parecia estar no lugar. Eu estava no meu lugar, ao teu lado. E então escrevendo isso eu percebo que nem em um milhão de anos eu poderia deixar de te amar. Que nada me faria esquecer o teu sorriso, o teu toque, a tua voz ou o teu ‘eu te amo’ ao pé do ouvido. O vazio que você deixou me acompanha todos os dias, e o amor tá ali, insistindo em algo que morreu faz tempo. E talvez pedir que você se importe com isso seja demais, não é? Já que você não hesitou em ir embora nem ao menos por 5 segundos. Que sentimento é esse que não me deixa me desligar de você? Nós éramos tudo. Saio na rua com a cabeça sempre com o mesmo pensamento bitolado de nós dois. Eu sei, isso soa masoquismo e talvez realmente seja. Talvez eu goste de sofrer, afinal de contas. Eu nunca fui de medir palavras com ninguém, mas com você, eu fazia isso. Sentia medo de dizer algo errado, na hora errada. Sentia medo de acabar com sei-lá-o-quê que a gente tinha e que era tão bom e que me fazia tão bem… Olha só a ironia. Nem mesmo com todas essas precauções eu consegui te impedir de ir embora. Mas quer saber? Chega. Você não vale meu esforço e nem vale o sofrimento que eu tô sentindo. Eu vou ficar bem, com ou sem você. Porque eu te amo, mas... eu me amo mais.”
—Bárbara Marques