“O braço alcançou o outro lado da cama e tocou os lençóis ao invés do teu peito. Teus cabelos espalhados por toda a cama não cobriam meu rosto e tua mania de se remexer durante toda a noite não me acordou de madrugada. O sono foi tranquilo. Mas quem foi que disse que essa tranquilidade acalma? Esqueceram de perguntar o que eu queria, e agora meus braços não tem mais um pescoço para sustentar à noite. O vazio da cama não é nada se comparado ao meu vazio de dentro. Meus sorrisos se reduziram a pó, porque tua mão macia e fininha nunca mais tocará meu rosto novamente. Teus olhos não murcharão e desaparecerão no meio do teu sorriso pra mim. Talvez um dia, com muita sorte, tu volte a ocupar o lugar que sempre te pertenceu na minha vida. O problema, o que realmente perturba, é o meu querer urgente. Porque te quero aqui, mas te quero agora. E por favor, quando a saudade bater, mesmo que de leve, volta. Volta, por que mesmo longe, tudo aqui ainda é seu. Todos os vestígios de bagunça na sala, toda roupa jogada no sofá, todo cheiro de corpo limpo no banheiro. Todo resquício de sentimento inacabado ainda é teu. Os meus sorrisos, e também minhas lágrimas. Volte, por que a tranquilidade da noite, me incomoda quando o desassossego é você. Volta, tenho sono, preciso de você, na cama e no coração.”
—Porredesaudade ft Casebre.