@Careca

Ela apertava o celular contra o peito, como se o pequeno aparelho fosse sua tábua de salvação. Não que um celular que sequer podia ligar para alguém fosse ajudá-la a qualquer coisa que fosse. Quando foi que fora parar ali? Lembrava de estar no meio da cidade andando sem rumo enquanto escutava música. O problema era a música. A música a havia levado para um mundo longe dos problemas e ela saíra andando, os passos no ritmo da batida da melodia e, quando se dera conta, estava perdido naquele lugar suspeito.

Emília parou de andar e encostou o corpo numa estrutura de metal próxima, ainda segurando o celular com cuidado. Estava com medo, mas tudo o que precisava fazer era se acalmar. Sim, se acalmar. Caso ficasse tranquila o suficiente, lembraria por onde tinha vindo e encontraria o caminho de volta. Era só uma cidade estúpida com barulhos estúpidos. Certamente, aquilo que ela escutara antes não tinha sido um grito, mas o barulho do vento num dos prédios bizarros. Era noite e o local estava vazio. É, vazio. Não tinha porque temer.

“Hm-hm-hmmm” cantarolou baixinho. Ninguém poderia ouví-la além dela mesma. Ela cantaria tão baixo que ninguém a ouviria, apenas seus nervos. Então se acalmaria.

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