xamanism

Psicodelarium é um belíssimo atlas sobre 25 espécies psicodélicas, com ilustrações científicas feitas pelo ilustrador Ciro MacCord. 

Além das ilustrações, cada espécie é explorada sob o seu contexto histórico e xamânico, sua biologia e sua interação bioquímica com o cérebro humano – uma relação ancestral entre nossa espécie, Homo sapiens, e estes intrigantes seres vivos, detentores de chaves (alcalóides) que encaixam-se perfeitamente em nossos receptores cerebrais, desencadeando experiências profundas e estados alterados de consciência: pedras fundamentais nas complexas estruturas de culturas nativas ao redor do mundo.

Para apoiar o projeto e conhecer mais o artista:
http://www.catarse.me/pt/psicodelarium
Psicodelarium / Atlas das espécies psicodélicas
Ciro MacCord / Ilustração científica

Woot Woot Drew Yesenia’s papa! 
I finally stopped being a lazy butt and did it *O* 
His name is Xaman! (name suggestion brought to us by ssapdra

Xaman will still have his feather cloak thingy, that’s what those holes in his arm are. 

I’m thinking the Nyn concept may not be a thing anymore and he’ll simply come from a realm called Thoraetios. AH yeah there are different realms now btw. 

Well Enjoy~~ 

youtube

Xaman got another slight redesign.

Nyn live within their own realm of Inallos but just like the mortal realm of Inallos, I felt they should fall under the rules of Inallos, in which all inhabitants have skin patterns/markings of some sort of varying degrees. 

I think this helps them have a slight animalistic feel, which I’m all on bored with. Especially with how I imagine their realm (over grown foliage for example) it fits.


Fiz essa ilustração para uma menina de minha cidade que queria tatuar uma coruja com uma coroa. Eu adoro o xamanismo, então tentei por um pouco do espírito da coisa no desenho, já que ela me deu total liberdade na ilustração.

Made this one for a girl from my town, she wanted to tattoo a owl with a crown. I love the xamanism, so I tried to put a little of its spirit in the drawing, for she gave me total liberty on it.

Os Xavante se autodenominam A’uwe e de acordo com uma estimativa feita pela FUNASA em 2010 são em torno de 15.315 pessoas. Vivem na região da Serra do Roncador e por diversos vales no leste mato-grossense, uma região que vem sofrendo danos irreversíveis pela agropecuária extensiva que vem sendo feita desde a década de 60. Junto com osXerente, formam um grupo antropologicamente conhecido como Acuen, que por sua vez pertence à família Jê do tronco linguístico Macro-Jê. No período colonial várias outras designações foram dadas para os Acuen, como Xacriabá e Acroá, isso se deu ao fato dos não-índios tentarem distinguir os sub grupos que dominavam uma ampla região do centro-oeste brasileiro. Para os viajantes os Acuen eram conhecido como Tapuias diferentemente dos grupos do tronco linguístico Tupi, que eram chamados de Tamoios.  Muitas pessoas confundem os Xavantes com os Oti-Xavante e os Ofaié-Xavante, com os quais não compartilham nenhum tipo de característica em comum, acreditam que o Xavante vem do fato dos não-índios tentarem distinguir esse sub grupo e, relação ao Xerente, dos quais tinha se separado a muitas décadas atrás. Os A’uwe contemporâneos aceitaram a designação Xavante ao lidar com os homens brancos, mas existem os quais preferem ser chamados de A’uwe ou A’uwe Uptabi (gente de verdade). A língua e tradições são mantidas mesmo após o contato com o home branco, agora com outros artifícios como a escola, em relação ao nosso idioma, muitos homens entendem bem o português, o que não é o caso das crianças, mulheres e idosos.

  Histórico de Contato

 Museu do Índio. Foto: Lamonica/Museu do Índio, 1951 

Os primeiros contatos foram feitos por volta do início do século 18, assim que as minas de ouro foram descobertas e diversos mineradores foram para a região Goiás. As tribos daquela localidade reagiram de maneiras diferentes, algumas foram a guerra, outras preferiram ficar em paz, mas qual seja a reação os efeitos daquela chegada foram devastadores. Muitos índios que ficaram em assentamentos patrocinados pelo governo morreram decorrente das doenças epidemiológicas que adquiriram com os forasteiros.  Mais para o final do século 18 os antepassados dos xavante cruzaram o rio Araguaia, foi nesse momento que houve a separação definitiva dos Xerente, algumas lendas são contadas em relação a esse fato, para justificar o motivo dos Xerente não terem atravessado o rio. Uma delas basicamente diz que após os Xavante atravessarem, os Xerente tentaram mas um grande boto saiu de dentro do rio e amedrontou os índios, fazendo assim com que eles ficassem para trás. Após cruzarem o Araguaia, os Xavante se estabeleceram no que hoje conhecemos como estado de Mato Grosso e até por volta do século 20 não tiveram nenhum problema com a população não-indígena, as pressões voltaram quando no governo Vargas foi feita a “Marcha rumo ao Oeste”, nessa mesma época os Xavante foram os primeiros a se tornarem famosos nos meios de mídia em massa e acabaram se tornando o símbolo de índio heroico que foi “amansado” pelo governo e faria parte da estrutura do país, tanto social como econômica, toda essa grande artimanha foi documentada com imenso número de jornalistas e fotógrafos, tanto que após quebrada a resistência de fato uma grande comemoração foi feita na mídia. O contato completo foi estabelecido na década de 60, quando todos os grupos já mantinham contato pacífico, seja por necessidade ou por vontade própria. Nessa mesma década de 60 foi quando começaram os abusos governamentais, os Xavante viram terras que por séculos foram suas sendo tomadas para a produção agrícola e pelo capitalismo governamental, hoje já foram constatadas várias fraudes nesse processo de ocupação das terras, um exemplo é mapas que foram modificados para darem a entender que não haviam índios em determinadas localidades. O final da década de 70 foi marcada pela tentativa de recuperação das terras roubadas e demarcação das que ainda estavam em posse dos Xavante, foi uma época de muita violência e conflito com colonos e agropecuários que já haviam estabelecidos assentamentos e até cidades nos territórios indígenas. Nesse conflito enfrentaram adversários de peso, com dinheiro e conhecimento, mas a astúcia dos Xavante fizeram com que recuperassem parte das terras e aumentassem a demarcação de outras que já tinham sido estabelecidas, mas isso não mudou o fato de não-indígenas residirem nessas terras e os conflitos continuaram por muito tempo, alguns persistem ainda hoje.


A economia e o meio ambiente     A região habitava por eles hoje em dia é bem interessante, se forma na combinação do cerrado com a mata de galeria e é demarcada muito bem por duas estações no ano, a época da seca (inverno) e a de chuva (verão), a agricultura aqui representa um papel secundário na economia, sendo que o milho é o alimento que tem maior destaque na cultura Xavante, tanto nos rituais como na cosmologia é muito utilizado, diferente de outros grupos que já vimos, as roças são individuais, ou seja, cada família tem o seu plantio, algo que é comum é o fato do plantio e colheita serem feitos pelas mulheres enquanto o preparo da roça para o plantio é feito pelos homens. A dieta deles é baseada no que as mulheres conseguem colher. Hoje em dia a coleta é feita por alimentos oferecidos pelos homens: como carne e peixe, antes porém, esses alimentos eram conquistados através de excursões que poderiam demorar meses até encontrarem os recursos na floresta que necessitavam. Por esse padrão de excursão, o território necessário para a sobrevivência dos Xavante deveria ser grande, nesse período longe da aldeia, eram feitos assentamentos que eram praticamente a miniatura da aldeia, hoje em dia esse tipo de excursão não é feito mais e quando fazem não passa muito de duas noites, pois o território é imensamente menor e a caça inexistente.   Para os homens a caça é algo muito importante, não só pelo alimento e sim por todo o significado envolto nela, pois demonstra a capacidade e destreza dos caçadores. Sendo que a carne é muito importante para a realização de alguns rituais. Um fato muito triste que está ocorrendo a muitas décadas é a degradação ambiental causada pela criação de gado, diminuindo drasticamente as caças da região, o que afeta diretamente na realização dos rituais que exigem muitas caças, como o casamento, em decorrência das terras cada vez menores, para a subsistência dessas tribos eles acabam tendo que invadir áreas de fazendeiros, o que sempre termina em grandes conflitos.   Apesar de todo esforço para manter as tradições o contato com os não-indígenas desordenou muito o modo de vida dos Xavante, algumas iniciativas governamentais tentavam de várias maneiras induzir a criação de gado e o plantio de diversas culturas, fazendo com que cada vez mais existisse uma grande dependência em relação a FUNAI, o que de certo modo contribui para que hoje em dia muitos Xavante conseguissem bons empregos nessa organização, tanto nas terras deles como em Brasília.

 

O projeto Xavante

 

  O governo tentando diminuir a pressão exercida pelos líderes indígenas resolveu fazer um projeto que visava o estabelecimento da rizicultura mecanizada nas terras Xavante, para demonstrar o grande potencial econômico que eles poderiam ter, mas o tiro acabou siando pela culatra. O objetivo era tirar os líderes indígenas de Brasília lhes dando um meio de subsistência, mas esse projetou acabou gerando mais confusão e ainda mais dependência pelo fato de desequilibrar ainda mais o modo de vida já desordenado deles. Em meados dos anos 80 a mídia fez diversas matérias em relação a esse fato e passou uma imagem muito negativa do Xavante para o restante da população do país. Depois de algum tempo e fracasso evidente o projeto foi abandonado e ainda hoje algumas tribos tentam resgatar o plantio e cultivo saudável que antes faziam.

 

Saúde     A taxa de natalidade do povo Xavante é relativamente alta mas de contra partida as mortes infantis também são altas, apenas 86% das crianças conseguem chegar aos 10 anos, existem muitas doenças gastrointestinais que afetam esse povo, seja pela falta de estruturas básicas de saúde pública ou pelos próprios agrotóxicos utilizados na região que acabam chegando nas fontes de água utilizadas. O acúmulo de lixo e excrementos é um grande problema que os aflige, deixada a condição de semi-nômades que tinham para o sedentarismo, muitos detritos que antes não chegavam a ser prejudiciais hoje interferem e muito na saúde e limpeza habitacional, sem contar o fato que os novos matérias incluídos nas aldeias, como os derivados de plástico, as pilhas, são objetos que não se decompõe facilmente como os orgânicos que eram utilizados anteriormente.   Além disso tem o fato de toda a tentativa de infraestrutura feita pela FUNAI que mudou drasticamente e os hábitos alimentares dos Xavante, trazendo assim doenças que anteriormente não eram conhecidas, um exemplo disso é a anemia. Outra doença muito preocupante é a diabete, pois hoje em dia o contato com o açúcar refinado é muito grande, como se isso tudo ainda não fosse suficiente, existe o grande problema do alcoolismo entre as aldeias que moram próximas da cidade, fato que ocorre devido as grandes tensões sofridas por esse e diversos outros povos indígenas.   O acesso a saúde que antes era responsabilidade da FUNAI hoje é exercido pela FUNASA, o que não ajudou em nada a melhorar a situação. Alguns postos de saúde foram criados mas os profissionais que exercem as atividades, muitas vezes são mal treinados e mal equipados, tornando difícil a assistência mais aprofundada, quando o caso é muito sério e é preciso ir nos postos de saúde da cidade, os índios sofrem preconceito pelos funcionários que não foram treinados nem tem sensibilidade para tratar os povos indígenas, ficando assim difícil o contato entre eles, pois os indígenas muitas vezes preferem ficar com os tratamentos que tem do que sofrer o preconceito da população em geral.  


Organização Social e Cerimônias   Organização Social   Como em outros pertencentes da família Jê, os Xavante tem um sistema binário, ou seja, são divididos em duas partes que se cruzam e se completam. Um exemplo disso é a organização matrimonial, existem os poriza’õno e öwawe, que são classificados de acordo com a descendência patrilinear (descendência a partir do pai), sendo que só podem casar se for com o integrante do outro grupo ou metade.   Um outro exemplo é a classificação de idade deles, que é feita de dois grupos binários principais, sendo que cada grupo é composto por mais 4 sub grupos, somando assim a existência de oito grupos de idades, que são chamadas de metades agâmicas (sem diferenciação sexual), sendo compostos por pessoas com idades semelhantes. O ciclo de idade é feito por uma sucessão no tempo, ou seja, cada geração de wapté estará em um subgrupo das metades agâmicas, se uma geração foi Hötötã a próxima será Tirówa, não sendo feito na mesma metade agâmica e sim alternando entre elas. É válido lembrar que esse ciclo de idade vária também entre duas grandes aldeias que tem semelhanças entre si, denominadas Xavante Ocidentais e Xavante Orientais.  Para melhor entendimento das informações irei utilizar uma tabela que distingue as sutis diferenças entre esses dois grupos:

  Como podemos reparar, apenas a segunda parte (Metade agama 2) sofre mudança entre eles. Como dito acima as flechas demonstram a alternância entre uma metade e outra, sendo que esse ciclo pode durar até 40 anos. Diferente dos meninos que iremos abordar mais abaixo, as meninas passam as suas mudanças de idade em casa, sem precisar se distanciar da família e são consideradas adultas assim que dão a luz ao seu primeiro filho.   A primeira classificação que os meninos recebem é por volta de 7 a 10 anos, quando são chamados de wapté (pré-iniciados) e são deslocados a Hö (Casa dos Solteiros) passando até no máximo cinco anos nesse local, é nesse tempo que são ensinados os deveres dos homens por padrinhos que devem ser da mesma classe agâmica que os apadrinhados. Após esse período é feita uma cerimônia que culmina no ritual de perfuração de orelha, tornando os jovens em adultos pré-iniciados.   Ao chegar na vida adulta, tanto os meninos como as meninas passam por 4 fases:
  •          Iniciados recentemente(´ritai´wa);
  •         Jovens adultos (Ipredupté ou Da-ñohui´wa);
  •         Adultos maduros (Iprédu) e
  •         Velhos (Ihí)
  Depois que morrem são chamados de Hoimana´u´ö, que são os ancestrais, eles podem renascer continuadamente.   Pra não restar nenhuma dúvida em relação a essa classificação, vale ressaltar que os primeiros 8 grupos, divididos nas metades ágamas, são as classes de idade e dentro de cada uma dessas classes teremos as categorias que vai de Wapté até Ihí.   Os dois grupos exógamos (o matrimonio feito a partir da patrialidade) e essas metades agâmicas são a base da vida social do povo Xavante.   Cerimônias

 

Wai´a (O Segredo dos homens): É a única cerimônia que apenas os homens participam. Nela são feitas mais divisões de agrupamentos, além das quais já lemos um pouco acima, o contexto em si é o repasse de conhecimentos sobrenaturais, sobre vida/morte, bem/mal, doença/cura.

Cerimonial do Wai´á. Foto: Rosa Gauditano


Oi´o´: É a primeira cerimônia pública que os meninos participam, é feita desde quando eles já conseguem segurar as clavas até a idade de irem para a Hö. Consiste em lutas travadas entre garotos de patrialidades diferentes, tendo em vista demonstrar a força e resistência física de cada um, algo que é muito importante em uma sociedade que vive da caça e coleta.

Cerimonial do Oi´ó. Foto: Rosa Gauditano
Wa´i e Uiwede (Lutas corporais e corrida de tora): São cerimônias muito apreciadas, assim como no Oi´o´ a demonstração de força e resistência física são muito importantes aqui. A rivalidade entre as metades ágamas e exógamas é forte, a diferença aqui está mais entre as lutas e as corridas em si. Na luta existe as rivalidades tanto entre as metades ágamas quanto nas exógamas, enquanto na corrida de tora a rivalidade é apenas entre as partes ágamas.  Na luta meninos e meninas reagem a troças de um homem, no caso dos meninos eles enfrentam esse homem sozinhos, as meninas pela desvantagem enfrentam o homem em grupo. Esse homem sempre será participante de uma classe acima dos adversários mirins.  Na corrida os grupos são feitos por participantes do mesmo sexo e apenas os adultos tem a permissão de participar, o trecho fica entre 6 e 8 quilômetros, o peso das toras de buriti variam entre homens e mulheres, ficando aproximadamente 80 e 60 quilos respectivamente. A corrida de toras é sem dúvida a atividade favorita dos Xavante
Corrida de Toras. Revista Manchete

Da-nõ’re (Performance coletiva de canto e dança): É uma cerimônia tipicamente masculina, mesmo tendo a participação das mulheres em algumas ocasiões. É a mais importante cerimônia pública feita pelos Xavante, nela são criados fortes laços emocionais em quem participa. É aqui que ocorre o ponto alto de iniciação dos homens, com a cerimônia de perfuração de orelha, onde eles ganham brincos que os ajudam durante os sonhos a ter contato com os ancestrais. Uma parte da cerimônia é feita com homens e mulheres dançando e cantando juntos. Na parte da cerimônia feminina elas não ganham esses brincos, tornando-se impossibilitadas de sonhar, raros sãos os casos de mulheres que conseguem contato com os ancestrais.


Da-ño’re: perfomance coletiva de canto e dança. Revista Manchete

Adaba (Celebração do Casamento): As celebrações de casamento são feitas após um certo tempo que o casal já mora junto, quando estão estáveis. Consiste na troca de alimentos durante dos dias para representar as contribuições do homem e da mulher para o matrimônio. Após o casamento o homem Xavante vai morar na casa do sogro. 

Outras cerimônias: Futebol e Nominação
Indico para quem quiser saber melhor acessar esse link, que terá mais informações sobre as cerimônias e organização social, a parte de Nominação Xavante é complicada, por isso indico estudarem a fundo, não somente nesse link que passei como em outras fontes.