Le 23 avril dernier, le gouvernement français annonce qu'il a rencontré « les dirigeants d'internet ». […] L'erreur n'est pas innocente, de la part du gouvernement. Celui-ci est en effet complètement perdu devant le mécanisme complexe qu'est l'Internet. Comme le héros du Prisonnier, les ministres passent leur temps à demander « qui est le numéro 1 ? » Ils ne peuvent en effet pas imaginer d'autres systèmes politiques que ce qu'ils ont appris à Sciences Po : un système très hiérarchique, avec une poignée d'acteurs (publics ou privés, peu importe pour eux), quelques dirigeants régnant sur une masse de « fond d'organigramme ». Rien d'étonnant que, perturbés par l'Internet, ils cherchent à toute force à le ramener au seul cas qu'ils connaissent, celui où on discute dans des bureaux feutrés, loin des rumeurs du monde, avec quelques messieurs « responsables ».

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Mini Capítulo - Otávio

Estou a cinco meses com Priscila. Cinco fucking meses. Porém, não estou apenas com ela, há uns dois meses comecei a namorar com a Heloisa, uma mulata linda que conheci numa festa, sexo arranjado pelo meu amigo. Ela sabe que namoro a Priscila, mas não liga e aceita o fato de eu estar com duas mulheres, por sua vez, Priscila nem ao menos sonha que estou saindo com outra garota também. Espero que continue assim, não tenho saco para seus chiliques.

Hoje era dia de encontrar com a Helô, tinha um tipo de calendário que marcava o dia de encontrar cada uma e passei a chamá-las apenas de amor, para não ocorrer erro ao pronunciar seus nomes. Namorar duas mulheres não era uma tarefa fácil, muitas vezes chegava na casa de uma delas e dormia no sofá de tão cansado. Heloisa fazia questão de acabar comigo na cama para que eu não tivesse força suficiente para fazer algo com Priscila, mas quando isso não ocorria, Priscila acabava comigo na cama e eu chegava na Heloisa sem forças para nada, nem ao menos um sexo oral. Uma coisa eu tinha certeza: só namoro mulheres que são gatas na rua e leoas na cama, por que olha… Sem comentários.

Helô: oi gato.

Eu: oi amor.

Helô: amo você me chamando de amor, mas prefiro me chamando de puta enquanto transamos.

Eu: vem cá então putinha.

Mal chego e fecho a porta, ela já me agarra e me leva para o quarto.

-

Depois de ter feito tudo o que tinha vontade com Heloísa, sentei no beiral de sua janela e acendi um cigarro. Pois é, agora eu fumo, comecei um pouco depois da Valentina ter ido embora. Eu havia mudado muito com sua ida para longe. Me tornei algo que nunca imaginei e só o cigarro me transmitia paz, só ele me acalmava totalmente.

Helô: você quer parar de fumar no meu apartamento?

Eu: não.

Helô: é sério Otávio, minha mãe veio me visitar e sentiu o cheiro, ela ta achando que sou eu.

Eu: foda-se cara.

Helô: você é muito filho da puta.

Eu: você só é daora quando ta me dando, fora isso, porra.

Helô: vai embora Otávio.

Eu: com todo prazer.

Helô: quando é o nosso próximo dia?

Eu: faço a mínima ideia, vê aí no calendário.

Helô: hm, é no sábado.

Eu: beleza, falou.

Peguei minha jaqueta e desci, meu namoro com Heloísa era basicamente isso e eu não tenho vergonha em dizer que sou muito babaca com ela, não só com ela, mas com Priscila também. O que posso fazer se mesmo assim elas são loucas por mim?

Acabei indo para casa, parei numa banca antes e comprei uma revista qualquer, queria ver as últimas notícias para saber sobre o que falar com Priscila amanhã, é, ela ama fofoca de celebridades e só fala sobre isso comigo. Óbvio que tento transar o máximo possível, mal a deixo descansar. Assim que cheguei, peguei uma Heineken na geladeira, liguei a TV em um jogo qualquer e fui ler a tal revista. Surgiu uma mistura de sentimentos ao olhar a capa: era a Valentina que ali estava estampada. Corri ver qual era a página que falava sobre ela, 27 a 30. Varri as páginas com os olhos, mas eles fixaram em um ponto específico. Fixaram nas fotos em que ela estava acompanhada de um cara.

Era surpreendente como ela estava mais gostosa que antes de ter os gêmeos, estava mais bonita, a felicidade estava estampada em seu sorriso e no brilho de seus olhos. Continuava perfeita como eu me lembrava. Procurei foto dos gêmeos, mas não tinha, provavelmente ela não quis mostrar eles a mídia assim. Li toda a reportagem sobre ela e logo a entrevista. Ela falou de mim.

Um sorriso surgiu na porra da minha cara ao ler que ela ainda tinha “um carinho muito grande” por mim, mas não gostei de ler o resto, principalmente em ler sobre esse tal de Michael. Porra, é a mulher que eu amo ali falando sobre um “possível novo amor”.

Como é bonito o jeito que ela fala dos gêmeos, da até pra sentir o amor ao ler. Caralho, que saudade dela, do cheiro dela, do toque, do sorriso, do jeito como ela falava “Otávio” bem baixinho no meu ouvido enquanto fazíamos sexo, do jeito carinhoso dela, porra, eu sentia falta de tudo dela. Sentia uma puta falta da minha morena, mas não podia fazer nada para mudar isso. Olhei as outras fotos, uma mais sexy que a outra, posses sensuais, mostrando seu corpo, aquelas curvas que eu adorava passar a ponta do dedo bem devagar… Peguei meu celular e disquei seu número, sim, sei o número dela de cor, mas fiquei com receio de ligar e ela desligar igual a última vez, no fim acabei ligando pra Priscila. Precisava descontar esse desejo pela Valentina em alguém e esse alguém, seria ela.

Aviso

Postei o primeiro Mini Capítulo, e pretendo postar o próximo até a outra semana, para isso se você tem preferência por algum personagem, sinta-se a vontade para vir até a ask e pedir para que o próximo seja dele.

Capítulo Quatro - O Quanto Eu Confio Nele

Dava para ver o oceano, e nós não estávamos na praia, Reveille Hills não é uma cidade litorânea, pelo contrário a cidade vizinha era, mas em contrapartida nós tínhamos uma colina ela era alta o suficiente para que conseguíssemos ver o oceano do topo dela, ela não era nenhum monte Everest ou Fuji, mas era o cartão postal da cidade, a Colina de Reveille Hills. E nós estávamos nela agora bem no topo com a vista de – quase – duas cidades e o mar azul tão lindo.

Frederico estacionou o carro de uma forma que podíamos sentar no capô retirou do porta-malas uma caixa de gelo que continha algumas cervejas e isso aumentou minhas suspeitas de que ele havia planejado tudo. Sentamos sob o capô, o oceano ao fundo contrastando com o céu azul e as nuvens brancas que passavam, o casal de pássaros que vire e mexe aparecia no meu campo de visão o barulho da cidade tão baixinho , fechei os olhos e absorvi tudo aquilo. Algum tempo depois – e vários cigarros da parte de Frederico – parecia que os problemas haviam sumido, eu me sentia leve e de alguma forma sentia uma sensação de paz que nem meu professor conseguia me fazer sentir.

– Como você sabia que isso me faria tão bem? – perguntei depois de tanto tempo de silêncio Fred por sua vez sorriu.

– Esse lugar tem seus encantos – respondeu fitando o céu, sua expressão era relaxada a brisa mexia levemente seus cabelos, seus olhos estavam fechados e sua respiração estava devagar, como se quisesse absorver toda aquela sensação de paz que aquele lugar transmitia, ele estava tão bonito… Quantas pessoas já haviam visto ele daquela forma tão íntima?  – Quer uma cerveja? – ofereceu gesticulei um sim e ele pegou duas latinhas na caixa entregou uma a mim e abrimos juntos.

–Você não deveria beber – falei tomando um gole da cerveja que desceu amargo e bem gelado do jeito que deve ser ele sorriu e mostrou o rotulo da latinha dele “zero álcool” sorri sem graça para a expressão vitoriosa que Frederico me lançava – eu conheço você não tem nem uma semana direito – comecei mudando o assunto algo em mim pedia para que esse assunto fosse mencionado, sentia-me segura para dizer tudo que eu quisesse ao Frederico – mas sinceramente por mais estranho que pareça eu confio em você – coloquei uma mecha por trás da orelha e suspirei.

– Agradeço por isso – olhei para Frederico que observava o mar enquanto terminava sua cerveja ele havia se tornado um amigo e isso era estranho, pois mesmo que eu hoje adore a Isis e não consiga viver longe da minha melhor amiga eu demorei muito pra confiar nela de verdade ainda mais depois que ela começou a namorar o idiota do Henrique, mas com o Fred era tudo muito diferente e da mesma forma que isso era assustador era inovador porque mostrava que eu estava mudando e algumas vezes as mudanças são boas.

– Isso é muita loucura – murmurei mais para mim mesma do que para ele, mesmo que tenha tomado sua atenção ao voltar a falar – eu mal sei o que você faz da vida, se matou alguém ou não, e mesmo assim – as palavras saiam rápidas de mais – e mesmo assim – dizer o que eu queria estava sendo difícil, eu estava sendo obrigada a admitir que ele mexia comigo quando mais ninguém conseguia fazer isso – e mesmo assim você virou a minha vida de cabeça para baixo – soltei finalmente.

– E isso é ruim? – sua voz estava baixa quase como um sussurro gentil, voltei a encarar seus olhos escuros que raramente demonstravam algum tipo de sentimento como suas expressão que sempre eram tão frias. Como alguém que nunca deixa transparecer o que sente consegue parecer tão confiável?

– Não – respondi no mesmo tom balancei a cabeça negativamente dissipando a atmosfera que havia criado decidia a mudar de assunto – Bom quantas mulheres você já trouxe aqui, além de mim e claro da Alice – alfinetei tentando não transformar isso em uma declaração melosa e clichê, Fred riu e arqueou sua sobrancelha um gesto que admito conseguiu deixa-lo mais bonito.

– Quem disse a você que a Alice veio aqui? – indagou

– Vocês não namoraram? – a duvida pairou no ar por alguns segundos enquanto Frederico caia na gargalhada, sim ele ria de faltar o ar me fazendo querer retirar tudo que eu tinha dito, fiquei encarando ele até que seus pulmões o forçasse a parar de rir para respirar e então Fred voltou a me fitar com um sorriso engraçado nos lábios

– Nós transavamos – respondeu com um tom displicente me fazendo arregalar os olhos e ruborizar imediatamente, uma reação um tanto exagerada confesso, porém a expressão tranquila e o tom de voz no mesmo estado me fez considerar que ele não levava aquele suposto romance tão a sério como a Alice tinha levado.

– Ah – foi o único som que eu consegui soltar ainda estava morrendo de vergonha da resposta dele e assim o assunto acabou o silêncio voltou a pairar e antes do sol se por eu havia ficado embriagada o suficiente para que Fred decidisse que devíamos ir embora.

Eu não lembro exatamente de ter cochilado no caminho de volta, porém quando dei por mim estávamos virando a rua da minha casa e Frederico estava me chamando;

– Pode parar aqui – resmunguei um pouco desnorteada, eu não sabia se estava na porta de casa ou não e também não importa porque eu reconheço a rua e consigo mesmo levemente alterada chegar na porta da minha própria casa.

– Tem certeza? – a voz de Frederico incomodou até o âmago fazendo a minha cabeça borbulhar de dor o som estava saindo tão alto que parecia que ele tinha gritado fiz barulho estranho com a boca que era para confirmar que sim eu tinha certeza, então ele parou o carro e destravou a porta devo ter dito um obrigado que não saiu como deveria.

Desci do carro e olhei para os lados a luz forte alaranjada do sol se pondo estava incomodando fortemente a minha visão, eu não estava tonta, porém eu estava com todos os meus sentidos claramente prejudicados e eu nunca fui muito boa com eles então isso era algo a se preocupar, atravessei a rua e caminhei – se é que posso chamar assim – passando por duas casas até chegar à única porta de vidro que tinha na rua, busquei a chave na pequena bolsa de colo e com muita dificuldade consegui destrancar a primeira das duas portas, a segunda foi mais complicada devida a sua tonalidade claro que agredia e muito a minha visão quando finalmente consegui adentrar o corredor os tons claros das paredes contrastando com o chão escuro de mármore pareciam muito mais claro do que eu lembrava, e como aconteceu com a porta a claridade fazia minha cabeça latejar ainda mais – se isso é ressaca ou não eu não tenho certeza só sei que nunca mais bebo tanta cerveja em minha vida.

Caminhei de rumo à escadaria, mas o som vindo da cozinha chamou minha atenção, puxei o celular do bolso da calça jeans e olhei a hora passavam das seis não era para ter ninguém em casa não a esse horário. Voltei o caminho em direção à cozinha e logo que passei pelo arco que deveria ser a porta o cheiro invadiu meus pulmões a cozinha americana divida com a sala de jantar cheirava a café e pão na chapa com manteiga, era um cheiro maravilhoso que não deveria estar ali.

– Pai – murmurei receosa

– Sim Anya – a voz com uma rouquidão pesada sempre soava severa e fria ao menos em minha concepção, fiquei calada e decidi voltar para o meu quarto, provavelmente ele me olharia com aqueles olhos se visse o meu estado atual.

– Desculpe, não esperava o senhor aqui – falei como desculpa – estou subindo – os sons da cozinha e dos meus poucos passos ecoaram pelo andar de baixo, junto com o cheiro delicioso de café.

– O cheiro do álcool empregou a casa Anya, não precisa fingir – novamente aquele tom severo me paralisou – sei que é sexta, mas para uma mulher direita isso não é hora pra já estar fedendo a álcool – ele falava com tanta calma e mesmo assim meu coração estava descompassado porque eu sabia o que ele iria dizer – O que sua mãe pensaria de você agora – toda vez desde que eu me lembrava ele utilizava essa frase para fazer o que está fazendo comigo agora, me recriminando pelo meus atos e escolhas, era devastador o efeito que isso tinha em mim sendo agravado pelo olhar de desagrado que ele sempre me lançava e mesmo que alguns metros nos separassem eu consegui sentir aquele olhar sob mim, tive vontade de chorar e com toda força engoli seria patético chorar agora.

– Desculpe – a voz saiu falha e bem mais baixa eu me tremia por inteira como uma garotinha medrosa sendo advertida, era assim que eu me sentia perto dele. Eu era sempre o erro genético, o problema, a que causou todo o sofrimento dele. Eu era um estorvo pro meu próprio pai.

– A propósito quando você pretende arrumar um emprego e parar de viver as minhas custas? Ou você pretende viver pra sempre aqui comigo como uma encostada? – o tom indiferente que ele utilizava chegava a ser cruel, ele estava me expulsando da casa que foi dada a mim pela minha mãe, e fazendo isso de uma forma tão indiferente como se ele sequer se importasse com que iria acontecer comigo – Eu sei que com a profissão medíocre que escolheu isso vai ser difícil, mas eu não vou estar aqui pra sempre para que você usufrua do meu dinheiro – Ele fez um barulho com a boca que eu reconhecia, conseguia imaginar ele balançando a cabeça em desagrado, novamente ele agia como se eu fosse incapaz de me virar e estivesse sempre precisando dele. Eu não havia terminado a faculdade ainda e não tinha um emprego como eu poderia sair? Mesmo que eu quisesse era impossível, abri a boca na tentativa de responder, mas fechei-a novamente, oque diria? De nada adiantaria, ele não se importava nem um pouco.

Senti a cabeça latejar novamente, e tudo começou a ficar embaçado pelas lágrimas, não iria aguentar mais tempo e não conseguiria ficar ali, sem pensar aonde iria e como faria isso no meu estado sai de casa batendo a porta com força de pura raiva que estava sentido, eu era tão idiota por me importar com as palavras dele, olhei para os lados pensando no que faria agora, pra onde eu iria? Não poderia ligar para Isis ela surtaria com que acabou de acontecer, eu não tinha ninguém além dela, atravessei a rua em direção a padaria da esquina, sentei em uma das mesinhas do lado de fora tentando pensar em algo, as lágrimas caiam nervosamente por mais que eu tentasse controlar, minha cabeça doía e a vontade de gritar estava presa na garganta.

Eu só conseguia pensa em uma única pessoa que eu tinha certeza que não faria um escândalo e não perguntaria nada puxei o celular e disquei o número que ele havia mandado a mensagem.

– Estou dirigindo fale rápido – o tom indiferente me fez sorrir, mesmo sendo um tanto ríspido não era igual ao que eu estava acostumada a ouvir do meu próprio pai.

– Se importaria se eu pedisse para me buscar? – Aposto que o tom choroso havia entregado meu estado deplorável porque do outro lado da linha o Fred ficou em silêncio só conseguia ouvir ao fundo o barulho da cidade – por favor – supliquei.

– Eu já estou indo – sua voz saiu autoritária e dura, mas fui invadida por um alivio – onde eu te busco Anya? – ouvi o som da buzina e do Fred acelerando com o carro. Olhei a placa da padaria e li o nome acrescentando dizendo que era na esquina de casa Fred desligou em seguida, pedi um café preto para ver se diminua a dor de cabeça e o álcool no organismo, quando o café chegou retirei o dinheiro da carteira e então as palavras de meu pai voltaram com força total, não que eu não tivesse pensando em tudo que ele tinha me dito, mas as palavras agora doem tanto quando na hora que as ouvi. Suspirei e engoli o orgulho pagando o café com o dinheiro dele, que ele presava muito mais do que a mim.

Devo ter tomado dois goles de café quando vi a bmw do Fred estacionando no meio fio, ele desceu do carro com o semblante preocupado estava tão nítido seu desespero, de alguma forma vê-lo mexeu muito mais comigo do que eu imaginava que faria me levantei e corri em sua direção abraçando-o em seguida não demorou muito para que eu voltasse a chorar, a reação de Fred de primeira foi ficar em choque, claro uma maluca o agarrou e começou a chorar, mas então em um gesto que eu não esperava ele retribuiu o abraço que eu havia dado acariciando meus cabelos, um ato simples que fez toda a diferença.

– Me tira daqui – pedi entre soluços, Fred pegou minha mão e me puxou para dentro do carro assim que colocou o cinto ele voltou a me encarar, mas não disse nada primeiro ele fez questão de nos colocarmos na estrada.

– Se importa se eu te levar para minha casa? – neguei com a cabeça e fizemos o caminho para seu apartamento em silêncio.

Eu já não estava mais chorando quando chegamos ao apartamento, Fred me ofereceu um café e eu neguei tudo estava com um gosto muito ruim por alguma razão, ele também disse que eu poderia tomar um banho e que me emprestaria umas roupas, e isso eu aceitei me senti muito melhor após uma ducha. Vesti uma blusa de manga comprida preta, a calça de moletom ficou larga e muito comprida, ele era bem mais alto que eu e por isso a blusa ia até a coxa e não mostraria nada se eu levantasse os braços e graças a isso eu poderia dispensar a calçar que não serviu.

Frederico estava assistindo o noticiário, sentei-me no braço do sofá com a calça na mão.

– Não serviu – murmurei para o mesmo, então ele olhou para mim e em seguida para a calça e sorriu.

– Não vou dizer que fico feliz com isso – respondeu fitei Fred sem entender o que ele queria dizer com isso ele soltou outro sorriso e voltou a olhar para a tv – pode deixar aí mesmo depois eu levo pro quarto – falou.

Deixei a calça sob o braço da poltrona e acomodei-me no sofá, eu queria agradecer mesmo sem saber exatamente o que dizer “obrigado por você sabe, me abrigar após eu ter sido expulsa de casa” é não seria algo muito inteligente a se dizer, em vez disso decidi pensar no que faria agora, quer dizer eu teria de voltar pra casa mais cedo ou mais tarde afinal minhas coisas estavam lá, mesmo que eu fosse – o que não é possível fazer agora – embora eu teria de conversar com o homem que a lei diz ser meu pai. Suspirei só de pensar na confusão que minha vida estava caminhando.

– Qual o problema? – a voz de Fred invadiu minha cabeça me tirando dos pensamentos o fitei e sorri negando com a cabeça – você mesma disse que confiava em mim e que eu havia deixado sua vida de cabeça para baixo – ele fez uma pausa e coçou a barba por fazer dava para ver que ele estava preocupado com que havia ocorrido – eu quero acreditar no que disse sobre não ser uma coisa ruim – Fred me olhava de um jeito tão diferente, era uma mistura de medo e preocupação e eu sabia que tinha causado isso nele e isso me incomodava, não que eu não quisesse que ele se preocupasse comigo, mas aquele olhar também carregava culpa, coisa que ele não tinha que sentir – mas sinceramente depois de te ver daquele jeito não está nada fácil –.

– A culpa não é sua – falei desviando o olhar não conseguiria encara-lo mais tempo sem querer explicar o que havia ocorrido, e eu não me sentia nem um pouco a fim de dizer o que tinha realmente desencadeado aquele meu estado deplorável – é só isso que precisa saber, não é sua culpa – terminei.

Eu conseguia sentir seu olhar sob mim, sua preocupação e irritação – essa última eu não entendia o motivo – e isso me fazia querer explicar o que estava acontecendo, explicar sobre minha relação difícil com meu pai, mas falar sobre tudo isso só iria me fazer sentir coisas que há muito tempo estavam enterradas e que eu não queria colocar a tona justo agora que minha vida tinha começado a ficar normal.

– Você cozinha? – a mudança de assunto tão rápida me assustou voltei a olhar para Fred sem entender o que ele queria dizer.

– É… Sim por quê?

– Porque você vai cozinhar hoje.

Hã?

Frederico sorria com a ideia proposta enquanto eu continuava sem entender como ele chegou a isso.

– Acho que seria bom você pensar no que vai cozinhar, porque eu não como macarrão se não for do Giovanni – ótimo agora eu teria de pensar em um cardápio para agradar o paladar do fumante acertador de testas. Revirei os olhos quando percebi que trocávamos olhares por muito tempo.

– Tá – a resposta já entregava que eu havia aceitado o desafio de cozinhar para Fred, naõ seria tão difícil já que cozinhar é uma coisa que eu sei fazer direito, era um gosto que havia crescido junto com o interesse em livros que eu sempre tive. – Se importa se eu olhar seus armários? – apontei em direção a bancada da cozinha que divida espaço com a sala, ele balançou a cabeça e então eu fui em direção aos armários abrindo-os imaginando o que eu iria fazer, abri a geladeira e então a ideia acendeu em minha mente – um arroz de forno com um peito de frango e salada – Fred me encarou pensativo – e porque eu sou boazinha eu vou fazer sobremesa – ri quando vi a expressão irônica que Frederico me lançava.

– Vai precisar de ajuda? – a pergunta me pareceu convidativa, sorri para o mesmo e aceitei a proposta.

– Você pode cortar a cebola? Porque eu sou sensível ao cheiro dela – ele se levantou e meio se arrastando pegou a cebolas na geladeira, enquanto eu começava a lavar o arroz.

O som da cebola e do alho sendo refogados junto com o arroz ecoou pelo apartamento, o cheiro de tempero começava a inundar o local deixando o ambiente muito mais aconchegante, Fred tomava uma taça de vinho enquanto eu começava a fazer a sobremesa conversávamos sobre tudo e riamos na mesma intensidade, com o clima tão propicio para fazer piadas idiotas e claro esquecer o que havia ocorrido mais cedo, essa sensação de paz e aconchego que eu sinto com Frederico eu só senti isso uma vez com minha mãe. Senti uma pontada de dor se alojando em meu peito de lembrar dela, forcei um sorriso para Fred e continuei a fazer o jantar.

– Agora só esperarmos vinte e cinco minutos para o arroz ficar pronto e podemos jantar – falei esfregando as mãos em um gesto de missão comprida, o cheiro do peito de frango recém grelhado e do arroz sendo assado no forno fazia meu apetite aumentar e a sensação de felicidade tomar o lugar dos meus temores.

– vinte e cinto minutos? – repetiu confirmei o que havia dito com um gesto rápido, Fred esboçou um sorriso cheio de insinuações fazendo meu coração palpitar – acho que dá tempo – falou caminhando lentamente em minha direção.

– tempo de quê? – perguntei sorrindo nervosamente pela aproximação me fazendo encostar-se à bancada da cozinha, uma sensação estranha invadindo meus sentidos sentia-me acurralada e ao mesmo tempo ansiosa.

– Disso – a voz rouca de Fred invadiu meus sentidos, ele me puxou pela cintura bruscamente senti meu rosto ruborizar.

Os lábios de Frederico foram de encontro ao meu, senti seu hálito um misto de menta e vinho, antes que eu pudesse pensar em alguma coisa ele já abria espaço entre meus lábios cerrados com sua língua quente e macia, que logo adentrou em minha boca, ele virou um pouco o rosto e nossos lábios se encaixaram com perfeição me permiti responder ao beijo cravando uma batalha com sua língua, Fred me sentou sob a bancada diminuindo a diferença de altura, suas mãos dançavam entre minhas costas e coxas aumentando minha libido, lancei minhas pernas ao seu redor um gesto que o fez rir entre nosso beijo, sua mão já subia pela minha coxa subindo mais a blusa quando o som da campainha nos fez parar.

Droga.

Fred! – a voz de Alice chamava enquanto batia na porta e tocava a campainha incessantemente – Qual é Fred, abre! – gritava ela parecia bêbada, encarei Frederico que estava com uma expressão contrariada enquanto eu o fitava com meu coração na boca, parecia ter sido pega fazendo algo muito errado.

– E agora? – sussurrei para ele que mexeu nos cabelos irritados parecia que nem ele sabia exatamente o que fazer.

Fred caminhou até a porta e a abriu seu semblante era de irritação, Alice assim que se deu conta da porta aberta agarrou-se na nuca de Frederico.

– Achei que ia me deixar do lado de fora – resmungou com o rosto em seu peito – eu sei que você tinha dito que estava cansado – ela deu uma pequena pausa e soluçou.

– Alice você tá fedendo a álcool, vai para casa – ele tentava afastá-la sem muito sucesso.

– Ah não Fred – sua voz saia manhosa e eu começava a ter pena de Alice, ela sim tinha sentimentos por ele, enquanto eu estava sendo uma vadia me envolvendo na relação dos dois – eu quero ficar aqui com você – ela finalmente olhou para Fred, não da forma como nós esperávamos ela tentou agarra-lo, literalmente beija-lo a força.

Ela estava muito bêbada.

– Alice para! – a voz de Fred soou mais alta e então ela o soltou, e finalmente percebeu que eu estava ali assistindo tudo com a expressão mais idiota do mundo.

– Ah… – ela desfez sua expressão de bêbada feliz para bêbada muito raivosa – eu estou atrapalhando?

– Não – eu disse

– Está – essa por sua vez foi Frederico que falou Alice o encarou com um misto de espanto e ira e saiu batendo o pé do apartamento voltando em seguida

– Só me deixa dar um conselho de amiga – verbalizou apontando o dedo em minha direção – eu não dou um mês para a sensação de príncipe encantado que o Fred exala caia por terra – ela deu uma pausa e olhou para o mesmo com os olhos vermelhos – ele parece um cavalheiro e é tão prestativo, depois ele some e te trata com indiferença porque esse é o verdadeiro Frederico Salazar – seu tom de voz era carregado de tristeza, fúria e no fundo amor – Ele é incapaz de sentir qualquer coisa por alguém – completou saindo – de vez – do apartamento, eu fiz menção a ir atrás dela, mas Frederico não deixou.

– O que pretende dizer a ela? Vai dizer que não aconteceu nada e mentir? – isso me fez desistir da ideia, ele tinha razão o que eu diria? Eu havia beijado ele a minutos atrás, e pior eu havia gostado.

Um som irritante anunciou que os vinte e cinto minutos que esperávamos para jantar havia passado junto com um turbilhão de emoções dei um suspiro e fui servir a mesa.

– Vamos apenas jantar – falei sem obter uma resposta.

O constrangimento do que havia ocorrido minutos antes ainda pairava no ar deixando o jantar muito mais desconfortável do que eu gostaria, Frederico comia em silêncio, não elogiou a comida ou falou algo sobre a “cena” que Alice havia nos proporcionado. Eu estava inundada de pensamentos vergonhosos, principalmente pelos pensamentos que povoaram minha mente na hora que ela tentou agarra-lo. Admito que pensei em abrir a boca e me mostrar presente de pura irritação que senti. Isso poderia significar ciúmes?

Não mesmo!

O pior era o que ela havia dito sobre ele, porque é claro que ela o conhece melhor do que eu, e bem é a segunda vez que Alice menciona o fato dele ser o tipo de cara que todas as mulheres devem ficar longe. E depois desse beijo, não tem como não pensar sobre isso, e sobre o que realmente significou tudo isso para o Fred.

– Eu sinto muito pelo que aconteceu – Depois de tanto tempo foi até uma surpresa que ele tenha dito isso arqueei a sobrancelha, mas não disse nada esperei que ele terminasse de falar – só não acredite no que ela disse ouviu?  - a sua voz saiu em tom de suplica me fazendo abrir a boca em um gesto nítido de surpresa que claro não passou despercebido por Fred, ele soltou uma risada – eu sei que isso não é do meu feitio – Fred deu uma pausa breve analisando o que diria em seguida – eu quero que confie em mim -.

Sinceramente eu não esperava isso dele, confiar? Em que sentido ele estava querendo dizer? Haviam tantas dúvidas e tantas perguntas que eu queria fazer para Frederico. Um turbilhão de indagações que naquele momento não faziam sentido algum.

– Eu confio em você Fred – respondi não sei ao certo se estava sendo sincera, nem de que isso que aconteceu realmente vai significar algo, mas eu estava disposta a arriscar.