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Só eu me senti fodamente gigante na primeira vez que consegui encostar minha mão no chuveiro do banheiro?

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“Então morrer é isso? Você passa a infância e adolescência ouvindo que se você quiser ser alguém na vida vai precisar “meter a cara” nos livros. Estudar muito, muito mesmo! Então mesmo que você não goste, passa mais de 10 (dez), anos frequentando escolas. Passa madrugadas em claro estudando para conseguir uma vaga em uma Universidade, que talvez seja em outro estado, e mesmo sabendo que você talvez seja obrigado a sair do conforto da sua casa, do “colo” dos seus pais, você segue em frente e consegue a tão desejada vaga. Você entra na universidade e passa a estudar dez vezes mais. Tendo raríssimos dias de “farra”, e quando chega o dia, você simplesmente morre. Você vai a uma boate para se divertir, encontrar amigos e morre. Você passa a semana estudando pra caramba e no final de semana morre. Você passa anos estudando pra caramba e quando está faltando pouco pra você alcançar seu objetivo, você morre! Deixando de vez o conforto da sua casa e o “colo” dos seus pais. Você finalmente encontra o grande amor da sua vida, se casa, faz planos de ter filhos e tem. Você cria, cuida, educa e ama essa criança com a ajuda do seu marido. Você planeja toda a vida dela, mesmo sabendo que quando ela crescer pode não concordar. Você planeja envelhecer ao lado do seu marido. E em uma saída em família ao circo você simplesmente perde os dois e ainda sai de lá com 90% do corpo queimado. Isso porque um ex-funcionário decidiu acabar com a vida do dono do circo colocando fogo no local, mas acabou acabando com a sua também quando matou seu filho e seu marido, acabou com muitas outras vidas. Parte de você morreu ali. Seus pais ficam anos e anos planejando ter você e depois de muitas tentativas, depois de muito amor, eles conseguem. Você nem pediu pra vim ao mundo, mas vem mesmo assim, para tornar-se a alegria da casa, para por um sorriso no rosto dos seus pais, pra mostrar á ele que todo o esforço valeu a pena. Você fica Nove (nove), meses dentro da barriga da sua mãe, e finalmente nasce. Você recebe alta do hospital e vai pra casa com seus pais que estão mais felizes do que nunca. Você tem tudo o que uma criança da sua idade precisa: conforto, brinquedos, amor, atenção… E em uma saída de carro com a sua mãe você leva um tiro no peito e morre. Como assim morre? E todos os anos que seus pais ficaram planejando ter você? Você faz uma curta viagem de carro com a sua família em um feriado. Você passa dias maravilhosos ao lado das pessoas que você ama. Se sente bem, feliz, realizados ao lado das pessoas mais importantes da sua vida. Mas na volta pra casa um caminhão acaba parando encima do seu carro, detonando o carro por completo, matando todos. Você está feliz dentro do carro com a sua mãe, ambos usam cinto de segurança. Quando do nada delinquente resolvem roubar o carro da sua mãe. Sem dar tempo de ela te tirar por completo do carro. Eles te arrastão por quarteirões, deixando seu sangue pelo caminho, e a cada gota de sangue seu, 100 gotas de lágrimas da sua mãe. Você não mata, mas te matam. Você não rouba, mas roubam a sua vida, e nem te dão chances de lutar contra isso. Quando criança você vive dizendo que vai morrer com 200 anos, mas morre com 20. Você está bem, não fuma, não ingere bebida alcoólica, está com os exames em dia, mas um morre porque um carinha gostou do seu celular e resolveu te dar um tiro. Você sai pra se divertir e não volta mais. Você está dentro do seu carro, voltando pra casa de uma viagem ou de um dia cansativo de trabalho, quando vem um carro guiado por uma pessoa que ingeriu bebida alcoólica, por uma pessoa que tem noção que beber e dirigir é crime, que beber e dirigir mata, mas mesmo assim ela faz isso e tira a sua vida. Você perde o seu filho sem ter a chance de ver os dentes dele caindo e nascendo de novo, sem ter o orgulho de ver ele se formando e realizando seus sonhos. Você o leva pra se divertir e tiram a vida dele. Você ensina á ele que ele precisa estudar, e ele morre estudando. Você fica em casa pensando que o seu filho está bem, quando recebe uma ligação dizendo que um maluco entrou na escola dele e saiu atirando nos alunos, e que o seu filho foi uma das vítimas, que o seu filho morreu. Morrer deveria ser algo natural, não é? Às vezes acho que morrer é uma daquelas piadas sem graça, contada em uma hora inapropriada.  ”

—Milhares de pessoas morrem injustamente todos os dias, esses são apenas alguns casos… Escritora de Boteco.

“Me lembro de uma lágrima caindo do seu rosto quando eu disse "Adeus, eu não aguento mais nós". Bem que ele poderia ter dito "Tá, tchau Lola, eu também não aguento mais nós, nem essa nossa complicação toda. Eu já era todo incerto antes de tudo acontecer, depois que você chegou fiquei pior ainda. Vai e não volta". Mas não. Ele não é do tipo que desiste fácil das coisas, diferente de todos que começaram a me ler e despencaram a dormir logo na primeira linha, ele insisita em ir até o final, até o fim da linha, até nós explodirmos de tantos desafios. Ele não ia simplesmente deixar partir pela porta dos fundos quem entrou pela porta da frente, não ia me deixar escapar tão facil assim. E eu sabia disso. Mas é que eu queria ouvir da boca dele tudo que ele sentia por mim, queria que ele deixasse de mão aquele lado frio pra me mostrar quem ele era de verdade. Sem mascaras. Sem testes. E aquela lágrima me doeu mais do que milhões de porradas, mais do que milhões de palavras. Cara, eu nunca tinha visto ele chorando. E logo eu, que prometi cuidar e nunca deixar escapar, fiz ele chorar. Foi necessario. Eu sabia que em cada olhar dele, eram milhões de frases que a minha cabeça conseguia desvendar. Mas eu queria mais, queria ouvir tão suavemente as palavras sairem da boca dele. E foi o que ele fez. Muito previsivel. Logo ele, que era tão imprevisivel. Acontece que eu sabia qual era o ponto fraco dele, sabia tocar bem na ferida. O machucado dele era eu. E só eu pra fazer com que ele falasse. E assim fez "Pare bem aí mocinha, que história é essa de desistir? Lembra quando a gente se conheceu? Você fumava e eu sou alérgico a nicotina. Você parou de fumar por mim. Eu tinha acabado de sair de um relacionamento e naquele tempo me atiraria em frente ao trem fácil fácil. Você sentou do meu lado e falou 'Assistiu a novela das nove ontem?'. Cara, aquilo me fez rir, tu sabe que eu odeio novela. E... poxa, você me fez rir, quando tudo que eu queria era morrer. Eu passei 3 meses inteiros tentando sair contigo e tu só dizia 'Não, to doente'. Até que um dia você disse 'Tu não vai desistir não é?'. E tu sabia desde aquele momento o que eu queria contigo, e por isso fugia. Porque tinha mais medo que eu de estar perto de alguém que te arrancava sorrisos. Mas ao contrario de ti, eu tenho coragem pra enfrentar os meus medos, deixo meu orgulho de mão e corro atrás mesmo. Tu sabe desse meu jeito. E, cara... Semana passada tu disse que me amava. Tu disse que me amava depois de anos juntos. Tu me ama. E quer ir embora? Não vai mesmo. Eu lutei por ti cara. Deixei de mão todas as minha criancisses. Passei noites e noites tentando te entender, coisa que eu já desisti, porque tu é indescifravel. Eu gosto disso. Sempre gostei de coisas complicadas. Tipo como gosto de sudoku. Olha Lola, ninguém nunca disse que ia ser fácil sabe... Nós... Nunca vamos ser faceis, tempos nossos temperamentos fortes, mas sabe... Não existe Eu e você. Nunca existiu. Só vai existir Nós. E nosso amor, não vai fenecer, eu não vou deixar. Eu tô dando o maximo por esse 'nós'. O que tu quer mais de mim?". Naquele instante eu poderia ter dito "Era só isso que eu queria ouvir". Mas eu só fiquei o abraçando por varias horas. E ele sabia como ninguém o que o meu abraço queria dizer.”

Lola e Tig.
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