Serviços comuns entre a classe A chegam a favelas de São Paulo

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Se a favela está para peixe, “melhor que seja cru”, como preza o sushiman Fábio Brito. Ele e a mulher, Simone Maria, comandam o Sushiaki no térreo de um sobradinho em Paraisópolis, segunda maior favela de São Paulo, colada ao Morumbi, zona oeste paulistana. Na parede de pastilhas, um cartaz com “tradução simultânea” para especialidades da casa, como takô (polvo), magurô (atum) e tobiko (ovas de peixe voador). A obra-prima: uma criação de Fábio com tobiko, fios de ovos, couve, pepino e cubinhos de maracujá (dez peças a R$ 27). Tudo para atender uma clientela cada vez mais exigente, cansada de “só ter pizza delivery” para matar a fome, diz o rapper Edson Luis, com 32 anos de Paraisópolis. Se formassem um Estado, as favelas seriam o quinto maior do Brasil em termos de população: 12 milhões de pessoas. “Tem mais favelado do que gaúcho”, compara Renato Meirelles, do Data Popular. Hoje, passam até Porsche e Camaro por ruas em boa parte asfaltadas, onde afloram comércios como o salão de beleza Stylly’s Hair e a lanchonete MaraDonald’s. É um retrato da economia pulsante das favelas brasileiras, cujos moradores têm renda anual de R$ 64,5 bilhões, segundo o Data Favela. A média por trabalhador é de R$ 965 –R$ 1.115 em São Paulo. “Eles gostam da coisa boa”, diz o empresário Reginaldo Pereira, que abriu a Original’s com produtos que compra em Orlando. O produto mais caro da loja, um tênis Adidas, sai por R$ 750. “Se engana quem acha que essa classe não gasta”, concorda Erica Rangel. Ela fatura até R$ 100 mil por mês com o petshop My Vet. Lá se vive vida de cão “diferenciada”, sobretudo para os yorkshire e llhasa apso, comuns em Paraisópolis e batizados com nomes do tipo Neymar e Brisa (alusão à maconha). Os “serviços que agregam valor”, como define Erica, incluem banhos especiais. A partir de R$ 28, a linha “Explosão de Cheiros” tem as essências “La Bella”, e “Chocolate Branco”. Ela só reclama do aluguel: R$ 4.000. O corretor Fernando Manga reconhece que o metro quadrado está mais caro em Paraisópolis: “Pode chegar a R$ 5.000 [a comercialização].”  SAIBA MAIS: Folha


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