venatici

M51: The Whirlpool Galaxy : Follow the handle of the Big Dipper away from the dippers bowl until you get to the handles last bright star. Then, just slide your telescope a little south and west and you might find this stunning pair of interacting galaxies, the 51st entry in Charles Messier famous catalog. Perhaps the original spiral nebula, the large galaxy with well defined spiral structure is also cataloged as NGC 5194. Its spiral arms and dust lanes clearly sweep in front of its companion galaxy , NGC 5195. The pair are about 31 million light-years distant and officially lie within the angular boundaries of the small constellation Canes Venatici. Though M51 looks faint and fuzzy to the eye, deep images like this one can reveal striking colors and the faint tidal debris around the smaller galaxy via NASA

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Venatici: put on a show.

He prowls into Audrey’s neighborhood and slinks into an alley a couple blocks from her home.  He transforms into a less menacing state, and begins his fun.

To anyone who didn’t know what was going on, he just looked like a poor puppy who got stuck under a pile of garbage he happened to knock over.  He makes sure to yelp and cry as loudly as a little dog can.

É claro, Clarissa, que a vida não seria como você pensou.

                                                   4 - O Recomeço

 “Fui para ele namorada fiel, amante voraz, amiga de confiança. Dei a ele o espaço de que precisava. Confiei e transmiti confiança. Fui companheira até onde meus medos permitiram. Mas não senti nada voltar para mim” – Clarissa disse para si mesma após ver que o fim tinha chegado. Novamente, Clarissa acreditou que existisse amor. Pobre de ti. Não vê que é tudo uma busca desesperada por um lugar onde depositar dores e melancolias? Dizemos que amamos aqueles que se mostram dispostos a limpar a sujeira dos nossos corações. O coração de Clarissa hoje era a pura definição de entropia. “Eu achei que você fosse limpar o lugar e olha como você o deixou!” – esbravejava. Não adianta, Clarissa, ele não vai ouvir. Ou talvez até ouça, mas não irá se importar. Você sentiu muito mais do que a outra pessoa seria capaz de suportar. Novamente.

                Viu onde esse sentimentalismo exagerado te levou, Clarissa? Atropelou suas dores com outras piores ainda. Vê hoje a bagunça na qual você se tornou, Clarissa? Clara como a neve por fora, turva como um furacão por dentro. Olhava-se no espelho e via o rosto salpicado de estrelas. As pontas dos cabelos estavam tomando o tom meio amarelado que tinham na infância e que Clarissa tanto detestava. Os lábios, já machucados de tanto levarem mordidas durante seus momentos de nervosismo doentio, eram de um vermelho intenso. Os olhos pequenos já nem se abriam mais, tamanho era o inchaço devido aos dias e dias e dias de choro derramado. Clarissa se olhava e via alguém triste. Havia tentado tantas coisas esse ano, Clarissa. Tantas expectativas, tanto esforço e nada aconteceu. Estudou, viveu, amadureceu e a vida lhe impôs testes tão difíceis que não conseguiu passar em nenhum deles.

                Vê agora as consequências de amar com coração de poeta, Clarissa? “Não confiarei em mais ninguém” – dizia. Vê agora, Clarissa? Já estava na hora de você acordar para a vida! “Não levo jeito pra essas coisas de coração.”. Para de maltratar o pobre coitado, Clarissa! Ele não merece ser tão pisoteado! Guarde-o um pouquinho, deixe que ele descanse. “Assim farei. Não quero entregar esse coração pisado para ninguém mais. Espera. Que graça de rapaz! Veja como ele se importa com as pessoas! Ele diz que quer entregar a vida aos doentes, quer viver em prol do outro!”. Clarissa, para! “Vou conversar com ele.”. Não, Clarissa, de novo não! Todos sabemos que você está cansada dessa dor! “Mas eu prometo. Dessa vez será diferente. Dessa vez será diferente.”. (venatici)

É claro, Clarissa, que a vida não seria como você pensou.
                                                 3 - A Realidade

              “Quer saber, vão pro inferno!” – disse Clarissa. “Quero mais é que sejam felizes e tenham 867 filhos!”. Dito isso, Clarissa pôs uma pedra no que um dia chamou de amor pelo rapaz. No entanto, a ferida causada pela aproximação sorrateira da moça ficaria sempre aberta. A dor de ter confiado seu segredo mais profundo a alguém que o usaria contra você tá aí martelando sua alma, não é, Clarissa? Foi bom pra você aprender que isso não se faz. Largou o passado pra trás. Foi ver o que o futuro reservava. O vento parecia estar trazendo algo bom. Parecia.

                Conheceu outro rapaz, então. De uma forma tão inusitada que mal acreditava que poderia ser verdade. “É o destino!” – pensava Clarissa. Pensava apenas. Dizer que acreditava em destino poderia fazê-la transparecer a completa idiota que era. Ah, foi bom, não foi Clarissa? Você se sentiu bem quista como sempre quis ser. “Clarissa é clara como a neve. Sua face é salpicada de estrelas. Não há ninguém no mundo mais bela que Clarissa.” – dizia o rapaz ao pé do ouvido dela. Entregou a ele todas as dores que sentia (ou quase todas, afinal, eram tantas…) e esperou que ele cuidasse delas. Clarissa, ninguém é obrigado a conseguir domar esses problemas esquisitos que você carrega dentro de ti! Começou a pensar então que havia achado alguém para amar de verdade. “Saí do mundo dos sonhos e encontrei a realidade, finalmente!” – dizia.

                Confiou ao novo rapaz todos os carinhos que ainda carregava nas mãos. Seus beijos estavam meio enferrujados, seus dedos não estavam acostumados a ter outros entrelaçando-os. Entregou-se ao amor que o rapaz dizia ter guardado só para ela. Abriu a porta do coração. Deixou que ele a destruísse, mas confiou que isso não aconteceria. E disse as palavras de amor mais belas que tinha guardado em seu peito para quem, um dia, fosse digno delas. Clarissa amou o novo rapaz, talvez mais que o primeiro. Amou mais porque achou que o amor fosse recíproco. Quando é que você vai aprender, Clarissa?

                “Não vai dar pra você vir hoje? Tudo bem” – dizia todos os fins de semana. “O quê? Amanhã você tem um compromisso? Ok, te vejo semana que vem. Não vai dar também? Ok, na próxima então.”. “Tudo bem, ele deve estar ocupado com o novo trabalho. Deve estar sentindo falta dos amigos. Coitado, ele deve estar querendo um tempo só pra ele.” – se consolava. Clarissa, minha avó já dizia que quem quer corre atrás. Vi você correndo, ligando, se abrindo para alguém que não estava pronto para isso tudo. Ele não queria, Clarissa. Você se empolgou demais. “Clara como a neve, Clarissa. O mundo não seria capaz de suportar sua beleza. Nem eu.” – disse ele. “Você só parece ser diferente das outras.”. “Não pensei que fossem existir problemas com você, que parece ser tão serena!”. Ora, Clarissa carregava na face a serenidade de quem vomita as dores em forma de rimas num caderno velho todas as noites. A poesia é beleza para quem lê e maremoto para quem escreve. Tente se colocar do outro lado do papel e sentirá a dor que sente o poeta.

(continua)

É claro, Clarissa, que a vida não seria como você pensou.

                                        2 - O Casamento

               Clarissa conhecia uma moça. Era alta, bonita. Olhos coloridos, sabem como dizem por aí, enfeitiçam quem se deixa enfeitiçar por eles. Moça triste aquela. Vivia chorando pelos cantos, por motivos que até ela mesma desconhecia. Clarissa não suportava ver gente de olhos coloridos chorando. Numa das tentativas de acalmar a moça bonita, contou seu segredo. “Sabe aquele rapaz? O amo como jamais amei ninguém nessa vida. E é esse amor de mentira que me faz ter fé para seguir sorrindo.” – disse Clarissa. A moça sorriu. “Missão cumprida” – pensou a clara Clarissa. Conversava muito com a moça dos olhos coloridos, enquanto ela dava a Clarissa conselhos sobre como seguir em frente com essa paixão patética e surreal que alimentava em seu peito. Clarissa, para e pensa! Hoje você vê que confiar na moça foi um dos maiores enganos de tua vida? Só hoje você vê, Clarissa? Por que razão você pisa tanto assim em seu próprio coração, menina?

                Ouviu a moça dizer com a voz rouca e falsamente acolhedora: “Clarissa, às vezes devemos sair do mundo dos sonhos e ir em busca de algo real.”. E recebeu o aperto de mão que a moça parecia dar com carinho, como agradecimento pelo segredo compartilhado. Era segredo, Clarissa! Seu segredinho só serviu para incentivar a moça a ir atrás do rapaz. E ela foi. E o enfeitiçou usando os olhos coloridos que choravam te pedindo ajuda. O rapaz que você amou com todo o coração. O moço que você sentiu que um dia entregaria a vida. Aquele que você seria capaz de fazer qualquer coisa para ver sorrindo aquele sorriso que acalmava esse seu coração perturbado. O sorriso não era pra você, sua tonta. Era pra ela. E tudo que você pensou que ele poderia ter feito especialmente para você, ele fez ainda com mais carinho para ela. Enquanto você estava distraída em seus próprios pensamentos, sua idiota, ela chegou e roubou de ti o sonho maior que você tinha.

                Ouviu dizer que eles vão se casar, Clarissa? Disseram por aí que ele não quer de verdade, que ela o convenceu com os enormes olhos coloridos. Pois é, ela contou para ele o teu segredo, sabia? Ela disse para ele coisas que você a fez jurar de pés juntos que não diria para ninguém. Você é burra mesmo. Não se deve contar um segredo, Clarissa. “Mas eu pensei que isso fosse ajudá-la” – Clarissa pensava. E ajudou! Tanto ajudou que hoje ela está lá, tendo a vida que sempre sonhou ao lado do rapaz que Clarissa tanto amou. Amou em silêncio, quieta no seu canto. Alimentou pelo rapaz um amor doentio, que não sabia de onde vinha nem por que. Hoje você vê, Clarissa, o enorme idiota que é o rapaz que você tanto idolatrava? Enquanto você reparava na profundidade que tinha o olhar dele, não via o modo como ele pisava em seus próprios ideais a cada nova palavra dita. Ele entrava em contradição a todo momento, Clarissa, e só hoje você percebe isso. O rapaz não tinha argumentos para sustentar a própria opinião, porque ele próprio não tinha fé nela. Cabeças vazias se uniram a cabeças vazias, Clarissa. E dentro de alguns meses, se casarão.

(continua)

Esta é a Galáxia Whirlpool, uma galáxia espiral clássica,
do tipo Sc, situada a 15 milhões de anos-luz de nós
na constelação Canes Venatici. Esta galáxia, também
conhecida como M 51 ou NGC 5194, tem 65000 anos luz
de diâmetro. Ela é uma das mais brilhantes galáxias
em todo o céu.

É claro, Clarissa, que a vida não seria como você pensou.

                                      1- O Espelho

            Clarissa tinha uma ideia clara em sua cabeça: não confiaria em mais ninguém. É claro, Clarissa, que essa sua ideia não poderia se cumprir. Na vida a gente sempre sente necessidade de confiar em algo ou em alguém. Tudo o que buscamos é o chão de ter alguém para amparar nossa queda. É para isso que existem noivados, casamentos, filhos, amigos e tudo do gênero. Todos vêm com a finalidade de nos segurar caso venhamos a cair algum dia. Nós mesmos os responsabilizamos por essa árdua tarefa sem nem sabermos se conseguirão cumpri-la. Então, quando nos vemos estraçalhados no chão, culpamos o outro que não nos segurou sendo que a culpa de tudo é de nós mesmos. Entregamos ao outro um dever que não é dele. A única pessoa que deve evitar sua queda é você mesmo. Mas, como o ser humano é o bicho mais burro do Universo, continua sempre em busca de alguém para confiar. Um porto seguro. Um kit de sobrevivência para quando tudo estiver na pior. É claro, porém, que Clarissa não pensava mais assim. Assim espero.

                Clarissa, clara como a neve, a face salpicada de estrelas, os cabelos que tomavam o rumo do vento, se olhava no espelho todos os dias e via alguém diferente do que os outros viam. Acreditara, um dia, na boca de quem dissera que a beleza dela era maior que o mundo podia suportar. Mas a boca mentia, ela pensava hoje. Mentia, porque o que Clarissa via no espelho eram olhos de desespero. Andava na rua sempre cabisbaixa, pensando no que estava fazendo da vida. As pessoas que a conheciam diziam “Ora, Clarissa tem olhos chorosos.”. Olhos chorosos. De frente ao espelho, Clarissa, clara, debaixo da claridade da luz de seu quarto, jogava os cabelos e procurava beleza em algum lugar de seu rosto. Ou seria de sua alma? É claro, Clarissa, que há beleza aí dentro. Mas quem disse que você quer enxergá-la?

                Conhecera alguém há um tempo. Clarissa, clara como a lua nas noites de esplendor, viu seu peito se encher de algo sem nome. Conhecera alguém que não fez questão de conhecê-la, mas Clarissa se apaixonou mesmo assim. Afinal de contas, paixão vem assim mesmo, sem razão nenhuma para acontecer. Clarissa, ah Clarissa, deveria poupar seu coração dessas baboseiras! O rapaz, cujo nome desconheço, tomou conta dos pensamentos de Clarissa por um bom tempo. Foram tantos poemas, tantas músicas, tantas cartas escritas. Ah Clarissa, imagina se o pobre rapaz fosse ler tudo o que tua mente fértil escreveu para ele? Levaria meses apenas para tentar entender como pode existir uma moça de imaginação tão grande como a tua. Clarissa, é claro que a história bonita que você imaginou para você e o moço que nunca trocou mais que cinco palavras seguidas contigo jamais se tornaria real! Clarissa tinha aquela veia para a arte que a fazia pensar e sentir diferente do resto da humanidade. A arte serve como alívio para aqueles que se dão conta do quão horrível é a existência nesse planeta.

(continua)

NGC 4631, also known as the Whale Galaxy, is an edge-on spiral galaxy in the constellation Canes Venatici. This image was taken by Lowell post doc Joe Llama with Lowell Observatory’s Discovery Channel Telescope (DCT) two weeks ago. Credit: Joe Llama/Lowell Observatory/NSF #lowellobservatory #lowell #observatory #flagstaff #arizona #dct #lmi #discoverychanneltelescope #astrophotography #whalegalaxy #galaxy #telescope #science #space #astronomy