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Sign upTorcedor de segunda
Ser rebaixado de divisão não é uma desonra. É um problema financeiro. Quando o descenso atinge um grande clube como o River Plate, se converte em grave ofensa à honra e à história do clube na visão equivocada de muitos torcedores.
Evidentemente nenhum torcedor acostumado a disputar clássicos, ostentar sua bandeira nos maiores estádios de futebol e a contar com generosa cobertura da imprensa fica contente de ver seu time cair da primeira para a segunda divisão.

O problema é que cada vez mais os torcedores encaram como ofensivo algo que é do jogo. Está no regulamento, que todos aceitam ao entrar em campo. Não é um golpe à honra. É um duro golpe ao orçamento, às verbas de televisão e de publicidade.
O rebaixamento dificilmente atinge a paixão do torcedor. Pelo contrário. Há vários exemplos de times que se reagruparam na segunda divisão e renovaram votos de amor eterno com a torcida.
Também não existe torcedor de segunda, terceira ou décima divisão. Para o torcedor - ao menos gosto de pensar assim -, seu time é o Barcelona de Messi e Xavi, mesmo que nem sempre jogue de forma tão brilhante.
Digo isso como torcedora que acompanhou (e sofreu) com seu clube (Grêmio) duas vezes na segunda divisão. O pior não é encontrar um gramado sem grama ou um adversário que joga futebol como se fosse rúgbi. É aguentar seu vizinho de porta que, sem razão para isso, ensaia um olhar pretensamente superior ao falar do futebol no final de semana.
Em uma rivalidade que só tem lugar para dois, como é o caso de River Plate e Boca Júniors, o lado azul e amarelo não perdeu tempo para fazer piadas com o infortúnio do adversário.
Num clima assim é difícil dizer a um torcedor que o rebaixamento não deve ser visto como uma mácula na história do time. Não é logicamente a glória nem precisa ser o inferno. Não ofende a honra do torcedor, nem a do clube ou a dos craques mais ilustres que envergaram aquele uniforme. É parte do regulamento. Aquela parte que todos querem aplicar ao adversário, nunca ao seu clube do coração.
