sicc

Sabe aquele amor infantil e puro que sentimos quando criança por alguém? Eu sinto falta daquela inocência, daquela sinceridade. Aquele gostar em que a falta de imaturidade não fazia diferença, aquela fase sem malicia em que os únicos desentendimentos que haviam era quando o garotinho apaixonado implicava a mocinha, com a intenção de chamar a sua atenção. Sabe? Eu sinto falta de não sentir falta. Sinto falta de quando a minha unica preocupação era não perder o meu desenho favorito, e não deixar a minha mãe descobrir que quebrei louça preferida dela ou que escondi a bagunça do meu quarto debaixo da cama. Eu sinto falta da minha infância. Onde sem grandes preocupações e com simples coisas eu era feliz. sicckly

Queria mesmo era você.
Sem tirar nem por.
Sem precisar justificar.
Sem ter que dividir ou emprestar.
Sem sofrer pela falta.
Sem ser preciso separar.
Pois me apego facinho.
Então trás seu andar pra mais perto, moço.
—  sicckly
Não, não são meros detalhes banais. É que quando vem de você, nada se torna esquecível. O modo como você me abraça e apoia os braços quentes em meus ombros, ah, minha crosta gelada se derrete. O cheiro impregnado em minha roupa depois de um ou dois abraços, faz cada célula viva do meu corpo implorar por você. O jeito como desliza os dedos pelo queixo e para com o mindinho no canto da boca sem perceber. A sua voz, hora melosa, hora rouca, sempre me desconcerta de alguma forma. As mordidas repetitivas no canto esquerdo do lábio inferior fazem meu subconsciente gritar. Seu sorriso preguiçoso, que teima em não sair da minha mente. Aquele olhar 43 vez ou outra sugerindo malícia já me faz cúmplice de você, desperta euforia onde calmaria prevaleceu um dia.
—  Anne S.

Ela o amava. Amava cada dia mais. Ele havia reprovado duas vezes; não era o tipo de garoto certinho e estudioso mas, a encantava. De vez em quando no caminho da escola ele pegava umas três flores do jardim de alguém, e corria para não perder a hora; entregava à sua menina aquelas simples flores que significavam muito para ela. 

Alguns meses se passaram e ela terminou o ensino médio, precisava mudar de cidade, correr atrás do seu futuro. Em meio aquela bagunça de sentimentos ela encontrou coragem pra contar a ele e seguir em frente […] Foi um choque para o rapaz, ele ficou paralisado por alguns minutos.. olhou para a moça com os olhos marejados —sua respiração poderia ser ouvida por quem estava a metros de distância — deu um abraço forte e aconchegante na garota, e em meio a soluços, disse que a amava e a pediu para não esquece-lo. Ela chorando também, deu um breve sorriso e o beijou.

Finalmente, ela se mudou. No começo estava tudo bem, tirando a saudade que um sentia do outro, o sofrimento com que o garoto levava os seus dias. […] Depois de mais algum tempo, ela, já meio adaptada com a nova rotina se sentia menos solitária pois já havia feito amigos.. inclusive conhecido um jovem estudante de dezenove anos, cabelos castanhos e olhos azuis, por quem se sentia atraída; com quem estava vivendo momentos únicos. 

O jovem amante, continuava morando na antiga cidade, se arrependia amargamente por não ter estudado como devia. Ele sentida a falta da moça como um cego de sua visão. Como ele dizia; ela era a sua estrela guia, quem iluminava o seu caminho. 

Mais meses se passaram, e a garota foi se apaixonando perdidamente pelo rapaz de olhos azuis. Ele proporcionava a ela momentos que jamais havia passado com ninguém.. a moça chegava a esquecer do “namorado” quando estava com ele; aliás, ela esquecia do mundo. Dizia que quando olhava para ele o resto era plano de fundo. […] Tudo foi ficando mais claro em sua mente, ela foi percebendo que não sentia mais nada pelo outro apaixonado; e resolve terminar.. mandar uma carta.. o ultimo contato. 

[…] Nós vivemos momentos inesquecíveis juntos, fizemos felizes um ao outro.. Eu havia apostado bastante em nós mas infelizmente a chama aqui dentro foi se apagando, e agora já nem existe mais. Te amei, mas não correspondo mais ao seu amor. […] Adeus, foi bom enquanto durou. 

A resposta..

[…] Em meio a tantas pessoas que passaram pela minha vida, você conseguiu despertar o mais singelo e verdadeiro amor já sentido por mim. Me ensinou tantas coisas.. eu aprendi a amar; pois com você, aprendi o que é o amor. Palavras já não bastam não é? O nosso amor ficou frágil com toda essa distância. Pois é, não deveria ser assim. Eu me entreguei por inteiro.. você levou o meu coração com você. […] Por todo canto que olho vejo o seu sorriso. O que eu sinto não vai passar.. essa é a minha única certeza, pois se eu quero continuar vivo, já não sei mais. […] Pode ser que o seu olhar já não brilhe ao pensar em mim. Pode ser que o nosso abraço não se encaixe mais perfeitamente.. Pode ser que quando você terminar de ler essa carta, eu não esteja mais respirando. […] Te prometi lhe amar até a morte.. lhe enviei essa “resposta”, e dei um tiro aonde mais doía pra acabar de vez com a dor.. Pois é, ainda te amei por mais ou menos seis segundos. Adeus pequena.                  sicckly