Sempre que ele faz uma coisa que mostra que ele não é bom, você ignora, e sempre que ele age bem e te surpreende, ele te reconquista. E aí você esquece a idéia de que ele não serve pra você. Bom, o que estou tentando dizer é que eu entendo o que é se sentir a menor e a mais insignificante das criaturas do mundo e isso faz você sentir dores em lugares que nem sabia que existiam no corpo. Não importa quantos penteados novos você fizer, ou em quantas academias entrar, ou ainda quantas taças de frisante você tomar com as amigas, você ainda vai pra cama, toda noite, pensando em cada detalhe, imaginando o que fez de errado, ou como pode ter interpretado mal, e como foi que por um breve momento, você achou que podia ser tão feliz. Às vezes você consegue até se convencer de que ele, num passe de mágica, irá ate à sua porta… e depois de tudo isso, demore o tempo que tenha que demorar, você vai para um lugar novo, vai conhecer pessoas novas que fazem você se valorizar e pedacinhos da sua alma vão finalmente voltar. E aquela época turva, aquele tempo ou a vida que você desperdiçou, tudo isso começa a se dissipar.
—  O Amor Não Tira Férias
  • Blair:Você gosta de mim?
  • Chuck:Defina gostar.
  • Blair:Você deve tá brincando. Eu não acredito nisso.
  • Chuck:Como você acha que me sinto? Não dormi, me sinto enjoado, como se tivesse algo no meu estômago agitando.
  • Blair:Borboletas? Não isso não está com acontecendo.
  • Chuck:Ninguém está mais surpreso e envergonhado do que eu.
  • Blair:Chuck, você sabe que eu adoro todas as criaturas de Deus e as metáforas que elas inspiram, mas as borboletas tem que ser assassinadas.
Não adianta você inventar desculpas, ele não está interessado. Se realmente estivesse, correria atrás. Se o que vocês tiveram fosse verdadeiro, ninguém partiria. A gente demora a aceitar, inventa trezentas desculpas sobre a falta de interesse do outro. Pensa que talvez ele só esteja ocupado demais, talvez ele cochilou no sofá e esqueceu de te ligar. Desculpa, mas quem gosta, gosta. Quem ama, sente saudades. Sem confusões, desculpas ou armações.
—  Bianca D.
Eu só queria que você percebesse que eu sempre estive ali. Que eu sempre estive andando ao seu lado, disfarçadamente, com um sorriso leve nos lábios e de braços abertos para te acolher a qualquer recaída. Só queria que você me enxergasse, nem que seja por míseros dois minutos. Eu queria que você percebesse que eu não havia desistido dessa coisa que chegamos a chamar de amor. Porque eu ainda estava ali berrando por você. Eu gritava totalmente sem voz “eu tô aqui, idiota, eu ainda tô aqui”. Porque todas as vezes que eu te soltava, você me puxava de volta. Você me pegava desprevenida por aí e me convencia de que ainda havia esperanças para nós, então eu insistia. Eu insistia nesse nosso amor, mesmo tendo todos os motivos para desistir de você. Ainda acreditava naquele ‘nós’ que nem mesmo existia. Porque eu era totalmente sua, eu era sua antes mesmo de saber que um dia você iria me querer. E a cada erro seu, eu me fazia de idiota. Fingia ser cega e enxia o peito para dizer que tava tudo bem, não foi nada não. E a cada pequeno acerto seu, eu era reconquistada. Eu continuava caminhando rumo a seus braços, mesmo sabendo que eles não iriam me acolher. Desaparecia de vez em quando, só para que você pudesse sentir minha falta, mesmo sabendo que minha ausência não te incomodava. Acontece que você não encontraria outra igual a mim, e parecia saber disso. Eu era a única que te compreendia - pelo menos tentava. Fui compreensiva a ponto de deixar meu orgulho de lado para entender o que estava acontecendo, qual era o drama, qual era o assunto inacabado ali. Tive que aprender a lidar com sentimentos que eu nem mesmo sabia que sentia. Eu fui tudo, companheira, conselheira, psicologa, melhor amiga e qualquer outra coisa que queira acrescentar na lista. E o que você foi pra mim? Um dia mal dormido, uma noite com lágrimas, um minuto sem assunto, você foi a distancia, a tristeza e a saudade. Todos nossos momentos bons não compensava todas as vezes em que você desapareceu e voltou com a notícia de que havia feito alguma merda qualquer. Eu ignorava, te queria tanto que deixava pra lá. Te queria tanto, que não importava a quantidade de merdas que você fez, ia direto para seus braços sem pensar duas vezes. Mas, dessa vez, parecia estar acabando, parecia que a bolha que nos protegia havia estourado. Eu poderia jurar que senti o peso do mundo no momento em que ela se destruiu, como se você estivesse muito distante para que meus gritos mudos pudessem te alcançar. Você não olhou para trás. Não pensou em mim, não pensou que eu ainda poderia estar ali, talvez nem tenha se importado com o que deixou para trás. E mais uma vez, eu enfrentaria os sentimentos mais dolorosos que alguém já pôde ter inventado. Enfrentaria a saudade, a tristeza e a distancia…Eu enfrentaria você.
—  Bianca Dias, a-lusicrazy
Antes de terminar tudo, eu queria esclarecer algumas coisas. Acabou, chega. Chega de se fingir de cega e muda quando a minha vontade é de gritar bem alto o quanto você é estúpido. Que outra garota trocaria uma balada pra ficar com você? Que outra garota, além de mim, faria o possível e impossível pra ficar do seu lado pelo simples fato de gostar da tua companhia? Que outra garota perdoaria todas suas idiotices? Nenhuma. Eu duvido que você ache alguém como eu por aí. Porque eu me fazia de idiota. Idiota, cega, surda, muda. Eu me fiz de boba esse tempo todo só para não ter que te deixar ir. Porque te deixar ir era o mesmo que ver a melhor coisa do mundo ir embora. Eu tentei te fazer feliz, tentei fazer nós dois darmos certo, mas cansei de tentar sozinha, entende? Não ia funcionar. Não com você sendo meu só quando estava comigo e de todas as outras o tempo todo. Acontece que querendo te fazer bem, eu tava me fazendo mal. Eu nunca me declarei pra você, mas não é como se você não soubesse que de todos os outros, eu escolheria você. Mas, você me escolheria? É por isso que agora te deixo livre pra ser oficialmente de todas as outras o tempo todo. Tô caindo fora.
—  Bianca D.
y

Era perfeita, e tinha o cara perfeito, aquele que deixava flores e comprava jóias para fazê-la feliz. Mas, de que adianta, ter o garoto perfeito, se quem te faz feliz é simplesmente aquele que não presta? De que adianta alimentar um amor inexistente? Não havia amor ali, nunca houve, ele nunca fez seu coração bater tão forte como aquele outro. Mas, por quê? O que ele tinha que ela o queria tanto? Pior, o que ela tinha que ele deixaria de querer todas as outras garotas que poderia ter?  Egoísta e manipuladora, assim como ele. Dessa vez as semelhancias os uniram. 

Não se entregariam assim tão rapidamente, não assumiriam que existia química ou algo mais entre eles. E se acaso alguém deixasse o orgulho para trás, o outro mataria todas as esperanças. Um quebraria o outro como se fosse feitos de vidro e não sentiriam remorso. Poderia haver uma trégua entre eles? Poderia, talvez, haver um casal ali? 

Bastou um deles tropeçar para perceberem que necessitavam da presença um do outro mais do que suportariam, bastou um deslize. Uma provocação. Uma limousine e finalmente, a atração proibida. Se entregaram, naquela noite onde o céu estava escuro demais e parecia que tudo iria desabar um sobre o outro. Aquela noite mudaria todos os planos que os guiaram até ali

A noite acabou. Ele não ligou, ela nem pensou em fazer o mesmo. Ele não disse oi, ela deus as costas. Dois orgulhosos, mas que por dentro se desejam. Se gostavam, ou deveria definir o que é gostar? Insônia, se sentir enjoado como se houvesse algo revirando no estômago… famosas borboletas. Isso não poderia estar acontecendo, assassinariam as borboletas e todos os outros sentimentos juntos. 

Ele a queria, a desejava, ela era como nenhuma outra. Ela não era a mais bem vestida, nem era a mais magra nem a mais alta do salão, mas parecia brilhar um pouco mais que os outros. E ela sabia disso. Usaria todo seu poder para consegui-lá, e ela usaria toda sua força para mantê-lo afastado. 

Não acreditava que tinha o poder de mudar algo, ele sempre foi tão galinha e galanteador, não deixaria de ser porque ela apareceu em sua vida. Porém, se você quer muito algo, você não para por nada, nem ninguém até conseguir. Ele não desistiria fácil. Não se desiste só porque as coisas estão difíceis. E é aí que os jogos começam, eles se destruiriam tentando atingir um ao outro. Em matéria de amor e guerra, todas as armas machucamA pergunta é, quem viverá para lutar mais um dia?

Em um jogo a melhor estratégia é fazer seu maior rival apaixonar-se por você. Se continuassem, ambos morreríamos e se gostavam muito para deixar isso acontecer. No fim, o que tinham? O que eles eram? Tinham mais uma noite como aquela outra em que deu começo a essa guerra. E apesar de todos os contras, todas os seus defeitos e suas manipulações, havia amor. E esse era o verdadeiro motivo para fazê-la ficar e não deixa-lo sozinho, isso era o que importava. Três palavras, sete letras, diga isso. 

Essa amor a consumia, a deixava frágil, como se fosse se despedaçar a um simples toque. Apenas uma masoquista poderia amar tamanho narcisista. Era hora de se entregar? De parar com os jogos e viver a realidadeTem que decidir o que é importante. Manter seu orgulho e não ter nada, ou correr o risco e talvez, ter tudo? 

Disse, no momento em que ele mais precisou, no momento em que ele desabou e não havia nada, nem ninguém para impedir. Disse as três palavras, se entregou ao sentimento. Tarde demais. Ele já não estava assim tão interessado em acabar com os jogos, era especialista nisso. A faria passar por todas as negações que ele passou, a faria querer a companhia dele.

E ela decidiu seguir em frente, mas toda vez que tentava ele aparecia, agindo como a amasse. Queria ter uma resposta para a pergunta que o fez a tanto tempo: O  que eles eram? Talvez ele só desejava que ela fosse tão infeliz como ele. Queria a verdade agora, isso tudo era um jogo? Se fosse real, dariam um jeito. Mas se não fosse, então, ele teria que deixá-la partir. E ele a deixou partir, perdeu algo que ninguém sabia que tinha, seu coração. A deixou livre por saber que não seria capaz de fazê-la feliz, por saber que o amor ali não era suficiente.

Retornava a sua vida, bebidas, mulheres e dinheiro. Ela focava em qualquer coisa que não a faria tropeçar com ele. Quando está de cara com um futuro incerto, as questões que realmente odiamos perguntar são aquelas que tememos já saber a resposta. Como se houvesse maneira de sobreviver um sem o outro, como se algum dia ela fosse ficar bem. Agora, ele lutava. Perante ao verdadeiro amor não se desiste, mesmo que o objeto do nosso amor nos implore para que isso aconteça. O motivo pelo qual ele não podia dizer aquelas três palavras não é porque não é verdade, é porque tinha medo o suficiente para dizer e as mesmas palavras serem esquecidas como se fossem palavras jogadas ao vento - fez a coisa mais perigosa que podia quando disse: eu te amo e valeu a pena.

Assim como as estações, as pessoas têm a habilidade de mudar. Não acontece com freqüência, mas quando acontece, é sempre para o bem.As pessoas erram, cometem erros imperdoáveis. Um único erro seria o suficiente para destruir tudo o que construíram juntos?  Ela o perdôou por algo que ninguém no mundo nunca superaria. Em seguida ele fez a única coisa que sabia que ela nunca deixaria passar.  E não havia perdão depois disso, não havia mais nenhum capítulo dessa história. 

Perdeu a única coisa que já amou. Isso o fez virar outra pessoa, talvez se tornar uma pessoa que alguém possa amar. Mas alguém havia amado e ele devia isso á ela. Estaria deixando tudo para trás como um covarde, o homem que era encararia o que fez. Mas como se ele havia destruído a única coisa que já amou? Ela já não o amava mais, ao menos se convencia disso. E era verdade que seu mundo seria um lugar melhor se ele não voltasse, mas não seria seu mundo sem ele

Ela lutou, muito e por muito tempo, agora está cansada. O amor não faz sentido, nem seu comportamento agora. Não escrevem sonetos sobre compatibilidade ou romances sobre metas em comum, e conversas estimulantes. Mas não vivemos em Paris no século XX - embora desejamos.Existe uma diferença entre o grande amor, e o amor certo.  Estava na hora de deixá-la ir, ele havia se convencido disso. Ela tomara todo o poder que tinha para se afastar, ainda não queria dizer adeus. Mas ele precisava deixá-la ir e para isso, ela havia que fazer o mesmo. Às vezes, a única coisa que nos resta é abraçar o outro, e então… Dizer adeus.

Tudo que ela havia feito era amá-lo. Nas ideias mais sombrias que já teve, nas piores coisas que já fez, ela sempre estaria ao seu lado. Só não imaginava que a pior coisa que ele faria, seria contra ela.  Os grandes romances são os irracionais. Apesar de tudo, ela sabia que ele havia se tornado uma pessoa maravilhosa, diferente da que conheceu e esperava que o futuro não o mudasse. Pensavam que passariam o resto de suas vidas juntos, tinham o futuro planejado. Mas sabia o que era importante e fez a única escolha que poderia fazer. Como se mata um sentimento? Porque amor não simplesmente desaparece. Mas nunca poderiam ficar juntos. Sobreviveu sem ele até encontrá-lo e pretendia continuar assim.  Iria o excluir da sua vida, esquecendo que sua prioridade sempre havia sido ele. O amor era a única coisa que importava, agora é a única que já não importa mais

“Só porque não podemos ficar juntos, não quer dizer que eu não te ame.”

(Bianca Dias)

Você é todo errado. Eu tô aqui, sabe? Aqui tentando fazer esse nosso romance-vai-e-vem dar certo de algum maneira. Tô aqui ajeitando essa bagunça só pra você vir e bagunçar novamente. E esse é meu erro, cara. É fazer tudo pensando em como vai ser quando você reaparecer. Eu vou pra longe, já com a esperança de que você me pegue pra ti novamente. E você sempre pega. De alguma maneira você me acostumou mal. E lá vem minhas amigas dizendo que “você não presta e a gente nunca daria certo mesmo”, e lá vai você dizendo para seus amigos que “a gente não dá certo mesmo, então vamos pro bar beber”. Eu sei que é difícil recordar quem éramos e mais difícil ainda imaginar quem somos, mas, não tá na cara que tudo era melhor quando éramos nós dois juntos? E mesmo que seja tarde demais pra tentar, nunca é tarde demais para conseguir. E sim, você é errado demais pra mim. Errado no jeito de pensar e agir, errado no jeito de falar e andar, errado até mesmo no teu jeito de gostar. E apesar de tudo, ou talvez por tudo, você é o errado mais certo pra mim.
—  Bianca D. 
Você é um verme desprezível. E se quer mesmo saber, eu nunca gostei de nenhum outro cara como gostei de você. E isso é culpa minha, sou eu que tenho essa estúpida mania de gostar daquilo que não serve, não agrada e não faz bem. E olha só você! É que, te olhando assim, você parece tão, tão bonito. A gente era uma bagunça no meio da bagunça do seu quarto e se você não era capaz de arrumar nem o seu quarto é óbvio que você não iria arrumar a bagunça que a gente se tornou. Sabe, eu gostava, mas era bagunça demais pra você e por isso você foi embora sem retornar minhas ligações e ignorando as prováveis trezentas mensagens que eu mandei depois. Eu fiquei pra morrer algumas semanas até que decidi que precisava te superar. Me matriculei na academia, pintei o cabelo, frequentei um milhão de festas e em um monte delas até te vi. A gente complica tudo, sabe? Você complicou tudo. A gente podia ter dado certo se você quisesse, porque cara, eu queria e você não faz ideia do quanto eu queria. E em um desses dias em que acontece a recaída do amor eu me perguntei porque nunca te pedi pra ficar. E foi aí que entendi o motivo de você ir embora. No começo é bom, vai passando e você se sente sufocada, quer sair disso e não sabe o que fazer, não quer deixar a pessoa mas também não quer algo tão sério. E aí você não sabe o que fazer, fica cansada, com cara de doente e não sabe mais o que fazer. Você termina, sente saudades, volta de novo e a vida é assim mesmo. Eu nunca consegui gostar de nenhum outro cara como gostei de você e te vendo assim, me pergunto o por quê. Digo, você até que é bonitinho, mas é só isso.
—  i watched it begin again, bianca dias
Você pode ter a loira, a morena e a ruiva. Pode ter a magrinha, a gostosa e até mesmo a gordinha. Você pode ter qualquer uma, mas sabe que no fim, é pra mim que você vai ligar dizendo que tá com saudades. É o meu número que você vai procurar na agenda do celular, desesperado só pra mandar uma mensagem dizendo que sente-muito-e-nunca-mais-vai-fazer-isso. Você sabe que todas essas fugas com garotas de uma noite só, é apenas uma busca desesperada por meu corpo nos corpos das outras. Você sabe e todo mundo sabe. Todo mundo sabe que você só saiu com aquela morena, porque ela usava o mesmo perfume que eu. Todo mundo sabe que você quis encontrar aquela loira, só porque diziam que ela é parecida comigo. Acontece que nenhuma dessas garotas era eu, e lá vinha você atrás de mim novamente. Coitado. Você já deveria saber que eu não sou tão tonta como elas devem ser. Você deveria saber que uma hora ou outra, eu não estaria mais ali. Você deveria ter desconfiado que em uma dessas suas fugidas, eu também fugiria. Fugiria para bem longe de você. Sugiro que ache outra garota para ligar quando se sentir sozinho. Ligue para algumas das garotas que pegou em alguma balada qualquer, se você tiver com sorte, ela não estará na cama com outro, ou outros. Por quanto tempo você achou que iria me enganar? Por quanto tempo achou que meu amor superaria todas as merdas que você já fez? Você tornou tudo cansativo demais, tão cansativo que meu amor por você começou a desaparecer aos pouquinhos. E ainda assim, continuo recebendo tuas mensagem de sinto-muito-e-nunca-mais-vou-fazer-isso. Você, ainda podendo ter todas as garotas do mundo, prefere a mim. Ainda podendo ter uma garota para cada noite, continua me querendo exclusivamente para você. Você sabe e todo mundo sabe.
—  Bianca Dias, você sabe e todo mundo sabe. 

Um papel só pode ser dobrado sete vezes.

Lá estava eu, mais uma vez fingindo estar lendo a manchete do jornal quando, na verdade, estava atenta observando todas pessoas que entravam na cafeteria. Eu sabia que você entraria ali uma hora ou outra, de cara amarrada e pedindo café amargo. E não deu outra.

— Um café, sem açucar.

Tão previsível. Olhei em sua direção, esperando que você me visse ali. Já havia cansado de ficar longe de você. Nunca fomos muito bons nisso, nessa coisa de ficar distante um do outro. Quantas horas conseguimos? Três horas? Menos?

— Desde quando tu frequenta cafeteria? - Sorri, você estava se sentando na minha mesa.
— Três horas, Dan.

Você não disse nada. Nadinha. Nem um comentário irônico, nenhuma observação, nada. Ficou me olhando como se estivesse tentando dizer alguma coisa. Ficou me olhando como se estivesse vendo o fundo na minha alma. E eu sabia que podia, você sempre soube. Sempre fui um livro aberto para você, odiava isso. Sempre odiei essa sua capacidade de entender cada entrelinha, cada pensamento no ar, cada silêncio constrangedor. Ninguém nunca foi capaz de me ler assim, nunquinha. E chega você, marrento, de cara fechada, playboy e me decifra assim, sem mais nem menos. Me deixando sem saída.

— Não me surpreenderia se essa notícia no jornal levasse seu nome como a criminosa.

Bufei. Olhei rapidamente a manchete e li algo que me fez rir “Mulher esquarteja marido por ciúmes.”

— Eu seria capaz.
— Você não me mataria.
— Como pode ter tanta certeza?
— Você não suporta a ideia de viver sem mim. Me diz, como passou essas três horas?

Nada bem.

— Muito bem, obrigado.

— Luce, por que você não admite tudo de uma vez?

— De que adiantaria, Dan? Tu quer que eu diga o que?

Que eu te amo? Que eu já não suporto mais viver sem você? Que só de pensar que nessas três míseras horas você estava andando por aí, fazendo sabe se lá o que, podendo ser de outra garota, bebendo com os amigos, conseguindo viver sem meus gritinhos e mimos, eu fiquei…fora de mim? Foi como se uma parte minha estivesse contigo, como se você tivesse levado a merda toda que eu sentia e tivesse me deixado só com essa maldita saudade, com essa maldita vontade de você. Minha vontade era soltar tudo isso em voz alta só pra tu saber o quão babaca você é. Mas não. Não falo, tenho medo de mostrar todo esse amor e você sumir, desaparecer. Porque é assim, não é? Você se apega demais, gosta demais e a pessoa vai embora sem olhar pra trás. E eu não sei se suportaria te ver partindo.

— Você não percebe, Luce? Não percebe o romance iô-iô que estamos vivendo? Você, que sempre disse ser tão culta, sempre com essa sua teimosia de achar que sabe tudo sobre o amor, não percebe o que está acontecendo aqui?

— Amor não é isso Danl, amor não tem nada a ver com a gente.

Na verdade, amor era a gente. Amor não era nada disso que o dicionário dizer ser. “Ternura, carinho, compaixão”. Puf. Amor mesmo era nossas discussões. Amor mesmo era sua implicância com a minha roupa. Amor mesmo era eu ainda continuar insistindo em você, quando nem mesmo você insiste na gente.

— Sabe qual é o grande problema aqui, Dan? Tu é um filha da puta. Uma merda de um filha da um puta, e você sabe disso, tanto sabe que tá aí sorrindo como se isso fosse bom. Tu já aprendeu como funciona, já aprendeu que não importa quantas vezes você me deixe, não importa, eu volto, eu sempre volto. E por que eu volto Dan, por quê? Talvez o grande problema aqui seja eu. Você nunca foi um príncipe, nunca me deu flores, nunca me deu esperanças que um dia botaria uma aliança na minha mão esquerda. Eu projetei isso. E sabe Danl, no fundo, bem lá no fundinho, você gosta de mim. Essa é a única explicação para você voltar. E eu me sustento a isso, me agarro ao pensamento que você gosta de mim, pelo menos um pouquinho.

— Eu gosto de você, Luce. Eu gosto de você.

Se a um minuto atrás eu estava pensando na possibilidade de desistir da gente, essas suas palavras destruíram qualquer vestígio desse pensamento. E quer saber? Eu prefiro me arriscar a viver uma vida medíocre sem você. Eu prefiro me fazer de idiota e acreditar mais uma vez que a gente vai dá certo. Eu juro, juro que tenho vontade de mandar você ir embora, se afastar, me deixar, ir comer alguma loira platinada, eu juro. Mas não dá, nunca deu. Não deu nem quando você apareceu de madrugada bêbado no meu quintal. Não deu quando você me deixou pela sexta vez seguida. Não deu quando você fez meu mundo ficar pequeno comparado com o tamanho do meu amor. Não deu.

— Um papel só pode ser dobrado sete vezes, Dan.
— E daí?
— Essa é nossa sétima vez.

Ele entendeu, entendeu que essa era a minha última tentativa equivocada de fazer nosso amor dar certo.

—  Bianca D.

Algo mudou dentro de mim, algo não é o mesmo. Estou cansada de jogar pelas regras do jogo de outra pessoa. Tarde demais para repensar, tarde demais para voltar a dormir. É hora de confiar nos meus instintos, fechar meus olhos e saltar. Estou cansada de aceitar limites porque alguém diz que eles são assim. Algumas coisas eu não posso mudar, mas até eu tentar, nunca saberei. Acho que vou tentar desafiar a gravidade, e você não me deixará pra baixo! 

Eu era loira, você sempre gostou mais das morenas. Eu era magrinha, você sempre gostou mais das gordinhas estilo gostosas. Eu era grudenta e você sempre preferiu garotas pego-uma-vez-e-não-vejo-mais. Eu tinha olhos escuros, quase pretos e não é novidade que você sempre gostou mais de olhos claros, quase da cor do céu. Você era moreno, e eu sempre gostei mais dos loiros. Você era musculoso, bombado e eu sempre gostei mais dos magrinhos. Você era o tipo de garoto que eu só veria uma vez na balada e depois desaparecia, e eu sempre preferi os garotos que me ligavam no dia seguinte. Nunca gostei de garotos como você, nunca sequer cogitei a ideia de algum dia sair com alguém assim. Você nunca gostou de garotas iguais a mim, nunca quis sair com uma garotinha assim por medo de que ela grudasse feito chiclete. Mas olhe só, como o amor é irracional e delinquente. Eu nunca gostei de garotos iguais a você, mas de você, eu gostei.
—  Bianca D.
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