“Eu limpei minhas mensagens, eu deletei meus e-mails, eu matei meus recados, eu estrangulei minhas esperas, eu arregacei as minhas mangas e deixei morrer quem estava embaixo delas. Eu risquei de vez as opções do meu caderninho, eu espremi a água escura do meu coração e ele se inchou de ar limpo, como uma esponja. Agora eu tô pronto pra outra.”
—Tati Bernardi.Apolo estava reencostado no sofá como se aquilo fosse o melhor a ser feito, mantendo as duas mãos sobre o peito e encarando o teto com certa dor e raiva. A sala onde estava, permanecia em total bréu. Um descanso para seus olhos que continham olheiras extremamente visíveis e escuras, seus cabelos louros estavam totalmente bagunçados, como se o outro não se importasse muito consigo mesmo e com sua própria aparência, os olhos azuis de tom turquesa estavam cerrados e sempre que podia o outro apertava a garrafa em suas mãos com mais e mais força.
Uma musica retro qualquer tocava em algum canto do local. A janela que pendia do teto ao chão refletia uma espécie de luz azul fraca e pálida Respirou fundo e revirou os olhos como se aquilo fosse a pior ideia já tida e ergueu o tronco de seu corpo sentindo um estralo seguido de uma pontada de dor intensa, que no qual quase fez o outro soltar a garrafa no chão. Mas, algo em si o fez aperta-la com mais força, ao ponto de fazer seus dedos ficarem marcados e roxos.
Encostou os dois pés com falsa firmeza sobre o tapete velho e que cheirava a mofo e se ergueu cambaleante, se apoiando no sofá para não cair e se machucar em algum lugar. Caminhou até o centro da sala onde continha o piano e passou a ponta de seus dedos da mão livre sobre as teclas, começando do tom mais fino ao mais grave o que irritou seus ouvidos.
Depositou a garrafa sobre o tampo do velho piano e voltou a cambalear sobre ele, sentindo uma forte dor em seu peito. Felizmente o outro sorriu e passou a socar o piano com certa fúria e raiva, como se aquilo aliviasse ao menos um pouco a sua dor e fúria, sentia a ponta de seus dedos finos latejarem de dor o que fez um sorriso torto se desenhar em seus lábios secos e róseos, deitou-se sobre as teclas causando outro irritante ruído, que ecoou pelo local como se indicasse que tudo estava completamente vazio. - Desculpe-me meu amor. - Sorriu como se no fundo não houvesse arrependimento algum em si, pedia apenas desculpas ao piano, que era de fato a sua unica companhia aquela noite.
Voltou a se erguer, sentindo a visão extremamente turva e falha, como se a qualquer momento fosse apagar, mas entrelaçou os dedos da mão direita aos da esquerda e os estralou com indelicadeza, causando uma dor ainda maior. Posicionou-se corretamente sobre o instrumento e começou a dedilha-lo errando vez ou outra algumas notas, se recusando a verificar a partitura a sua frente, já que claramente não era possível ver nada do que estava naquele mero papel amarelado. Parou abruptamente de tocar o instrumento e começou a bater no tampo do piano à procura de sua garrafa de vinho.
Quando a encontrou a puxou com violência derrubando um pouco do liquido avermelhado sobre as teclas já não tão brancas O tecido negro de seu terno não continha mancha alguma apesar do odor forte de vinho. Socou a boca da garrafa sobre seus delicados lábios e passou a beber todo o conteúdo, com uma sede devastadora, sentindo a sua garganta e seu peito em brasas, algumas lágrimas vez ou outra escorriam pelo canto do olho esquerdo já extremamente avermelhado. - Quanta decadência. - Era como se lembrasse de quão falho era, e como a inutilidade naquele momento o convinha.
Voltou a colocar a garrafa sobre o tampo e se levantou extremamente cambaleante, sentindo a base de suas pernas como se fossem feitas apenas de gelatina. Caiu sobre o sofá e descansou a mão direita sobre o peito, voltando a sentir uma forte dor naquele local, não sorriu pois seu semblante estava estático. Apollo havia adormecido como fazia a semanas como se aquele processo doloroso não obtivesse mais fim algum.
Recomendo:
A-possibledream - Alice minha cosa gostosa ~te kisso
poderia descrever a pessoa que você ama, apolo-sama?
Apolo sorriu com certo entusiasmo e com a pureza aparente em seus olhos azuis turquesa que chegava a ser palpável. - Bem ele de certo modo é adorável, mas, vamos lá.
Ele não é alto e detesta quando eu o lembro disso. - O Deus deixou escapar uma risadinha sacana ao lembrar propositalmente de tal fato. - Tem os cabelos sedosos e negros além de seus cabelos serem bastante longos e o cheiro deles de certa forma é extremamente delicioso. Assim como o cheiro da pele dele que é algo misterioso, além do mais a pele dele tem um tom de alabastro e é incontestavelmente macia. Intocada.
Os olhos são negros mas da ultima vez que eu me lembro de ter os visto de outra forma eles eram azuis, um azul que eu nunca vira a não ser nele, são profundos e dão a impressão que ele está vendo a sua alma como ela realmente é, você nunca consegue fitar ele diretamente por muito tempo, é tentador. Os cílios são igualmente negros e longos e ele tem imperceptíveis olheiras debaixo dos olhos o que dão a ele um tom um pouco mais sombrio.
Ele é especial e detesta violência, mesmo tendo lutado nas guerras santas contra Athena, tudo depende do ponto de vista, simplesmente não existe certo ou errado.
Comigo ele é extremamente atencioso e carinhoso, muito diferente do que é com qualquer outro ser nesse mundo seja com meu pai ou até mesmo com Poseidon. Ele trata seus espectros com respeito, mas realmente não passa disso.
Ele é único, e eu amo tudo o que há nele, mesmo conhecendo cada pedacinho e nuance de seu corpo eu posso dizer que ele é indiscutivelmente delicioso. Meu gostoso. E de certa forma somente eu posso chamar ele assim. E de fato ele é aquele tipo de pessoa que vale a pena lutar, vale a pena qualquer esforço, qualquer lágrima derramada, seja ela de felicidade ou tristeza, ele é simplesmente um presente.
Se bem que um presente maravilhoso está chegando e eu o agradeço por isso.
Mesmo sendo opostos, luz e trevas eu posso dizer que há um encaixe perfeito entre ambas as faces. Até hoje eu me pergunto sobre tal coisa. Ele também é discreto e bem silencioso e cauteloso em tudo que faz. E eu sou quase que o oposto dele. Além de ter uma imensa raiva pela humanidade pelo o que transformou ou pelo que sempre foi, ele não esconde isso de ninguém ele simplesmente odeia humanos, por diversos motivos, eu não diria que ele está errado até porque não há mentiras.
E sem contar que eu sou muito lerdo, eu demorei muito para perceber quais eram seus reais sentimentos por mim, mas, depois que percebi posso dizer que não houve mais dor em mim. Eu não lembro mais do que eu era, mas de certa forma agora eu sei dizer o que eu realmente sou. Gosto de irrita-lo sempre que posso, porque sempre consigo arrancar sorrisos o que é raro vindo dele, consigo diversas e diferentes reações o que é interessante ressaltar. Isso é desde de que eu era apenas o “moleque idiota e desocupado” além de tudo ele é sincero na maioria das coisas que faz.
Mas ele é calmo e consegue se manter firme diante de uma enorme pressão vindo de qualquer um, é indiscutivelmente persistente, o que o faz dele um ser único.