umeus

O céu hoje estava cinzento. A neblina era perceptível as seis da manhã. O chão estava úmido devido as gotículas de água que caíram durante a madrugada. O parquinho logo em frente estava deserto, mais a balança insistia em se balançar sozinha. Lá na cozinha a chaleira apitava, avisando-me de que a água já estava quente e me servi de uma boa caneca de chá. Resolvi então, sentar-me naquela balança, que tanto pedia para ser balançada. O vento soprava forte e o chá aquecia meu corpo, que estava praticamente nu, provocando-me arrepios. Nunca havia parado para observar a beleza das seis e quinze da manhã, era tudo tão calmo, tão simples, tão natural, como se não precisasse de nada para tornar-se belo, acho que essa é uma das qualidades da natureza, simplicidade […] Engraçado não? Vivo há tempos neste mesmo lugar e ainda consigo me surpreender com algumas coisas. Pois bem, acho que sempre serei surpreendida. O Sol jazia há um bom tempo, mas somente agora começara a brilhar. Senti-me em paz, aliviada, como há muito não sentia. Queria sorrir para o vento, sussurrar meus segredos, gritar os meus medos. Queria colocar tudo o que eu estava sentindo aquele momento para fora, mandar meus temores para longe de mim, uma carta direcionada para o mundo. Eu precisava não sentir. “És pequena demais para decidir algo assim, és incompleta demais para não sentir.” Meu coração insistia em me provar do contrário, queria que eu amasse, que eu sentisse. Mas mal sabia ele que eu amava, mas amava demais. Sentia, mas sentia demais. E eu precisava de um tempo comigo mesma, precisava me amar mais. Havia deixado muito de mim ser esquecido, cada pedacinho, cada detalhe mínimo, estava amontoado em uma estante, toda empoeirada. Eu precisava me recuperar, recuperar este meu brilho, este meu sorriso, essa minha paz (…) O chá esfriara, assim como os meus sentimentos, e de agora em diante meus sentimentos só irão se aquecer novamente se for para sentir algo por mim mesma, apenas. 

Cafeína, por favor!

UMEUS CLOTH || CREATE, EXPLORE, & CELEBRATE LIFE!

UMEUS Cloth is more than a brand. It is a mindset, and a way of life. We celebrate those who are here to explore life & the cosmos, create that which has yet to be created, and to show love to those in need. Our mission is to promote individuals, movements, and ideas that help to bring about a more positive and comfortable life for us all. With this ethos, it is clear that pride, compassion, and respect reside in the heart of UMEUS Cloth.

Já estava anoitecendo e, pela primeira vez, em tanto tempo, consegui aproveitar o meu dia para fazer algo para mim, apenas para mim. Não consigo me lembrar a última vez que sai de casa para fazer compras, ou tomar o meu café da manhã naquela minha cafeteria preferida. Nos últimos dias, ou melhor, nos últimos meses, eu vivia de comida congelada e de roupas do ano passado. Mas, há duas semanas atrás, fui libertada de todas as minhas angustias e incertezas. Há duas semanas atrás eu pude ter a certeza de que ele me amava (…) Servi-me de uma boa taça de vinho - um vício que eu havia adquirido há alguns meses - liguei o meu toca disco e afundei-me em meu sofá. A campainha soou e, por um momento me irritei por ter que me desfazer de toda àquela paz. Levantei-me e fui até a porta […]

(Silêncio) 

- Olá Fernanda. - Lá estava ele, com sua calça jeans preta surrada, sua camiseta azul Royal - minha predileta, pois esta destacavam teus olhos azuis - teu cabelo todo desgrenhado, com alguns fios jogados em sua testa. E teu sorriso torto. Ah… aquele sorriso…

- Lu…Lucas? O que está fazendo aqui? - Idiota! Será que você não consegue ter uma conversa sem gaguejar? 

- Estava pela vizinhança. - Ele disse sem graça. - Posso entrar? 

Abri o caminho para que ele pudesse entrar. Meu coração estava em disparada e minha boca totalmente seca. Fiz um sinal para que ele se sentasse em meu sofá e assim o fez. 

- Vejo que continua com esse seu hábito. - Disse olhando para a taça de vinho. Droga! Esqueci-me desse vinho. 

- Sim, continuo. Sei que não gostas, mas o vinho me acalma. - Disse sentando-me em uma cadeira de frente para o sofá. 

- Não estou te julgando Fernanda, não tomo mais as decisões por ti, não faço mais parte da tua vida. - Errado! Até parece que você não sabe que todas as decisões que tomo é pensando em você, pensando se você aprovaria e o que diria para mim caso fizesse alguma coisa estúpida. É você quem decide se meu coração continua a bombear o sangue em meu corpo ou se ele desiste de tudo e “morre”. Você está errado Lucas, completamente errado. Porque você é a minha vida. 

- Eu sei disso Lucas. Não estava tentando me explicar nem nada… Aliás, para que você veio mesmo? 

(Silêncio) Tamborilei meus dedos na escravinha de madeira e dei um gole em meu vinho. Vi teus olhos sendo guiados pela taça até a minha boca e pude perceber a irritação dele vindo à tona. 

- Lucas? O que você está fazendo aqui? - Disse tirando sua atenção de meu vinho. 

- Como eu disse. Estava pela vizinhança. 

- Apenas isso? 

- E me deu uma vontade imensa de te ver. - O que ele queria dizer com isso? 

- Bem.. Cá estou eu, viva, com o coração batendo e a pela ainda quente. Já me viu não é mesmo? - Disse levantando-me. 

- Por que você está falando desse jeito? - Perguntou intrigado. 

- Porque você não faz mais parte da minha vida, lembra-se? - Desviei o olhar para o meu toca disco que há pouco havia deixado de tocar aquela melodia tão dramática. Ele se aproximou e me obrigou a olhar para ele.

- Não diga isso Fernanda, por favor. Eu não posso, ou melhor, eu não quero mais fazer parte da tua vida. Não quero que você fique pelos cantos, sonhando comigo, com nós. Eu só… Eu só não quero mais.

- Então me beija. - Disse atordoada, jogando as palavras com força contra ele. Ele, por outro lado, me olhou sem jeito, hesitante. - Será que você não percebe? Eu sou sua, completamente sua e, querendo ou não, você sempre será meu. Não podes negar isso Lucas…

- Fernanda… 

- Cala a boca Lucas. - Disse interrompendo-o. - Você sabe disso. Sabe o quanto eu te amo e como eu te desejo todos os dias. - Ele desviou seu olhar e deu um passo para trás. Lhe obriguei a olhar para mim novamente e pressionei meu corpo contra o dele. - Me beija Lucas. E se você ainda quiser viver desse jeito, separados eu vou entender. Mas, se por algum acaso… 

E ele me beijou. Minha respiração parou de repente e minhas pernas amoleceram. Ele me segurou pela cintura e me jogou no sofá. Ele me beijava com intensidade, seus lábios em sincronia com os meus, sua língua a procura da minha, suas mãos pelo meu corpo, como se já conhecesse cada pedacinho. Seus lábios passearam pelo meu corpo, ora em meu pescoço, ora em meu busto, provocando-me arrepios. Ficamos assim até o amanhecer, dois corpos se transformando apenas em um. Duas pessoas, loucamente apaixonados, provando para elas mesmas que um ainda pertencia ao outro. 

Cafeína, por favor!

Sentada no chão de minha sala, reviro meu armário a procura de um objeto. Não muito grande, nem muito pequeno. Mas que se perdeu nesta imensa escuridão em meio a bagunça. Comecei a ficar desesperada, não podia acreditar que havia perdido a única coisa que me ligava ao meu passado, ao nosso passado […] Ali, bem ali no fundo. No canto direito do armário, embaixo de uma caixa de sapato velha estava aquela caixinha de mármore que me destes logo depois de partir. Há tempos não mexia nela, estava toda empoeirada e já demonstrava ser velha. Porém suas cartas continuavam intactas dentro dela, as folhas estavam um pouco amareladas confesso, mas não alterava no conteúdo da carta […]

Dezessete de Novembro de mil novecentos e oitenta e seis. 

[…] Esta casa sem dúvidas é linda. É um tipo de casa que eu sonho para o nosso futuro, três quartos, cozinha, sala de estar e sala de jantar, a mobília é um pouco antiga. Mas sinto-me um tanto quanto sozinho dentre essas paredes, sem sua risada ao amanhecer ou seus cabelos se esfregando em meu rosto enquanto dormimos. Desde quando me mudei não converso com meus pais, apenas um bom dia, boa tarde e boa noite. Não consigo perdoá-los por ter me separado de minha alma gêmea. Por ter me separado de você […]

Vinte e um de Dezembro de mil novecentos e oitenta e seis. 

Não consegui me levantar da cama hoje devido ao frio. Me lembrei de você, sei como gostas do frio, de bater queixo, de se enrolar na coberta… Eu, por outro lado, prefiro o Sol brilhando. Mas é como dizem minha princesa, os opostos se atraem, mas nunca me falaram da parte que eles se separam. Se soubestes a falta que me faz. Ah meu amor se soubestes […] 

Doze de Janeiro de mil novecentos e oitenta e sete. 

Hoje foi a primeira vez, em mais ou menos três meses, que falo com meus pais. Não foi uma conversa amigável confesso, mas já é alguma coisa não é mesmo? Minha vida começou a caminhar este ano, só queria que você estive caminhando junto comigo. Fiz um amigo pela redondeza e adivinhas? Ele também tem um amor impossível assim como o nosso. Faz-me falta, cada segundo, cada minuto do dia […]

Causa-me um aperto no peito ler estas tuas palavras. Ainda não descobri um amor tão puro e verdadeiro como o nosso. Lembro-me de nossas promessas, de quando sentávamos na beira do lago apenas para observar o pôr-do-sol… É incrível como tudo se perde em um piscar de olhos não é mesmo? Em meio a tantas cartas encontro a última que me mandaste, cada palavra esta marcada em meu coração, em minha mente […]

Vinte e quatro de Setembro de mil novecentos e noventa e três.

Meu amor, antes de mais nada quero que saiba que nem por um momento deixei de pensar em você. Mas sei que não temos um futuro juntos. Estou lhe mandando esta carta para liberar-te de suas amarras junto a mim. Quero que sigas tua vida assim como estou seguindo a minha. Não, eu não encontrei uma outra pessoa, cá entre nós que jamais encontraria alguém como você, mas precisamos seguir em frente. Só não se esqueça que eu te amei e que daria o mundo para ver uma última vez o teu sorriso […] 

Parei de ler a carta pois, assim como todos que começassem a leitura, saberia como esta carta acabaria. Lembro-me exatamente do dia que a recebi, não chorei, não fiquei brava, muito menos pensei que ele havia me enganada por tanto tempo. Ao contrário, fiquei feliz porque ele me concedera liberdade. Tanto eu quanto ele sabíamos o quanto um significava para o outro, sabíamos de como o nosso amor havia sido sincero, ainda é. Já se passaram oito anos desde o meu último contato com ele e não teve um dia, nesses oito anos, que eu não tenha pensado nele…

Cafeína, por favor!

"Tique-Taque-Tique-Taque" Neste silêncio ensurdecedor o único som que prevalecia era o "tiquetatear" do relógio. A cama estava dessarruma e o Sol clareava todos os cômodos de minha casa. Sua camisa ainda estava jogada n’um canto qualquer de meu quarto, amarrotada, virada do avesso. Sua palavras foram amorosas porém enfraquecedoras. Enfraqueceram-me. "Perdoe-me Fernanda, não é mais um caso de amantes. Somos eu e você. E devemos continuar assim. Adeus" O sorriso que aparecera em meu rosto logo quando eu acordara, desaparecera em questões de segundos. Aliás é apenas isso que se leva. Segundos. Segundos para ler uma carta de despedida e segundos para ver sua vida se despedaçando. 

Eu fora assim tão iludida? Nosso caso de amor não teve importância alguma? Apenas um caso de amor? Um caso de amor. Isso está errado, deveria ser O caso de amor e não apenas mais um. Aliás éramos eu e ele. Éramos nós. Não deveria acabar desse jeito, ele não deveria ter se despedido desse jeito, ele não deveria ter me deixado. Não hoje, não de novo […] Minhas mãos estavam trêmulas e meus olhos ardendo de tanto chorar. Ontem à noite havia sido tão especial, tão reconfortante, tão esperançador. E ele conseguira acabar com tudo em questões de segundos. Alguém por favor me digas qual é o meu problema? Por que, depois de tanto tempo, eu ainda continuo encantadoramente, desesperadamente, enlouquecidamente, apaixonada por ele? Por que, depois de tantas decepções, ele ainda continua sendo minh’alma gêmea? 

Isso não poderia… Eu não poderia… Ele não poderia.. Nós não poderíamos acabar assim. Não desse jeito. Não depois de termos provados para nós mesmo que ainda podemos continuar juntos. Que ainda poderíamos ter um caso de amor verdadeiro […] Apesar das mãos trêmulas disco com facilidade seu número de telefone. Não importa o que aconteça, não importa o que ele fale, eu ainda continuarei insistindo e não… Eu não vou desistir de nós, não até ele parar de me amar. 

— Olá. — A voz fala do outro lado da linha. Meu coração para por alguns segundos e minhas respiração se enfraquece. Havia esqueciso os efeitos que sua voz me causa.

— Lucas, Lucas, você não pode…

— … Aqui é o Lucas, no momento eu não posso lhe atender. Você já sabe o que fazer não é mesmo? — O sinal da caixa eletrônica apitou, meus joelhos cederam e bateram com uma força extrema no chão. Senti minha boca ficar seca e meus pensamentos se embaralharem por alguns segundos… 

— Você não… Você não deveria ter feito isso comigo Lucas. Não deveria ter me deixado desse jeito, esperançosa. Se não fosse para ser, não teria sido, mas foi. Fomos eu e você, fomos nós. E continuaremos sermos. Não importa suas tentativas idiotas de tentarem me provar ao contrário. Eu acredito em nós e você também terá que acreditar. Quem sabe um dia… Enquanto isso eu vou continuar me martirizando, conversano com a sua secretária eletrônica. Eu não tenho mais medo Lucas, eu lhe juro que não tenho. Sou somente sua, assim como você continuará sendo somente meu. Por favor, pare de lutar contra este sentimento, para de lutar contra mim porque, de agora em diante, eu vou começar a lutar por você. Eu te amo.

Cafeína, por favor!

 

O silêncio em meu quarto gritava desesperadamente, o cheiro de nicotina havia impregnado em minhas cortinas, a garrafa de vodka estava jogada ao lado de minha cama e meu copo restava apenas um gole. Já havia me perdido no tempo, não sabia se o Sol brilhava ou se era a Lua que havia tomado seu lugar. Não sabia em que dia eu estava, ou em que mês, ou em que ano. Estou vivendo no passado, ou melhor, vivendo naquela madrugada desesperadora, onde palavras foram ditas sem pensar. “Não vale a pena” Tantas vezes tentei me convencer disso, tantas vezes me arrependi de não ter feito o suficiente por nós, por você. E mesmo depois de ter ouvido essas palavras saindo de sua boca eu ainda não acredito. Não acredito que não valha a pena lutar por você, por nós. Pela nossa história, para que ela se recupere, mesmo que em fragmentos, mas não posso deixar com que isso desapareça da minha vida, você não pode ir, nunca pôde ir […]

“Machuca não machuca? Você fazer tanto por uma pessoa e saber que se enganou?” O que me machuca é saber que eu fiz tudo por você, pra depois descobrir que nunca valeu a pena. Não meu amor, você nunca valeu a pena, mas o que eu poderia ter feito? Deveria ter desistido daquilo que eu amava? Ter desistido de você? Foi você quem desistiu de tudo, todas as vezes, foi você que quis que acabasse. Por que voltou? “Senti que significasse alguma coisa pra você(…)” E pra você nunca significou nada? Você voltou apenas por mim, por pena? Dó? Saudade? Diga-me por favor! Responda-me essas questões que estão todas embaralhadas em minha cabeça. “ Não significa nada.” Significa! Sempre significou! Não é mesmo? Diga que significou alguma coisa pra você. Eu acreditei que você me amava, eu acreditei que era tudo verdadeiro […]

Minha cabeça começara a doer, não sei dizer se era efeito do alcool ou de suas palavras que resoavam em minha mente. Peguei meu cigarro e fui até a janela e a abri para que aquele cheiro se esvaiase de meu quarto, percebi que já era noite Quanto tempo havia se passado desde que eu me refugiara? Dei uma tragada em meu cigarro e soltei a fumaça para o vento que uivava nesta escuridão pedimdo para que este levasse embora a minha dor também.

” Eu não me importo mais” Minhas lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, o nó se entrelaçou em minha garganta e minhas mãos não paravam de tremer. ” Eu não me importo mais… Eu não me importo mais… Eu não me importo mais […]” Dentre todas as suas palavras essas foram as que mais me machuram. Gritei para o mundo, contra o mundo, para você. Gritei para que todos ouvissem a minha dor. Gritei para que alguém se importasse com o que eu estava sentindo. Gritei.. Gritei.. Gritei bem alto mas foi em vão. Assim como você ninguém nunca se importou.

Cafeína, por favor!

Às sete horas da manhã o Sol brilhava como se já fosse meio dia. Pudia sentir os raios solares penetrarem por meu corpo e gotas de suor rolando pelo meu rosto abatido. Minhas mãos também estavam suando, mas era um suor frio, estava há alguns minutos de transformar toda a minha vida. Estava com medo… Não, hesitado seria mais apropriado. Havia acordado tão cedo, na verdade não consegui dormir a noite inteira, por isso desisti de tentar e fui até o quintal de nossa casa e tentar colocar meus pensamentos em sintonia com o meu coração. Tudo seria tão diferente, sem dúvidas esta não seria a vida que eu imaginara para mim. Enchi meus pulmões com esse ar quente, ergui-me e tomei coragem […] Seu rosto estava sereno, todos os seus traços eram impecavelmente perfeitos. Seus lábios estavam entreabertos e sua respiração se transformara em um som gostoso de se ouvir. Seu peito inchava e desinchava conforme ela respirava e seus fios cabelo moldavam perfeitamente o travesseiro. Suas pálpebras tremeram dando espaço a duas esferas negras brilhosas. Ela me encarou com paixão […].

- Vou começar achar que eres um maníaco Guilherme. - Disse-me se espreguiçando e com um sorriso perfeito no rosto. 

- Um maníaco que é louco por ti. Faz sentido. - Ela deu uma risada baixa e se sentou. - Gosto de acordar ao seu lado pela manhã. 

- Gosto de acordar ao seu lado pela manhã. - Disse-me sorrindo e me dando um beijo em minha bochecha. Peguei suas mãos e encarei teus olhos pretos. 

- Não me incomodaria em acordar todos os dias ao seu lado Beth.

- Tampouco eu meu amor. Vou me mudar amanhã para cá. - Pude sentir um tom de deboche em sua voz. Não que ela não gostaria de morar comigo é que as vezes essa ideia se torna um tanto quanto absurda… 

- Estamos juntos a quanto tempo… Dois anos? E sinto que nos conhecemos há mais de dez anos. Você se tornou minha confidente durante todo esse tempo, resgatou-me da escuridão e tornou-me um homem melhor. Quando eu penso no futuro Beth, é isso que eu vejo. Eu e você. 

- O que você está querendo dizer com isso Gui? - Vi uma lágrima escorrendo pelo seu rosto e podia ouvir de longe seu coração batendo mais forte. 

- O que eu quero dizer Beth é que eu te amo. - Curvei-me sobre o seu corpo para alcançar a escrivaninha e abrir a gaveta. Retirei de lá uma caixinha minúscula de veludo e encarei o rosto de Beth sorrindo…

- Gui…. - Ela suspirou. Suas lágrimas começaram a escorrer incansavelmente pelo seu rosto e suas mãos estavam trêmulas. 

- Eu te amo tanto, tanto Beth. Não tenho dúvidas sobre isso. Não tenho dúvidas sobre você, sobre nós. A única coisa da qual eu tenho dúvidas é se conseguiria viver sem você ao meu lado… Elizabeth Bianchini Alves, aceita se casar comigo e me fazer o homem mais feliz do mundo?

Cafeína, por favor!

Sou ouro, sou prata e sou bronze. Sou tudo aquilo desejas, aquilo que convives e aquilo que renegas. Eu amo profundamente, com direito à coraçãozinhos flutuantes e borboletas no estômago, mas também eu odeio o suficiente para não fazer questão alguma de sua presença em minha vida (…) Uma dose de água e outra de azeite, sem controvérsias, apenas inimaginável. Não se misturam, não se combinam, mas se apoiam um n’outro. É como se eu fosse metade Lua, metade Sol. Preciso das minhas duas metades para sobreviver, porém apenas uma delas se prevalece. Venha cá, jogue uma pitada de sal e outra de açúcar. Deixe-me ter a certeza que sabes a dose certa para que eu possa misturar-me junto a ti. Porque nem eu mesma sei a minha própria dosagem. Mas deixes assim do jeito que está, nada certo, tudo errado, as vezes certo nem sempre errado. As vezes amarga e outras vezes um pouco doce demais. Eis o teu objetivo: Desvenda-me.

Cafeína, por favor!

O Sol penetrava pelas janelas de meu quarto fazendo-me cobrir o meu rosto com o cobertor para evitar e luminosidade. Espreguicei-me afim de continuar deitado em minha cama, tateei minha escrivaninha à procura de meu celular para poder ver as horas e deparei-me com uma ligação perdida seguida por uma mensagem de voz. “Ela não desiste” pensei. Pus-me a ouvir esta mensagem: “[…] Sou somente sua, assim como você continuará sendo somente meu. Por favor, pare de lutar contra este sentimento, para de lutar contra mim porque, de agora em diante, eu vou começar a lutar por você. Eu te amo”. Não sei como ou quando mas senti minhas lágrimas escorrerem e minha cabeça girar. Ah como eu desejava aquela mulher. Como eu a amava. Cada pedacinho do seu corpo, do seu coração, da sua alma. A amava por inteiro. Como se ela fizesse parte de mim. 

 Somos aquele típico casal que o destino insiste em separar, não importa o quanto nos amamos, o quanto nos desejamos, não nascemos para ficar juntos. O problema é que a Fernanda não aceitava isso. Não a culpo, dei-lhe tantas esperanças, tomei-a em meus braços e a beijei como se o mundo fosse acabar. Alimentei novamente todo aquele sentimento que tanto ela quanto eu havíamos escondido dentro de nós por meses. Sinto tanto por tê-la feito pensar que algo mudara. Sinto tanto por não ter sido paciente quando ela dava aquelas crises dela. Sinto tanto, tanto, tanto, mas tanto por não poder amá-la do jeito que ela merece. 

Levantei de minha cama e tomei um copo d’água com açúcar para acalmar-me porque estava preste a dar um fim no nosso relacionamento. Não me orgulho do que estou prestes a fazer mas é preciso. Não posso deixar que Fernanda desperdice sua vida tentando ter-me novamente. Pego meu celular e ligo para sua casa, nem é necessário discar os números já que estes estavam na discagem rápida. Ouço com impaciência o telefone dando linha e batuco na mesinha a frente. 

— Alô? — Minha gargante secou de uma hora para outra. Por um momento esqueci tudo o que eu havia planejado falar e senti uma vontade imensa de dizer-lhe que eu a amava tanto… 

— Fernanda? — Minha respiração ficou pesada, só consegui dizer o seu nome naquele momento. 

— Lucas? É você? — Pude sentir seu sorriso abrindo de ponta a ponta. Ah… Seu sorriso. Aquele pelo qual sou tão apaixonado.

— Sim sou eu — Disse depois de alguns segundos. Senti que ela ia falar alguma coisa mas a interrompi. — Não… Não diga nada só me escuta. — Respirei fundo e comecei. — Não quero mais que você me procure Fernanda. Aceite que terminou. Eu e você terminamos. Não importa o que um sinta pelo o outro, acabou. Você deixou de ser minha assim como eu deixei de ser seu. Para de se iludir dessa forma Fernanda, por favor. Esqueça o que nos tornamos, esqueça o que já fomos porque agora não somos mais nada. Somos Lucas e Fernanda, apenas. Me desculpe, adeus. […]

Cafeína, por favor!